Ontem, 28 de agosto, foi comemorado o Dia Nacional do Voluntário. Existem diversas formas de expressar o amor ao próximo e ser um voluntário, entre elas a doação de sangue. Independente se for para ajudar um conhecido ou apenas para contribuir, a fim de auxiliar pessoas que tiveram alguma doença, o ato voluntário de doar sangue – componente vital a todos os seres – é considerado uma ação nobre.
Na região há hemocentros habilitados para receber doações de sangue, caso das cidades de Cascavel e Toledo. Nesta última a Unidade de Coleta e Transfusão, popularmente conhecida como banco de sangue, atende moradores dos 18 municípios da área de abrangência da 20ª Regional de Saúde, com movimento médio de 500 pessoas ao mês.
Além da importância de colaborar com a doação de sangue, o procedimento por vezes auxilia na descoberta de doenças. Os casos mais comuns são de hepatites B e C, sífilis e HIV (Aids). Deixando as doenças de lado, a parte positiva é que algumas pessoas podem ser descobertas como doadores raros, seja pela tipagem sanguínea ou então pela doação de plaquetas por aférese.
Exemplo
Entre esses casos de doadores raros está o rondonense William Arnhold. O jovem, que tem o tipo sanguíneo “O positivo” e é doador há aproximadamente dois anos. Certa vez, foi convidado pelos profissionais do banco de sangue de Cascavel a realizar o exame das plaquetas. Arnhold topou o desafio e deu positivo, mostrando que possui plaquetas suficientes para doar a outras pessoas. Esse procedimento voluntário é realizado através de uma máquina que está disponível na região apenas em Cascavel. “Me sinto privilegiado por ser uma exceção, pois quase todos os doadores de plaquetas são de Cascavel”, comenta.
Segundo ele, as plaquetas são retiradas do sangue de pessoas com boa massa corporal, altas e com saúde nas condições ideais. “Daí é sugerida a doação de plaquetas, porém ainda são poucas as pessoas aptas pela quantidade mínima sugerida de 200 mil plaquetas. A doação de sangue dura em torno de sete a oito minutos, já no caso das plaquetas o voluntário perde 30 ou 50 ml de sangue porque é retirado do corpo, passa pela máquina que faz a separação do plasma das plaquetas e o sangue retorna ao doador. O procedimento que eu fiz hoje (sexta-feira, dia 25) durou 01h40. Você é ligado a uma máquina, é utilizado um kit descartável, e o sangue passa por essa máquina onde acontece a recolha e separação das plaquetas. Você vê o plasma que é retirado até o sangue retornar, sendo que todo esse procedimento é mais demorado, contudo uma doação de plaquetas equivale em média a 15 de sangue”, explica.
Arnhold menciona que no hemocentro de Cascavel existe um grupo de crianças que não produz plaquetas suficientes para a coagulação do sangue. “Portanto, elas vão precisar da doação de plaquetas durante a vida toda”, enaltece.
Regeneração
Há diferença entre os sexos. Uma delas é de que as mulheres geralmente produzem plaquetas suficientes para elas e não para doar, já os homens produzem para viver e em alguns casos sobra, possibilitando a ação voluntária. “Doação de sangue o homem pode fazer a cada dois meses, já a plaqueta se regenera a cada 48 horas, porém não aguenta doar tantas vezes porque o processo é mais incomodativo. Para se tornar doador é preciso ter em média 200 mil plaquetas. Alguns homens com massa maior, mais altos e mais fortes conseguem produzir plaquetas suficientes para doar”, reforça o rondonense.
“Hoje mesmo eu estava com 198 mil plaquetas, não era o ideal, contudo, como eu já sou doador, foi feito o procedimento mesmo assim. São poucas as pessoas que conhecem e sabem dessa doação de plaquetas. Eu fui ao hemocentro, a menina pediu se eu aceitaria fazer o exame do hemograma para saber o nível de plaquetas e, se suficientes, ser doador por aférese. Ela fez o exame, viu que era possível e eu aceitei. Como existe muita necessidade dessas plaquetas, elas me ligam todo mês agendando para saber se posso ir a Cascavel. Esta foi a terceira vez que eu tive a oportunidade de doar plaquetas”, expõe Arnhold.
Solidariedade
A assistente social da Unidade de Coleta e Transfusão de Toledo, Ivanice Primieri, destaca que não existe nada artificial ou algo que substitua o sangue. “Nós somos dependentes uns dos outros em relação à transfusão de sangue, por isso é interessante as pessoas tomarem conhecimento desse ato de solidariedade e de amor ao próximo. Os nossos maiores casos são de doadores de reposição, ou seja, pessoas que doam sangue a pedido de alguém. Se algum paciente recebeu sangue por sofrer um acidente, ter alguma doença, ou anemia, essa pessoa consegue esses doadores que procuram o banco de sangue para repor os estoques”, relata.
