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O aprendizado do cooperativismo no Ensino Superior – por Dilceu Sperafico

calendar_month 24 de abril de 2020
3 min de leitura

Como detentor das maiores cooperativas agropecuárias do país, o Paraná precisa também investir na preparação de profissionais para a administração, modernização e expansão destas entidades, a exemplo do que já faz com a formação de modernos produtores rurais, através de cursos de Agronomia, Medicina Veterinária, Biologia, Engenharia Ambiental, Engenharia de Produção e de diversas áreas da tecnologia.

Exemplo disso é o que acontece em Minas Gerais, com o Curso de Administração de Cooperativas, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), cuja formação de acadêmicos já não consegue atender a demanda por profissionais com graduação em cooperativismo no Estado.

Conforme coordenadores do curso da UFV, a procura por especialistas em cooperativismo já é maior do que a universidade consegue formar e prova disso é que dos 15 alunos que se formaram no primeiro semestre de 2019, todos estavam trabalhando em cooperativas mineiras nos meses seguintes e a instituição seguidamente recebe pedidos de currículos para o preenchimento de novas vagas abertas no setor.

O curso de Administração de Cooperativas da UFV é o mais antigo do Brasil, pois foi criado nos anos de 1970, em colaboração com o já extinto Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), tendo a missão de capacitar a mão de obra para as cooperativas criadas na região, inclusive em assentamentos rurais.

O curso iniciou com ensino de nível técnico até ser elevado à formação de bacharelado em 1991, com habilitação em Administração de Cooperativas. Desde então, houve muitas mudanças no currículo e na própria denominação do curso, mas foi mantida, ampliada e modernizada a missão de formar profissionais conhecedores dos valores do sistema cooperativista, rural ou urbano.

O curso superior de cooperativismo da UFV tem duração de quatro anos e meio, com disciplinas como Administração, Direito, Sociologia, Contabilidade e várias cadeiras que abrangem as teorias e práticas cooperativistas, inclusive no aspecto humano da solidariedade e desenvolvimento coletivo.

Se Minas Gerais foi o berço do primeiro curso superior em cooperativismo, o Rio Grande do Sul foi o primeiro Estado a ter uma instituição de Ensino Superior voltada exclusivamente ao movimento cooperativista.

Foi a Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), fundada em 2011 e que já formou mais de 100 tecnólogos em Gestão de Cooperativas. A criação da instituição foi iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Rio Grande Do Sul (Sescoop/RS), coordenado pela Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Ocergs).

Com isso, boa parte dos alunos já têm vínculos com cooperativas, seja como dirigentes, conselheiros, associados e colaboradores de entidades, com faixa etária média de 30 a 40 anos e a Escoop também oferece cursos de pós-graduação, especializações e MBA.

Com os mesmos objetivos, também foram criados o Instituto Cooperativista (Icoop), em Cuiabá, no Mato Grosso, e a Faculdade das Cooperativas Médicas (Unimed), em Belo Horizonte, Minas Gerais, ambas também baseadas nos valores da cooperação, com cursos de Gestão de Cooperativas, programas de pós-graduação e outras capacitações de curta duração, além de, no caso da Unimed, também oferecer especializações no ramo da saúde, como Administração Hospitalar.

O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado

dilceu.joao@uol.com.br

 
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