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“Não vejo como uma derrota para o Executivo”, avalia presidente eleito da Câmara

calendar_month 21 de dezembro de 2018
7 min de leitura

 

Vereador de primeiro mandato, Claudio Köhler (Claudinho) (PP) foi eleito na última sexta-feira (14) à presidência da Câmara Municipal de Marechal Cândido Rondon para o biênio 2019/2020. Ele assume o cargo no dia 1º de janeiro, ao lado da nova mesa diretiva, que terá como vice-presidente Cleiton Freitag (Gordinho do Suco) (DEM), 1º secretário Adelar Neumann (DEM), 2º secretário Adriano Backes (DEM) e Josoé Pedralli (MDB) como membro suplente.

Claudinho recebeu oito dos 13 votos da Câmara. Cinco votos foram destinados ao vereador Valdir Port (Portinho) (PTB).

Em visita ao Jornal O Presente, o presidente eleito falou sobre o resultado da eleição da mesa diretiva e das comissões permanentes, que contarão apenas com parlamentares da nova aliança que se formou no Legislativo, disse que pretende conversar com o prefeito Marcio Rauber (DEM) e manter um canal de diálogo com todos os edis. Confira.

 

O Presente (OP): O senhor enxerga o resultado da eleição da Câmara de Vereadores como uma derrota para o grupo de situação?

Claudio Köhler (CK): Não. Não vejo como derrota para a situação, e sim uma vitória da sociedade de Marechal Cândido Rondon. Esta composição da mesa diretiva e das comissões permanentes conta com quatro partidos, inclusive do prefeito, que é o DEM, que está representado por três vereadores (Adelar Neumann, Adriano Backes e Cleiton Freitag, o Gordinho do Suco). Contamos ainda com o Adriano Cottica pelo PP, o Ronaldo Pohl pelo PSD e o Arion Nasihgil e o Josoé Pedralli pelo MDB. Ficou uma composição interessante e não vejo como uma derrota para o Executivo, e sim uma vitória para a sociedade.

 

 

OP: Quando o senhor se aproximou do governo municipal após a eleição de 2016, e da mesma forma houve uma aproximação do deputado estadual José Carlos Schiavinato (PP) com a prefeitura, houve rumores de que com isso o PP poderia eventualmente vir a se coligar com o DEM em 2020. A eleição da Câmara enterra agora essa possibilidade ou foram apenas boatos?

CK: Primeiramente, essa minha aproximação dois anos atrás, mesmo tendo sido eleito pelo PP, que era oposição ao governo, se deu em relação aos meus eleitores. Muitos amigos em comum eram ligados a pessoas do grupo de situação. Dialogamos bastante e eu não olho muito para sigla partidária, e sim pela pessoa que cada um é. Essa questão da possibilidade de ter uma aliança entre o PP e o DEM são só boatos. Nunca houve nenhuma conversa. O Schiavinato é um deputado que admiro muito e ele é indiferente se o prefeito é ou não da sua base ou do seu partido. Ele quer contribuir e ajudar o município. E uma prova disso foi que três dias depois da eleição como deputado federal o Schiavinato esteve em Marechal Rondon, foi na Câmara e no paço municipal conversar com o prefeito. O deputado se colocou à disposição para o que o Marcio vier a precisar nesses dois anos que ele ainda tem como prefeito para trabalhar em prol de projetos que beneficiem a todos.

 

 

OP: O senhor pretende procurar o prefeito para conversar?

CK: Com certeza. Não tem como ficar sem esse diálogo. Mas esse diálogo geralmente não será apenas comigo, mas sim principalmente com a mesa diretiva eleita. Não queremos atrapalhar em nada, mas contribuir e ter um bom diálogo e boa harmonia entre o Legislativo e o Executivo.

 

 

OP: Como o senhor espera que deve ser a relação com o Poder Executivo?

CK: Espero que seja amigável, transparente acima de tudo e, como dito pelos demais vereadores, a Câmara precisa ter um pouco mais de independência. E também agora com essa composição é uma forma melhor de fiscalizar tanto as ações do Legislativo, mas, principalmente, as ações do Executivo. A Câmara é para isso e os vereadores são eleitos para fiscalizar, primeiramente, o Poder Executivo e legislar por meio de projetos de lei do próprio Legislativo e também com uma análise mais profunda os projetos que vêm da prefeitura.

