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Geral Luta contra o mosquito

Ministério da Saúde quer mobilizar ‘exército’ de 25 milhões de estudantes contra a dengue

Com casos em alta em quase todo o País, Ministério da Saúde conta com a ajuda das escolas, alunos e professores para evitar agravamento da situação atual

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(Foto: Sesa)

Com os casos de dengue ganhando proporções pandêmicas no País, o Ministério da Saúde iniciou, na terça-feira (20), uma espécie de contra-ataque contra a doença. Na guerra contra o Aedes aegypti, vetor da doença, uma campanha pretende mobilizar os estudantes com orientações de combate ao mosquito.

Ao todo, serão 20 semanas de atividades em meio à comunidade escolar. A expectativa é de que 25 milhões de estudantes sejam orientados sobre o combate a arboviroses em mais de 102 mil instituições públicas de ensino.

A proposta é ampliar o combate ao mosquito Aedes aegypti e conscientizar a população sobre o aumento dos casos de dengue no país. A ação faz parte do Programa Saúde na Escola, reestruturado no ano passado.

A situação é considerada grave na maioria dos Estados brasileiros. O Distrito Federal já tem um árduo trabalho para conter as infecções. O Rio de Janeiro acaba de decretar estado de epidemia de dengue.

No Paraná, os casos neste ano epidemiológico estão mais de dez vezes superiores aos números do mesmo período passado. O Estado já conta 16 mortes.

Nesta semana, a Secretária Municipal de Saúde de Curitiba, Beatriz Battistella em audiência de prestação de contas na Câmara Municipal, alertou para o risco da dengue lotar as emergências dos hospitais, em uma situação semelhante à pandemia da Covid-19, quando procedimentos eletivos foram suspensos tamanha a demanda de pacientes com a Covid-19.

Doença preocupa o Brasil há 40 anos

Ao longo dos próximos meses, as escolas vão realizar atividades lúdicas sobre o tema, com gincanas, teatros educativos, oficinas criativas, palestras, murais da prevenção e concursos para engajar crianças, adolescentes e jovens no combate à dengue. O programa vai divulgar ainda guias educativos, podcasts, vídeos e lives com especialistas.

“A dengue preocupa muito. É uma doença que nos afeta há mais de 40 anos. É um problema histórico no Brasil e em toda a América Latina”, avaliou a ministra da Saúde, Nísia Trindade.

“Este ano, temos vários sorotipos da dengue circulando, o que aumenta o número de casos, além do aumento do mosquito com as mudanças climáticas, calor excessivo, mudança nas chuvas e tudo o que estamos vivendo.”

“As causas são conhecidas. O que precisamos fazer é mostrar que somos capazes de enfrentar esse desafio e vencer, com essa grande mobilização nacional”, reforçou Nísia.

Segundo a ministra, a pasta reuniu na segunda-feira mais de 4 mil agentes de endemias e agentes comunitários de saúde para discutir ações emergenciais para combate à doença. “Falo que os agentes são mensageiros da saúde, mas eles são, sobretudo, agentes. Levam a mensagem, mas estão atuando junto conosco.”

Dados do 3º Levantamento Rápido de Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) e do Levantamento de Índice Amostral (LIA) mostram que 75% dos criadouros do mosquito estão nos domicílios, como em vasos e pratos de plantas, garrafas retornáveis, pingadeiras, recipientes de degelo em geladeiras, bebedouros em geral, pequenas fontes ornamentais e materiais em depósitos de construção.

Audiência debate avanço da dengue no Paraná

Uma audiência pública debate escalada da dengue no Paraná nesta quinta-feira. Proposta pela deputada Márcia Huçulak (PSD), a audiência vai reunir representantes da Secretaria de Estado da Saúde e de secretarias de saúde da capital e outras cidades.

A audiência pública “Desafios para o combate à dengue no Paraná” procura identificar estratégias eficazes e sustentáveis para barrar o avanço da doença, e acontece no Plenarinho da Assembleia a partir das 9 horas.

A dengue vem registrando forte escalada em todo o país. Até o dia 17 de fevereiro haviam sido registrados 653.656 casos prováveis no Brasil este ano – 294% a mais do que no mesmo período de 2023, ano em que o país bateu recorde de mortes. Este ano, já ocorreram 113 óbitos; outros 438 ainda sob investigação.

Paraná

O informe semanal da dengue, divulgado na terça-feira (20) pela Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa), registrou 8.414 novos casos, 18.960 notificações e confirmou mais um óbito pela doença neste período epidemiológico, que começou a ser monitorado em 30 de julho. O Paraná soma agora 45.930 casos confirmados e 16 mortes.

O mosquito Aedes aegypti também é responsável pela transmissão, além da dengue, de zika e chikungunya. Durante este período não houve confirmação de casos de zika. Em relação à chikungunya, o documento confirma 567 notificações, 63 casos confirmados e nenhum óbito desde o início do período sazonal.

Preocupação: segunda infecção pode ser ainda mais grave

Contrair dengue uma vez não significa que você vai ficar livre da doença depois. “Uma segunda, uma terceira ou mesmo uma quarta dengue têm o potencial de serem mais graves que as anteriores”, alerta a infectologista Marion Burger, da secretaria Municipal da Saúde (SMS) de Curitiba.

Em uma nova dengue, o sistema imunológico pode entender inicialmente que é uma infecção igual à anterior, mas, na verdade, ela é provocada por um sorotipo diferente do vírus (existem quatro tipos). O organismo produz anticorpos contra o invasor, mas a resposta imune, ineficiente, não neutraliza o novo vírus.

A cada reinfecção, o paciente poderá desenvolver uma doença mais grave, com a possibilidade de complicações que necessitam uma hidratação ainda maior – em alguns casos, levando à necessidade de internamento.

Segundo Marion, a imunidade para a dengue é relativa. “Só protege para o vírus da dengue que causou esta infecção”, explica a infectologista. E é aí que está o problema: no Paraná, atualmente, circulam três tipos de vírus: dengue 1, dengue 2 e dengue 3.

Bem Paraná com Agência Brasil

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