Não é difícil encontrar alguém que deseja mudar algum aspecto da alimentação, seja comer mais frutas e legumes, parar de tomar refrigerantes, diminuir a ingestão de doces, entre outros. Outra mudança que está aumentando em todo o mundo é a retirada da carne do cardápio.

O Instituto Ipsos constatou que 28% das pessoas têm procurado comer menos carne, em pesquisa realizada em 2015. No entanto, como fazer isso de maneira que a saúde não seja afetada? Essa é uma das principais dúvidas de quem quer diminuir o consumo deste tipo de alimento, mas não sabe como.
Segundo a nutricionista Sofia Sesti, quem optar por essa mudança na alimentação deve fazer isso de maneira gradual. Hábitos antigos serão mudados, portanto, para que o corpo não sinta falta desses alimentos o que pode resultar em fraqueza, anemia, queda de cabelo, etc, o ideal é que mudança seja gradativa, explica.
A profissional sugere retirar apenas um tipo de carne por vez e que mesmo essa retirada seja sútil. Se o objetivo for retirar apenas a carne vermelha, comece deixando de comer em dois dias da semana, ou então, não coma durante a semana e somente no sábado e domingo e, assim, vá aumentando os dias sem consumo da carne vermelha, acrescenta. Somente depois desta primeira etapa concluída é que a retirada de outro tipo de carne deve ser feita.
A informação também é fundamental para qualquer alteração do cardápio, já que os alimentos que forem retirados precisam ser substituídos. De acordo com Sofia, quem for adepto do vegetarianismo, que é a retirada da carne da alimentação, deve incluir o consumo de feijões e leguminosas, vegetais de folhas verde-escuras e leites vegetais. Além disso, vegetarianos podem sofrer com a deficiência de vitamina B12, encontrada em grande quantidade nas carnes. Essa vitamina é encontrada também nos ovos e queijos e, quem desejar, pode fazer uso de suplementos à base de vitamina B12, porém, o ideal é que exames sejam realizados para que a suplementação seja adequada, detalha.
Novos sabores
Abrir o paladar para novos sabores também é fundamental, já que a consistência e sabores dos alimentos que serão inseridos no cardápio são diferentes das opções de origem animal, como a carne de soja, tofu, leguminosas, entre outros. Por isso é que o preconceito com determinados alimentos não deve existir nesses casos, para que a alimentação não fique limitada, diz Sofia, que destaca ainda que o processo de mudança de regime alimentar exige abandonar velhos hábitos e construir novos e que essa construção requer disciplina e esforço, além de que o acompanhamento de um profissional diminui riscos, aumenta a qualidade de vida e a adaptação da nova dieta.
Animais e Meio ambiente
Além da saúde, outro aspecto que pode ser decisivo para algumas pessoas está relacionado aos animais e ao meio ambiente. Segundo dados do EscolhaVeg, todos os anos 70 bilhões de animais são mortos com fins de produção alimentícia no mundo, além do relato de crueldade em que muitos desses animais vivem até o abate. Já um planeta sem consumo de carne animal reduziria o impacto das mudanças climáticas, do desmatamento das florestas e da poluição, pois 50% dos grãos produzidos são destinados à ração animal e 80% do desmatamento da Amazônia foi causado pela atividade pecuária.
A preocupação com os animais foi o que motivou a toledana Rafaela Schade, de 26 anos, a não consumir mais carne, dieta que adotou há três anos. Foi depois de ler um livro sobre a crueldade que animais para este fim sofrem. Para ter uma ideia, nem consegui terminar de ler o livro, conta.
A mudança dela não foi gradativa. Parou drasticamente e por conta disso compartilha que foi difícil a nova adaptação. No entanto, hoje essa alimentação para mim é tranquila e os empecilhos que encontro são relacionados à aceitação da família, que consome carne e de lugares que não oferecem opções vegetarianas, informa.