Ivanice revela que o número de doadores voluntários é muito pequeno, o que impede ter estoque de sangue. “O que mantém o nosso estoque regular, em algumas situações, são as doações de reposição que os familiares de pacientes conseguem encaminhar. O nosso número de doadores voluntários é de apenas 30%, enquanto de reposição alcança 70%. Então, é possível observar que os doadores voluntários são insuficientes para manter sangue em estoque. Nós temos em torno de 500 doadores por mês. Esses voluntários procuram o banco de sangue, nós fazemos uma triagem clínica com um profissional de saúde que normalmente é o médico, em seguida acontece a triagem hematológica, que é o teste rápido de anemia, e depois dessas etapas em o doador sendo apto ele se dirige à coleta”, descreve.
Doenças
Na fase inicial podem ser descobertas algumas doenças nos voluntários, que ficam impedidos de se tornar doadores de sangue. “É realizado o exame de sífilis, doença de chagas, hepatites B e C, HIV, tipagem sanguínea e, também, um exame que a gente procura detectar se o doador tem anemia falciforme. Nós fazemos esses exames a partir de todas as bolsas coletadas. Todos esses dados são sigilosos, tanto que algum tempo atrás nós encaminhávamos a carteirinha por correio ou através da Secretaria de Saúde. A nova portaria não permite mais isso e somente o próprio doador pode retirar a carteirinha com os resultados de exames devido à questão do sigilo. Tendo uma dessas doenças o interessado não pode mais ser doador. A gente tem mais incidência das hepatites, bem como alguns casos de sífilis e HIV”, ressalta.
Conforme Ivanice, se o voluntário estiver com dúvidas a sugestão é não procurar o banco de sangue para se obter resultados de exames. “Ele deve ir ao médico. Há serviços apropriados para isso, por exemplo em Toledo existe o Centro de Testagem e Aconselhamento que também faz todos esses exames de forma totalmente sigilosa e gratuita. Aqui (no banco e sangue) a gente precisa de pessoas sadias e que realmente queiram doar sangue para ajudar o próximo. É claro que vai ter resultado de exames, mas a intenção deve ser doar sangue”, considera.
Tipos sanguíneos
Os tipos sanguíneos são O, A, B e AB positivo e negativo. “O predominante é o tipo O, sendo o positivo constatado em 36% da população e o negativo em apenas 9%. O sangue A positivo tem incidência de 34% e o negativo de 8%. O tipo B positivo é de 8%, enquanto o negativo chega a 2%. O tipo mais raro é o AB, sendo o positivo com 2,5% da população e negativo apenas 0,5% da população, ou seja, o sangue AB negativo é raríssimo”, detalha.
A maior dificuldade do banco de sangue de Toledo é conseguir doadores do tipo O negativo, justamente o sangue universal. “O tipo O negativo doa para qualquer tipo sanguíneo, mas só pode receber dele mesmo, portanto se tivermos um ou dois pacientes recebendo sangue O negativo, provavelmente vamos ficar com o estoque bem baixo. Nós utilizamos o tipo O negativo sempre em casos de extrema urgência, quando não há tempo para fazer a tipagem sanguínea de algum paciente que sofreu acidente, por isso nós encaminhamos o sangue O negativo porque não acontece nenhuma ação transfusional”, expõe a assistente social, emendando que Marechal Rondon é uma cidade que conta com a associação de doadores e cujos moradores são bastante preocupados com essa questão. “Tem muito sangue O negativo em Marechal Rondon, entretanto nós não sabemos por qual motivo isso acontece. O importante é que a cidade se destaca no ato voluntário de doar sangue, o que serve de bom exemplo”.
O banco de sangue de Toledo está situado na Rua Almirante Barroso, nº 2490, centro. O atendimento é de segunda a sexta-feira das 07h30 às 10h30 e das 13 às 15 horas. Contato pode ser feito pelo telefone (45) 3379-1993. A assistente social Ivanice orienta que caso venham grupos a partir de quatro voluntários o ideal é agendar horário com antecedência para agilizar e facilitar o atendimento dos doadores.
Quem pode doar
Quem deseja ser doador precisa ter entre 16 e 69 anos (menores de idade precisam estar acompanhados do responsável e acima de 60 anos podem doar apenas se já forem doadores) e ter peso superior a 50 quilos. Além disso, no dia da doação a pessoa deve estar bem alimentada e apresentar documento oficial com foto. Será realizado o cadastro e as triagens hematológica e clínica e na sequência a doação. A média da coleta é de 450 mililitros de sangue por doação. Já a frequência é a cada 60 dias para homens e 90 dias para mulheres.