A projeção mensal mais recente para o Pacífico e divulgada hoje pela NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), com base na análise do Climate Prediction Center (CPC), indica altíssima probabilidade de instalação do fenômeno El Niño a partir da metade deste ano.
A atualização da NOAA de março, publicada nesta quinta-feira (12), aponta para uma probabilidade altíssima de formação de um episódio de El Niño com as chances aumentando gradualmente nos próximos meses, tornando-se o cenário dominante na segunda metade de 2026.
De acordo com as projeções atualizadas da NOAA, neutralidade continua sendo o cenário predominante durante o outono do Hemisfério Sul. No trimestre março-abril-maio (MAM), a probabilidade de neutralidade sobe para aproximadamente 93%.
A partir do trimestre abril-maio-junho (AMJ), entretanto, os dados começam a mostrar mudança gradual. Embora a neutralidade ainda seja dominante, já aparece uma probabilidade em torno de 15% de desenvolvimento de El Niño.
Essa tendência se intensifica no trimestre maio-junho-julho (MJJ), quando o fenômeno quente já aparece com cerca de 45% de chance, aproximando-se da probabilidade de neutralidade.
O ponto de virada ocorre entre junho e agosto. No trimestre junho-julho-agosto (JJA), a chance de El Niño já sobe para cerca de 62%, superando claramente a neutralidade, que cai para aproximadamente 38%, de acordo com a projeção da NOAA.
A partir daí, o cenário de aquecimento do Pacífico se consolida. No trimestre julho-agosto-setembro (JAS), a probabilidade de El Niño chega a cerca de 72%. O índice sobe ainda mais nos meses seguintes: aproximadamente 80% em agosto-setembro-outubro (ASO), cerca de 82% em setembro-outubro-novembro (SON) e aproximadamente 83% em outubro-novembro-dezembro (OND).

Na prática, a projeção indica que o Pacífico equatorial deve permanecer neutro durante boa parte do primeiro semestre, mas com tendência crescente de aquecimento com um episódio de El Niño durante o segundo semestre.
A MetSul Meteorologia entende que o El Niño pode se configurar antes do indicado pela NOAA, ainda em maio ou junho, assim como se viu em 2023, quando a agência de clima dos Estados Unidos declarou o começo do episódio de El Niño ainda no mês de junho.
Qual a situação atual?
De acordo com o último boletim semanal da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), dos Estados Unidos, a anomalia de temperatura da superfície do mar era de -0,1ºC na denominada região Niño 3.4, no Pacífico Equatorial Central, que é usada oficialmente para definir se há um El Niño na forma clássica e de impacto global. O valor é quase de neutralidade absoluta.
Por outro lado, a região Niño 1+2, perto das costas do Equador e do Peru, estava com anomalia de +0,9ºC, marcando o começo de um episódio de El Niño Costeiro que vai seguir ao longo dos próximos meses nos litorais do Peru e do Equador.
Portanto, este mês de março vai transcorrer sob condições de neutralidade no Oceano Pacífico Equatorial, que não deve ser vista como normalidade no clima, uma vez que sinal neutro no Pacífico não impede a ocorrência de extremos. Outros indicadores, estes atmosféricos, ainda indicam a atmosfera respondendo às condições de La Niña dos últimos meses.
O que é El Niño?
Um evento de El Niño ocorre quando as águas da superfície do Pacífico Equatorial se tornam mais quente do que a média e os ventos de Leste sopram mais fracos do que o normal na região. A condição oposta é chamada de La Niña. Durante esta fase, a água está mais fria que o normal e os ventos de Leste são mais fortes. Os episódios de El Niño, normalmente, ocorrem de cada três a cinco anos.

El Niño, La Niña e neutralidade trazem consequências para pessoas e ecossistemas em todo o mundo. As interações entre o oceano e a atmosfera alteram o clima em todo o planeta e podem resultar em tempestades severas ou clima ameno, seca ou inundações. Tais alterações no clima podem produzir resultados secundários que influenciam a oferta e os preços de alimentos, incêndios florestais e ainda criam consequências econômicas e políticas adicionais. Fomes e conflitos políticos podem resultar dessas condições ambientais mais extremas.
Ecossistemas e comunidades humanas podem ser afetados positiva ou negativamente. No Sul do Brasil, La Niña aumenta o risco de estiagem enquanto El Niño agrava a ameaça de chuva excessiva com enchentes. Historicamente, as melhores safras agrícolas no Sul do país se dão com El Niño, embora nem sempre, e as perdas de produtividade tendem a ser maiores sob La Niña. O El Niño agrava o risco de seca no Nordeste do Brasil enquanto La Niña traz mais chuva para a região.
A origem do nome data de 1800, quando pescadores na costa do Pacífico da América do Sul notavam que uma corrente oceânica quente aparecia a cada poucos anos. A captura de peixes caía drasticamente na região, afetando negativamente o abastecimento de alimentos e a subsistência das comunidades costeiras do Peru. A água mais quente no litoral coincidia com a época do Natal.
Referindo-se ao nascimento de Cristo, os pescadores peruanos, então, chamaram as águas quentes do oceano de El Niño, que significa “o menino” em espanhol. A pesca nesta região é melhor durante os anos de La Niña, quando a ressurgência da água fria do oceano traz nutrientes ricos vindos do oceano profundo, resultando em um aumento no número de peixes capturados.
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