Geral Fazenda inteligente

Itaipu e PTI desenvolvem sistema de monitoramento climático em parceria com a Unioeste

O objetivo do projeto, de acordo com o gerente do Centro, é utilizar os dados coletados pelas estações para monitorar o ciclo de produção do milho (Foto: Divulgação)

Implementar o modelo de indústria 4.0 no campo, otimizando a economia agrícola na região Oeste do Paraná, é um dos objetivos estratégicos do Parque Tecnológico Itaipu (PTI). Para isto, o PTI, por meio do Centro Latino-Americano de Tecnologias Abertas (Celtab), em parceria com a Itaipu Binacional e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), vem desenvolvendo o projeto “SmartFarm”, traduzido do inglês como “fazenda inteligente”.

No fim de setembro, dez novas estações foram instaladas na fazenda experimental Agro Tasca da Unioeste, em Céu Azul, visando a coleta de dados relacionados ao microclima da região. Doze unidades atualmente em operação monitoram a área total de 17 hectares, contando ainda com o suporte de um drone autônomo, supervisionado por operadores em campo.

O objetivo do projeto, de acordo com o gerente do Centro, Miguel Diogenes Matrakas, é utilizar os dados coletados pelas estações para monitorar o ciclo de produção do milho. Ao analisar a influência de variáveis, como a quantidade de chuva e sol sob o solo desde o plantio até a colheita, será possível viabilizar, por exemplo, o uso de defensivos agrícolas e a otimização de sistemas de irrigação, explica o gerente.

A ação foi concebida em virtude da demanda da Itaipu para automatização do Sistema de Monitoramento de Estações Climáticas (Smec) da usina, juntamente à tese de doutorado em Engenharia Agrícola do professor da Unioeste, Antônio Marcos M. Hashisuca, referente ao estudo do microclima. Conforme descreve Hashisuca, uma análise aprofundada do microclima permite ao agricultor maior conhecimento sobre sua propriedade e, consequentemente, processos de tomada de decisão com maior potencial de produtividade. No caso do milho, completa o professor, variáveis como a temperatura e declives existentes na propriedade, tem relação direta com a data da colheita.

Em julho deste ano, as duas primeiras estações-teste foram instaladas na propriedade por uma equipe do Celtab, composta pelos engenheiros Rolf Massao e José Alberto, acompanhados pelo professor Hashisuca, com o intuito de estabelecer uma base para o projeto. Após um período de adaptação das estações, descrevem os engenheiros, foi possível estabelecer uma rede estável de internet na área que, até então, não a possuía, viabilizando assim uma rede à qual foram conectadas as dez novas unidades.

Para o gerente do Celtab, levar esta tecnologia ao dia a dia do campo é uma ação estratégica visando resultados econômicos para toda a região. A medida em que as atividades agrônomas tornam-se cada vez mais otimizadas por meio de sistemas mecanizados, exemplifica Matrakas, os meios de cultivo tendem a tornarem-se mais pontuais e, consequentemente, a produtividade das safras aumenta.

A proposta vai a encontro da eficácia da manutenção e operação no reservatório da Itaipu pelos técnicos da usina, devido ao compartilhamento de informações coletadas pelo Smec e o Smart Farm através do Laboratório de Internet das Coisas (IoT) do Celtab. O gerente destaca que conceitos de conectividade e indústria 4.0, viabilizados pela IoT, foram adotados nos processos de atualização e implementação das estações.

Segundo o diretor superintendente do PTI, Jorge Augusto Callado, a produção de alimentos de forma sustentável e respeitando as variáveis climáticas é um dos principais desafios do agronegócio. “Com estas tecnologias, o PTI coloca-se dentro do ciclo produtivo de alimentos, fazendo com que tenhamos uma agricultura verticalizada, com maior produtividade”.

 

Expectativa

A colheita do milho na propriedade em Céu Azul está prevista para fevereiro de 2019, afirma o gerente. A partir disto, o Celtab passará a atuar em uma terceira etapa de trabalho, envolvendo o conceito de “big data” do campo que, trata-se de uma análise e interpretação aprofundada de um grande volume de dados resultantes das etapas anteriores de coleta e armazenamento via IoT. Paralelo a isto, o Centro também prevê a modernização de toda a rede de estações meteorológicas da Itaipu, que conta com 54 unidades em toda a região Oeste do estado, para o início do ano que vem.

 

Com assessoria

TOPO