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O aumento do consumo de água no país até 2030 – por Dilceu Sperafico

Foto: Divulgação

A busca de parcerias com outros países para a melhor utilização de técnicas de dessalinização de água do mar para aproveitamento doméstico, especialmente no Nordeste, apesar da abundância dos recursos hídricos do país, não deveria ser interpretada como novidade ou alguma iniciativa revolucionária.

Na verdade, especialistas, autoridades, lideranças e produtores rurais manifestam há tempos suas preocupações com a preservação dos mananciais e da qualidade da água pela sua importância para o bem-estar da população e a viabilidade de atividades produtivas, como o agronegócio, que dependem do equilíbrio ambiental.

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Como ao contrário da geração de energia elétrica, o abastecimento de água potável não tem muitas fontes alternativas renováveis, é necessário e urgente adotar medidas consideradas viáveis em outros países, especialmente os localizados em áreas áridas e sem chuvas regulares.

Conforme estudo denominado Conjuntura dos Recursos Hídricos – 2018, elaborado pela Agência Nacional de Águas (ANA), já na próxima década o aumento do consumo de água tratada no Brasil será um dos fatores que deverão ampliar efeitos negativos de estiagens prolongadas e a precária infraestrutura nacional de distribuição.

De acordo com o levantamento, até 2030 o uso da água terá crescimento de 24% sobre o volume atual, como resultado do processo de urbanização, aumento da população, expansão da indústria, do agronegócio e demais segmentos econômicos.

Segundo dados da ANA, a retirada total de água de diferentes fontes no país, para diferentes formas de consumo ou utilização, foi de 2.083 metros cúbicos por segundo, ao longo do ano de 2017.

O principal destino dessa água foi o agronegócio, pois a irrigação de plantas, especialmente hortifrutigranjeiros, respondeu por 52% do consumo total, mas nesse caso ela foi devolvida pura ao solo, além de outros 8% utilizados na criação de animais.

O abastecimento humano nas cidades representou 23,8% do consumo, seguido pela indústria com 9,1%; usinas termoelétricas, com 3,8%; abastecimento de comunidades rurais, com 1,7%; e mineração, com 1,6%.

As regiões hidrográficas que apresentam a maior retirada são as da bacia do Rio Paraná, com 496 metros cúbicos por segundo, seguida da bacia do Atlântico Sul, com 305 metros e da bacia do São Francisco, com 282 metros cúbicos por segundo. Juntas, essas regiões são responsáveis pela produção de 52% do total da água consumida no Brasil.

Dirigentes da ANA destacam que a projeção de crescimento do consumo é preocupante, apesar do país haver registrado avanço de 80% na demanda nos últimos 20 anos. Isso porque a perspectiva de crescimento é elevada e indica sinal de alerta, para a necessidade de gestão compatível dos recursos hídricos.

O cenário, conforme a instituição, não está fora do controle, porque a oferta de água é confortável no país, embora haja muito a ser feito, pois mais da metade da água retirada dos mananciais, não chega ao consumidor, por problemas de infraestrutura.

Além disso, a irrigação deverá ser ampliada com a modernização da agricultura, mas os produtores rurais estão buscando novas tecnologias para o consumo mais eficiente da água, o que indica que em 2019 deverá haver situação mais amena quanto à disponibilidade de recursos hídricos, pois no ano de 2018 já houve sinais de melhora, com novas ações e investimentos na melhoria da infraestrutura.

O autor é deputado federal pelo Paraná
dilceusperafico@camara.leg.br

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