Em uma época em que não se tem a menor dúvida de estarmos vivenciando grandes desajustes, ainda tem gente que se nutre da vida alheia.
As redes sociais têm um imenso potencial de parecer o paraíso. Sim, porque nelas cada um é o que deseja ser. As realidades podem ser facilmente manipuladas e só precisa ser exposto o que se deseja mostrar.
Se não bastasse a vida real camuflada, hoje existem “influencers” de tudo e para tudo, muito mais gente para se exibir e desconstruir do que para trazer realidades que mereçam ser copiadas.
Nas nossas fragilidades e nas nossas distrações do real, a grama do vizinho sempre parece mais verdinha.
Vejo pessoas desanimando por não conseguirem o sucesso que muitos estampam nas redes sociais, onde maquiam a realidade querendo fazer crer que tudo é muito fácil e perfeito.
Passamos a admirar os ricos, os bem casados, famosos, bonitos, sarados, e por aí vai… o que os nossos olhos enxergam passa e ser sem filtro.
Ninguém se pergunta como tal rico enriqueceu, como a beleza surgiu, como vivem aqueles que mostram suas “realidades” e precisam mostrar uma felicidade onde não existe certeza alguma.
Nesse novo modo de vida, presos em exemplos (nem sempre saudáveis), passamos a admirar e invejar vidas sobre as quais nada sabemos.
Com tanta exposição e o desejo de prosperidade e sucesso, cometemos um erro pontual: nos esquecemos de viver e olhar para a nossa realidade, esquecemos que precisamos focar em quem somos, aonde desejamos chegar e nas ferramentas que possuímos para alcançar os nossos objetivos. Esquecemos que o que pode ser bom para uma pessoa pode não se encaixar nas nossas vidas. Com isso, esquecemos quem somos tentando copiar a vida alheia.
Deveríamos nos perguntar: o perfeito dos outros os levará pra qual destino? Será que o ponto de chegada do outro é realmente aonde eu desejo chegar?
Então, se buscarmos focar nas nossas vidas, traçarmos um projeto para nós dentro daquilo que somos e quem realmente desejamos ser, sem comparações, encontrando os nossos pontos fortes, investindo em aprendizado, muito provavelmente encontraremos as respostas que buscamos. Com persistência, o sucesso que desejamos, sem dúvida, será só uma questão de tempo.
Se nada está acontecendo, será que não estamos distraídos demais com a vida dos outros e perdemos o nosso caminho?
Quem não permite se perder, quem busca investir em si, aperfeiçoar o seu potencial, sem preguiça, sem desculpas, encontrará aquilo que procura. Essa somatória de comportamentos se tornará um cálculo quase matemático: o caminho, sem dúvida, será construído com o foco voltado para as próprias necessidades e o resultado será uma resposta individual, tipo uma roupa feita sob medida.
Quando a gente entende que comparações não nos levam a lugar algum, quando lembramos que cada ser humano é único e que muito do que serve pra um não cabe na vida do outro, acordamos. Acordamos e entendemos que admiração por alguém não nos coloca no mesmo lugar, sonos únicos e únicas são cada história de vida e suas necessidades.
Inveja e desejo do lugar do outro nos desconstrói, nos trava e nos paralisa. Precisamos ter isso muito claro.
Quer ser feliz? Faça acontecer!
Quer ter prosperidade? Lute por ela.
Só saindo da zona de conforto, da vida contemplativa, limpando a inveja dos sentimentos e as comparações desnecessárias, tiramos a nuvem que cobre a coragem e determinação necessárias para construirmos a nossa história.
Bora, que o sentido da vida é pra frente!

Por Silvana Nardello Nasihgil. Ela é psicóloga clínica com formação em terapia de casal e familiar (CRP – 08/21393)
silnn.adv@gmail.com
@silnasihgil
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