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O agronegócio e as suas externalidades – por Urbano Mertz

calendar_month 30 de outubro de 2020
3 min de leitura

A produção agropecuária, o transporte, a transformação de produtos e, principalmente, o abate e processamento de animais requerem muitos recursos naturais, principalmente água, cujo custo somente é a sua extração, canalização e tratamento. A produção também tem impactos sobre o solo, com a erosão e a perda de fertilidade, e sobre a atmosfera, com a emissão de gases de efeito estufa. Todos estes impactos irão exigir gastos futuros para a sua solução, que serão pagos por pessoas que não usufruíram dos benefícios do uso e exploração destes recursos.

Podemos dizer que o sistema econômico se apropria de bens da natureza sem pagar nada por eles. Uma planilha de custos da cadeia produtiva do frango, desde a produção dos ovos até chegar ao porto para exportação, não embute os custos da água retirada gratuitamente do subsolo. Também não entram os custos com a poluição da atmosfera, pela emissão de gases, e nem com a perda e contaminação dos solos, que produziram o alimento do frango.

Na economia ambiental estes custos são chamados de externalidades, quer dizer, não são internalizados aos custos de produção atuais. Mas as próximas gerações pagarão um alto preço pelo tratamento e distribuição de água, pela recuperação da fertilidade dos solos e pela despoluição da atmosfera. Por isso, dizemos que estes recursos devem ser utilizados de forma sustentável, isto é, que as próximas gerações possam usá-los nas mesmas condições, ou até em condições melhores do que as atuais.

As cooperativas que atuam na mesorregião Oeste do Paraná abatem diariamente mais de 2.100.000 frangos. Considerando uma eficiência bastante boa no uso da água nos frigoríficos, pode-se calcular que o consumo diário de água está próximo a 40.000 metros cúbicos, o que representa quase três vezes mais do que consumo diário de uma cidade como Marechal Cândido Rondon.

Com um faturamento de mais de R$ 43 bilhões e resultados líquidos acima de R$ 1,7 bilhão no ano de 2019, as oito grandes cooperativas que atuam na mesorregião têm potencial para desenvolver importantes projetos de sustentabilidade ambiental, buscando o equilíbrio com o social e o econômico. Obviamente, projetos ambientais têm custo alto e não têm retorno imediato, o que nem sempre é atrativo no mundo dos negócios.

No entanto, o compromisso com a preservação das águas e dos solos, com a redução dos gases de efeito estufa e com a preservação das matas e da biodiversidade são compromissos humanitários, e que dizem respeito ao direito das futuras gerações. E, muito mais, dizem respeito à cooperação e à solidariedade, que estão na base do cooperativismo.

Ações ambientais orientadas por programas de longo prazo no âmbito de uma cooperativa também podem ser um fator motivador para a sucessão familiar, tendo em vista que as novas gerações são mais sensíveis a estes temas. Além disso, a elaboração de um Relatório Anual de Sustentabilidade por uma cooperativa também abre portas aos seus produtos no mercado externo.

 

Urbano Mertz é engenheiro agrônomo do IDR-Paraná e presidente do Conselho de Desenvolvimento Agropecuário de Marechal Cândido Rondon

urbano@idr.pr.gov.br

 
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