O valor empenhado para o cidadão se deslocar representa uma parcela significativa das despesas domésticas do mês. Com os preços dos combustíveis crescendo gradativamente, cabe à população encontrar alternativas para “aliviar” os gastos. A bicicleta já é um meio de se locomover consolidado em Marechal Cândido Rondon e, recentemente, os ciclomotores têm ganhado espaço nas ruas rondonenses.
A bordo de sua scooter, a rondonense Aline Zuse da Silva é prova do “bom negócio” que a mudança de automóvel representa. A advogada usa o cicloelétrico há um ano e calcula uma economia de cerca de R$ 200 por mês em combustível. “Mesmo com o consumo da energia para recarregar a bateria da scooter, a economia no fim do mês é significativa. Ainda mais que não tem IPVA para pagar, apenas teremos o gasto com o licenciamento ao emplacar”, pontua ela, que aderiu ao meio de locomoção justamente devido às frequentes altas do preço dos combustíveis e aos impostos.

Manual de Ciclomotores
No início do ano, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran), em conjunto com Governo do Estado e Polícia Militar (PM), divulgou um manual de ciclomotores, elaborado a partir da resolução nº 077/2021 do Conselho Estadual de Trânsito do Paraná (Conetran), que dispõe de regras para a fiscalização de ciclomotores no trânsito paranaense.
“Os veículos elétricos são uma realidade crescente na sociedade e a cada dia vemos mais e mais deles em meio à população, transitando nas calçadas e nas ruas. A regulamentação é necessária para que se possa manter a organização e o funcionamento eficiente e harmonioso do trânsito, tanto de veículos quanto de pedestres. O manual consolida o entendimento do Conselho sobre os veículos elétricos baseado nas legislações sobre o tema”, considera o chefe do Setor de Notificações (Senot) do 19º Batalhão da PM de Toledo, aspirante a oficial Eduardo Correa Peres.
Licenciamento e emplacamento
Apesar de ter sido apontado por munícipes como ordenador da necessidade de emplacamento dos ciclomotores, Peres destaca que o manual apenas consolida o que já está previsto na Resolução 555/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). “A documentação destes veículos é necessária para que haja controle e fiscalização, bem como para que possa ser exigido o respeito às leis de trânsito, além de poder gerar responsabilidades quando houver acidentes e respaldar os usuários desse tipo de veículo, por meio do acesso ao seguro DPVAT (Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre) no caso de acidentes”, frisa.
A fiscalização dos ciclomotores ocorre de forma rotineira, assegura o militar. É averiguado se os veículos estão emplacados e registrados, se o condutor é habilitado e se usa os equipamentos obrigatórios. “O veículo que estiver irregular pode ser apreendido e encaminhado ao pátio do Detran. Para retirá-lo, o proprietário terá que regularizar esse veículo junto ao Departamento de Trânsito e, caso não esteja de acordo com as normas de trânsito, pode incorrer em infrações administrativas, assim como em crimes de trânsito”, informa.

“Vem para somar”
Enquanto alguns usuários questionam a necessidade de emplacamento dos ciclomotores, outros já regularizaram ou providenciam a regularização.
Para Aline, o emplacamento não é um problema, tanto que está providenciando a regularização para os próximos dias. “Só tem a somar, afinal teremos respaldo da resolução, saberemos onde andar e até seremos mais respeitados pelos outros motoristas, pois, até então, sempre estávamos ‘errados’ ao andar na rua, na ciclovia, na calçada. O uso do capacete, obrigatório, também é fundamental para a segurança do condutor”, expõe.

Proteção e acidentes
Peres destaca que, conforme a lei, é obrigatório que condutores de ciclomotores utilizem capacetes de segurança – não qualquer um, mas os capacetes utilizados por motociclistas. “É necessário usar o mesmo capacete da moto e também calçados fechados”, ressalta.
Os equipamentos de segurança ajudam a evitar danos em casos de acidentes ainda que, segundo ele, as ocorrências envolvendo esses veículos sejam de pequena monta. “Ocorrem diversos acidentes, mas como a maioria dos acidentes são de menor gravidade, muitos acabam não registrando, o que gera uma ausência de base de dados para termos mais informações a respeito”, indica.
Procura por ciclomotores é crescente em Marechal Rondon
Na empresa do rondonense Samuel Franciosi são comercializados triciclos, cargos, scootrs e motonetas e, segundo ele, os ciclomotores têm se destacado nos últimos tempos. “A procura tem aumentado e vemos uma alta nas vendas”, destaca.
O empresário afirma que os ciclomotores se sobressaem em outras características aos veículos convencionais. “Tanto em scooters quanto em triciclos é possível se deslocar mais facilmente e carregar um peso legal. O atrativo deles é a economia, porque não gastam combustível e não têm muita manutenção, isto é, gasto com óleo e motor como acontece na manutenção de carros ou motos a combustão”, compara.

Necessidade de emplacamento não interfere nas vendas
Os veículos vendidos na empresa do rondonense são homologados pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e, portanto, podem ser emplacados. “A normativa que pede o emplacamento existe faz tempo e o manual só veio reforçar. Em um primeiro momento pode deixar o pessoal receoso, mas ainda assim não se paga IPVA, somente o licenciamento anual, e compensa. Ou seja, ainda vale a pena pela economia e fácil deslocamento”, afirma.

(Arte: O Presente)
O Presente