O inverno deste ano tem início na próxima quarta-feira, dia 21 de junho, precisamente às 11h57 (Hora Legal de Brasília), quando ocorre o solstício de inverno no hemisfério Sul e o solstício de verão no hemisfério Norte.
O termo “solstício” é originário do latim e significa “sol parado”. Esse termo foi cunhado pelos astrônomos antigos que observaram a trajetória do Sol no céu. Eles perceberam que, a cada dia, a posição do Sol ao meio-dia no céu mudava. A posição ia ficando cada vez mais alta no céu até atingir um ponto máximo e, então, o sol parecia “parar”. Em seguida, a localização começava a diminuir e também “parava” antes de começar a subir novamente. Esses momentos de “parada” correspondem aos solstícios de verão e de inverno, respectivamente.
“As estações do ano ocorrem devido à inclinação do eixo da Terra em relação ao seu plano de órbita e também devido à sua translação em torno do Sol. O início das estações do ano é associado aos instantes dos solstícios (inverno e verão) e dos equinócios (outono e primavera)”, explica a doutora Josina Nascimento, astrônoma do Observatório Nacional – unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (ON/MCTI).
Segundo ela, uma outra forma de observar o “sol parado” é contemplar os locais onde o sol nasce e se põe a cada dia. Nos equinócios, o sol nasce no ponto cardeal Leste e se põe no ponto cardeal Oeste. Após as datas dos equinócios, o sol nasce cada dia mais afastado do ponto cardeal Leste e, nos dias dos solstícios, atinge o máximo afastamento a Nordeste (no solstício de inverno no hemisfério Sul) e a Sudeste (no solstício de verão no hemisfério Sul).
O mesmo acontece nos locais onde o sol se põe. Após as datas dos equinócios, o pôr do sol ocorre cada dia mais afastado do ponto cardeal Oeste. Já nos dias dos solstícios atinge o máximo afastamento a Noroeste (no solstício de inverno no hemisfério Sul) e, inversamente, o máximo afastamento a Sudoeste (no solstício de verão no hemisfério Sul).
“É fundamental lembrar que nunca devemos olhar diretamente para o sol, pois isso pode causar danos aos nossos olhos. Para observar o sol de forma segura, é necessário utilizar filtros apropriados ou telescópios específicos para observação do sol, ou ainda adotar métodos de observação indireta”, observa a doutora.
A chegada do inverno também impacta na variação dos comprimentos dos dias e das noites. Nos equinócios, o comprimento do dia é praticamente igual ao comprimento da noite. Após o equinócio de outono, o sol vai nascendo cada dia mais tarde e se pondo cada dia mais cedo até chegar na maior noite do ano em data próxima do solstício de inverno.
“A partir de então, o sol começa a nascer mais cedo e a se pôr mais tarde para novamente chegar ao mesmo comprimento do dia e da noite em data próxima ao equinócio de primavera. Os dias continuam sendo cada vez maiores até a menor noite do ano que ocorre em data próxima ao solstício de verão. Esse efeito é tão maior quanto mais afastado do equador terrestre o observador se encontra”, explica Josina.
Atualmente o início do inverno ocorre no dia 21 de junho, podendo ocorrer também no dia 20. Essa mudança de data está relacionada, em primeiro lugar, à precessão dos equinócios, que resulta no movimento dos pontos dos equinócios em relação às estrelas. Em segundo lugar está ligada à diferença de comprimento do nosso ano civil em relação ao ano trópico: o ano civil tem 365 dias e ano trópico 365 dias, 48 minutos e 46 segundos. O ano trópico é o tempo decorrido entre dois equinócios de outono, ou entre dois equinócios de primavera, ou entre dois solstícios de inverno, ou entre dois solstícios de verão.
Como o acerto entre o ano civil e o ano trópico é feito através do ano bissexto, o horário do início das estações é defasado de cerca de 6 horas de um ano para outro, até que no ano bissexto isso é corrigido.
El Niño
Com a presença do El Niño, as temperaturas devem ficar acima do registrado nos últimos anos. O fenômeno vai bloquear frentes frias, em especial no Sul do país, e trazer mais chuvas tanto no inverno quanto na primavera.
O El Niño é quando ocorre o aquecimento da superfície das águas do Oceano Pacífico na região da linha do Equador de forma anormal e persistente. O fenômeno se forma no segundo semestre do ano e não tem um tempo de duração definido, podendo persistir por anos.
“No Brasil, o fenômeno aumenta o risco de seca na faixa norte das regiões Norte e Nordeste e de grandes volumes de chuva no Sul do país. Isso ocorre porque a água da superfície do Pacífico, que está muito mais quente do que o normal, evapora com mais facilidade. Ou seja, o ar quente sobe para a atmosfera mais alta, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas”, explicam os meteorologistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
A presença do El Niño no inverno de 2023 marca o fim da La Niña, depois de três anos. De forma oposta, o fenômeno é caracterizado pelo resfriamento das águas do Pacífico Equatorial, alterando os regimes de chuva na América do Sul. O Rio Grande do Sul e a Argentina enfrentaram seca história nos últimos anos em consequência do La Niña.
Com governo federal e agências