Segunda Sem Carne
Para quem está começando a adentrar no mundo vegetariano, existem campanhas na internet que podem auxiliar, como é o caso da segunda sem carne. Ela se propõe a conscientizar as pessoas sobre os impactos que o uso de produtos de origem animal para alimentação tem sobre os animais, a sociedade, a saúde humana e o planeta, convidando as pessoas a tirá-los do prato pelo menos uma vez por semana e a descobrir novos sabores. Está presente em 35 países e no Brasil existe desde 2009, lançada em parceria com a Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB). No site www.segundasemcarne.com.br há receitas, dicas e informações gerais que servem como apoio aos adeptos da campanha.
Facilite!
Para auxiliar a nova dieta, existem opções que podem substituir as fórmulas originais. Em casas de produtos naturais, veganos e lojas on-line, se encontram facilmente: hambúrgueres vegetarianos, salsicha, carne e mortadela vegetais. Quem gosta de cozinhar também pode fazer as versões substitutivas em casa, com receitas que circulam na internet: hambúrguer de ervilha, feijoada vegana, estrogonofe de palmito, etc.
Em Marechal Rondon
Para os vegetarianos de Marechal Rondon, vários itens livres de carne animal e outras opções para uma alimentação mais equilibrada são encontrados em casas de produtos naturais. Além da busca por produtos sem carne, várias pessoas também procuram alimentos funcionais, que possuem um valor nutritivo maior, com vitaminas e minerais, explica Sandra Klein, sócia-proprietária da Pró-Saúde.
Ela também atenta para o fato de que o corpo humano necessita de uma quantia relativamente pequena de proteínas diariamente, cerca de 30 gramas. Três colheres de sopa de gergelim por dia equivalem a um bife de origem animal. Além disso, o gergelim tem outros minerais e proporciona uma digestão mais rápida, complementa.
Já para a suplementação da vitamina B12, existem cápsulas de Spirulina, uma alga marinha e único alimento de origem vegetal que possui essa substância. Na casa de produtos naturais são encontrados diversos produtos prontos, como a salsicha vegetal, nove tipos diferentes de carne de soja e a linha de congelados: x-salada vegetariano com hambúrguer de proteína de soja, pastéis assados de massa integral com ricota, mini pizza de palmito, entre outros. Algumas pessoas que param de ingerir carne relatam sentir uma sensação de fraqueza, porém, o que ocorre é que quando ingerimos carne ela estimula o sistema nervoso e gera uma falsa sensação de força, mas é somente estímulo. De maneira geral, a alimentação vegetariana precisa ser variada, colorida e integral. Assim, não haverá carência de nada que o organismo necessite, finaliza Sandra.
Dica de Receita
Estrogonofe de palmito
Ingredientes:
1 vidro de palmitos pupunha (270g), cortado
1 cenoura grande cortada em cubos
1/2 vidro de champignon fatiado (100g)
1 xícara de molho de tomate
2 colheres chá de mostarda tipo Dijon
1/3 de uma cebola picadinha
1/2 xícara de aveia em flocos
1 xícara de água filtrada
1 colher de sopa de alho picadinho
Sal, salsinha, cebolinha e pimenta do reino a gosto
Batata palha assada:
1 batata doce
Azeite, sal e alecrim a gosto
Preparo:
Estrogonofe: deixe de molho, por cerca de 30 minutos, a aveia e a água. Bata no liquidificador e coe. Esse creme de aveia fará o papel do creme de leite da receita original. Cozinhe a cenoura até ficarem bem macias (cerca de dez minutos). Refogue o alho e a cebola em um fio de azeite até ficarem dourados. Acrescente o palmito, a cenoura, o champignon, sal e os temperos. Adicione o molho de tomate, a mostarda, o creme de aveia e misture bem. Corrija o tempero e, se necessário, cozinhe mais alguns minutos para evaporar mais a água. Sirva quente com arroz integral e a batata palha. Batata palha: com um ralador rale a batata doce em tirinhas. Unte uma assadeira com azeite e distribua a batata doce de forma que fique menos sobreposta possível. Regue com um fio de azeite e coloque folhas de alecrim e sal a gosto. Leve ao forno baixo preaquecido. Depois de dez minutos chacoalhe a assadeira ou mexa as batatas com a ajuda de uma espátula. Deixe mais cinco minutos, checando periodicamente para que não queime.
*Receita do site veggo.com