 

 

OP: Todas as comissões permanentes ficaram compostas por essa nova aliança que se formou na Câmara. Existe o risco de algum projeto ser engavetado? Pode haver mudanças nas tramitações dos projetos?

CK: Não é nosso objetivo travar nenhum projeto, tanto que nos últimos dias que tivemos conversas diárias para compor a mesa diretiva e as próprias comissões em momento algum se falou em querer atrapalhar o governo. É um grupo que pensa diferente, que vem aí para mostrar a sua força e que está disposto a trabalhar em prol do município.

 

 

OP: O senhor considera os cinco votos que foram para o vereador Valdir Port (Portinho) à presidência como de oposição na Câmara?

CK: Não vejo desta forma, até porque entre os pretendentes para ser presidente havia o vereador Nilson Hachmann (PSC), o Portinho e a mim, e cada um usou de alguma estratégia para tentar conseguir o apoio. Querendo ou não, eu tive o êxito em conseguir esses oito votos. Eu acho que a amizade acima de tudo e a cordialidade entre os demais têm que existir, indiferente se não votaram em mim.

 

 

OP: Por ter oito votos declarados, em algum momento o senhor achou que poderia conquistar o apoio de forma integral dos outros vereadores?

CK: Não. Isso estava bem claro, até por conhecer o Portinho e o Nilson. Não via essa possibilidade de ter esses votos.

 

 

OP: Dos cinco vereadores, um está no primeiro mandato e os outros quatro são experientes no Legislativo. O senhor acha que terá uma gestão tranquila ou haverá muitos embates, considerando que nesse período ainda teremos uma eleição municipal?

CK: Difícil responder isso. Acho que somente o tempo vai nos mostrar de que forma vamos conseguir dialogar com eles.

 

 

OP: Essa aliança dos oito vereadores que se formou é situação, oposição ou independente ao governo municipal?

CK: É uma aliança forte. A cada dia ela vai se solidificar ainda mais. Mas como disse, não vejo como situação, oposição ou centro, até porque é composta por vereadores de quatro siglas partidárias (PP, DEM, MDB e PSD), sendo uma de situação, outras na oposição e há um vereador de centro.

 

 

OP: Nas conversas para formar essa aliança se falou na eleição de 2020? Como, por exemplo, de algum vereador mudar de partido e fortalecer siglas específicas visando criar um novo grupo político no município?

CK: Não. Em momento algum foi colocado isso em pauta ou dialogado sobre este assunto. Nos unimos e nos aliamos pensando realmente na presidência da Câmara, bem como nas composições da mesa diretiva e das comissões. Apesar de que houve boatos de que estaria havendo isso (conversas para formar um novo grupo), em momento algum aconteceu.

 

 

OP: O que o senhor pretende implementar de mudanças na Câmara durante sua gestão?

CK: A princípio mudar a sistemática dentre os vereadores com o presidente. Ser equilibrado, dialogar muito com todos eles, não tomar nenhuma decisão precipitada. Em harmonia e conversa, não apenas com os oito vereadores, mas com os 13, queremos construir algo diferente para Marechal Rondon.

 

 

OP: O senhor pensa em dar continuidade ao projeto para mudar o Poder Legislativo para o espaço do antigo Fórum?

CK: Com certeza. Recentemente, eu e outros quatro vereadores fomos a Curitiba e essa missão oficial trouxe diversas conquistas. Uma delas envolve uma tratativa que tivemos com o Dilceu Sperafico, que é chefe da Casa Civil no governo estadual, da possibilidade de prorrogar o prazo de cessão de uso do espaço do antigo Fórum. Infelizmente essa cessão de uso é de apenas cinco anos, sendo que já se passaram dois. Os investimentos que precisam ser realizados no Fórum para a Câmara mudar de local não são poucos. Então não tem como justificar um investimento alto sendo que o prazo se esgota em três anos. O primeiro passo é que precisamos oficializar isso, inclusive o Sperafico se colocou à disposição para, se possível, nos deslocarmos ainda este ano para Curitiba que ele faz o intermédio com o Tribunal de Justiça para prorrogar o prazo. Desta forma se justificaria o investimento, que, como disse, é elevado. O espaço que a Câmara tem hoje é precário e grande parte dos vereadores não tem gabinete para atender as demandas dos munícipes e fazer reunião. 

 

 

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