
Manifestações públicas, aumento do desemprego, desdobramentos das investigações no âmbito da Polícia Federal, impeachment da presidente da República… Dois mil e dezesseis foi um ano tumultuado. Literalmente, foi crise para todo o lado. Os números ruins da economia alimentaram a crise política que, por sua vez, também alimentou a crise econômica. Faltando um dia para o fim dos 12 meses de 2016, o ano acaba com um balanço não muito positivo para o Brasil e para os brasileiros. Em 2017, ao menos, a expectativa é de um cenário um pouco melhor. Ainda assim, de muitas incógnitas no ar.
De acordo com o economista e professor universitário Jandir Ferrera de Lima, 2016 foi um ano negativo devido ao tombo na economia. A queda no PIB foi bem mais significativa do que se esperava. Outro elemento negativo foi a queda brutal na arrecadação federal e dos Estados, que levou à necessidade de um ajuste fiscal mais aprofundado nos Estados, menciona.
Para o professor universitário Edison Leismann, doutor em Economia Aplicada, 2016 foi um ano atípico. Tivemos pela segunda vez no Brasil um processo de impeachment e essa mudança de presidente significou uma mudança de rumo na política econômica. Há uma expectativa de reduzir o tamanho da despesa pública e adequá-la à receita tributária, mas isso num ano que vem de uma sequência de recessão, e ajustar as receitas públicas em ano de recessão não é uma tarefa fácil; é mais fácil fazer isso no período de crescimento econômico. Contudo, a necessidade se impôs, comenta.
O impacto da mudança política e econômica para Marechal Cândido Rondon e a região Oeste, conforme Leismann, foi positivo, por incrível que pareça. Segundo ele, essas mudanças acabaram promovendo uma elevação da taxa cambial e o dólar mais alto favorece a agricultura e a agropecuária. Marechal, o Oeste e o Paraná como um todo não sofrem com os impactos econômicos na mesma intensidade do que o restante do Brasil por essa característica do agronegócio. Todavia, o nível emprego no país está mais baixo, há um aumento de desemprego em relação à década passada, pontua.
Emprego
Na região Oeste do Paraná, Cascavel e Toledo foram os municípios que mais sentiram a crise no mercado de trabalho, afirma Lima. Marechal ficou com o saldo negativo em 12 meses, mas esse déficit deve ser recuperado com a abertura do frigorífico Radar pela Frimesa e também com investimentos que devem ocorrer num cenário de dois a seis anos no município, prevê. No cenário brasileiro, acrescenta ele, a situação nas Capitais é muito sensível, sendo o setor de serviços o que mais demitiu. A retomada do mercado de trabalho deve melhorar em dois anos, isso num cenário muito otimista, avalia. Em 2017 deve ocorrer a retomada da economia brasileira, principalmente a partir do segundo semestre. Não vai ser suficiente para recompor o mercado de trabalho, mas é uma retomada, amplia.
Aspecto positivo
Se de um lado houve aspectos negativos em função da crise, Lima enaltece que essa mesma crise levou a discussões importantes e positivas para a retomada do crescimento econômico. Por exemplo, a necessidade de ajuste fiscal e limitação dos gastos públicos, o que deve forçar o governo federal a equilibrar o seu orçamento fiscal e também as discussões de reformas que são necessárias para a economia brasileira voltar a crescer, como é o caso da flexibilização das normas trabalhistas e a reforma previdenciária, exemplifica.
Política
No campo político, o economista diz que o Brasil precisa urgentemente de uma reforma política e de uma limitação no número de partidos, além de criar condições para a governabilidade. Sem governabilidade a gestão da própria economia fica debilitada. Então a reforma política e a retomada do crescimento em um momento são agendas convergentes, enaltece.
No âmbito municipal, Leismann destaca que com a mudança do grupo político nesta eleição, 2017 inicia com um novo ciclo em Marechal Cândido Rondon. É o retorno de um grupo antigo, mas renovado, a partir do Marcio Rauber, um prefeito jovem sobre o qual colocam-se grandes esperanças de uma gestão mais profissional, mais aguerrida e mais participativa, enfatiza.
Agronegócio deve se manter estável
Queridinho da economia, o agronegócio foi o setor que apresentou o melhor cenário de 2016. Uma série de fatores beneficiaram esse setor, em especial o câmbio. Porém, houve cenários que demonstraram maior necessidade de planejamento. Uma delas foi a crise do milho, que demonstrou que muitas empresas são frágeis em suas planilhas de custo. Também houve a questão da infraestrutura, que é muito precária no Brasil e tem afetado a competitividade do agronegócio brasileiro e, por fim, teve as condições climáticas, desfavoráveis em alguns momentos, além do endividamento dos proprietários rurais, enumera o economista Jandir de Lima. Segundo ele, atualmente os empresários rurais estão muito endividados. Com financiamentos, eles fizeram benfeitorias em suas propriedades e adquiriram máquinas e equipamentos. Agora passou o período de carência desses financiamentos e eles terão que pagar. As dívidas vão ficar mais pesadas em 2017, frisa.
A desvalorização cambial, se por um lado foi positiva para melhorar a rentabilidade do produtor rural, por outro, afirma Lima, foi negativa porque aumentou os custos das lavouras. Os insumos hoje são todos corrigidos pela variação cambial, e isso tem deixado as margens de retorno do agronegócio mais sensíveis. Mas foi o único setor que apresentou resultados positivos e agora para essa colheita 2016/2017 o cenário continua positivo em termos de produtividade, prevê.
De acordo com Leismann, a expectativa para 2017 é de estabilidade e pequenas melhoras. O agronegócio é bastante dependente da taxa de câmbio, que tem se mantido favorável às exportações. Então, tendo câmbio e clima, sempre haverá boas perspectivas, relata.
Na opinião de Lima, o cenário neste setor continuará positivo no ano que vem, todavia não deve haver grandes investimentos por parte de produtores em máquinas e equipamentos agrícolas, em função do endividamento. Tanto é que estes setores são um dos que estão travados na economia brasileira, observa. Por outro lado, se o clima ajudar, os bons níveis de produtividade serão mantidos, e isso deve ajudar os produtores a fazer caixa, pontua.
Lima menciona que com a variação cambial, as empresas agroindustriais do Oeste paranaense conseguiram um reposicionamento no cenário internacional e ampliaram consideravelmente suas exportações. Referindo-se especificamente a Marechal Rondon, ele diz que a expectativa não é de um cenário negativo para 2017: a tendência é se manter estável ou avançar cada vez mais. Marechal Rondon é um município diferenciado devido ao empreendedorismo dos seus empresários. Tem uma economia altamente dependente do agronegócio, mas também começa a agregar mais conteúdos tecnológicos ao seu setor produtivo a partir das empresas de tecnologia da informação. Então, a longo prazo, tende a ter duas especialidades econômicas: tecnologia da informação e o agronegócio, finaliza.