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Metade das pessoas que a gente conhece faz terapia e a outra metade precisa fazer – por Izabella Duarte Azevedo

calendar_month 15 de setembro de 2023
3 min de leitura

Esse é um papo reto que pode incomodar muita gente.

Tem mais gente com Burnout do que gente desempregada.

A dupla psi (cólogo & quiatra) está nas paradas de sucesso. Um show: consultórios lotados.

A maioria das pessoas – talvez todas – já experimentou traumas ao longo da vida.

E a maioria da maioria segue a vida como se aquilo nunca tivesse acontecido ou com
se aquilo tivesse ficado para trás e, agora, tudo está bem. Só que isso não é verdade. E
o problema é que, quando você experimenta uma dor e não faz terapia, você machuca
as pessoas ao seu redor, porque, no fundo (ou no raso mesmo), você continua ferido.

Quem fere é sempre uma pessoa ferida. Em resumo, quem não faz terapia é a razão de
outra pessoa fazer.

Ah, as agruras da vida terapêutica… justamente os detentores das famosas (e preguiçosas) frases de efeito são justamente os que mais carecem da intervenção de um profissional em suas vidas pra entrarem em contato com seus erros, acertos, medos e anseios mais profundos. Hoje, queremos ser felizes, mas sabemos que a felicidade não é permanente. Dá trabalho, e uma vida equilibrada não se esgota na felicidade.

Decidir fazer terapia é um ato de coragem. Quando você procura um psicólogo para trabalhar as suas dificuldades ou se conhecer está dizendo: “eu quero olhar para mim mesmo(a)”, “quero entender isso”, “quero mudar”. Por isso, quando as pessoas vêm para a sua primeira sessão, elas, na verdade, já iniciaram, por conta própria, um processo de mudança.

Uma pessoa curada em sua autoestima trata o porteiro do prédio e o presidente
da República da mesma forma. Ela não vê diferença. Ela vê pessoas. Mas a maioria de
nós vai bem com pessoas que se encontram em nível social inferior ou igual ao nosso,
mas se inibe diante de pessoas com maior poder, riqueza ou fama do que a nossa.

O fato de termos uma dificuldade não significa que há um problema em nós: muitas vezes o problema pode ser o mundo em que estamos e a nossa relação com ele.

Vivemos em um ambiente que pode ser selvagem, que incita a competição, o ódio, o
consumo, fazendo com que nos sintamos inadequados no processo.

Eu digo, e repito … TERAPIA É UM INVESTIMENTO EM SI MESMO. Parece um papo meio marqueteiro, mas é verdade. Ir para a terapia – para aquele espaço que é totalmente seu, em que você pode se colocar como você é, sem esconder nada, sem medo de julgamento – é reconhecer o seu próprio valor. Significa que você percebe a importância da sua vida, do tempo que você tem, e quer aproveitá-la da melhor maneira possível. O terapeuta é a pessoa que vai estar ao seu lado por uma parte do seu caminho, para lhe ajudar a traçar o percurso que você escolher, superando obstáculos e aproveitando a jornada.

A verdade é que um dia de terapia não vai resolver anos de trauma. Mas anos de terapia curam anos de sofrimento. E ajudam a ressignificar o ocorrido. Além disso, investir em você é uma forma maravilhosa de transformar sua autoestima. Porque você passa a se sentir merecedora de coisas boas que lhe acontecem, capaz, pertencente.

Não é sobre uma vida feliz à “la Instagram”, mas uma vida inteira, com tudo o que de bom e menos bom tem, mas com uma estrutura emocional que nos permita gerir aquilo
que ela nos traz com segurança e saúde mental.

Portanto, ficam dois conselhos: FAÇA TERAPIA e INVISTA EM VOCÊ. Combinado?

Izabella Duarte Azevedo, 33 anos, mora em Bocaiuva, no interior de Minas Gerais. Formada em Direito, analista de licitações e viciada em leitura e Netflix; nas horas vagas ela coloca no papel um pouco do que sente dentro de seu coração tempestuoso.

 
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