Com investimentos de empresas públicas e privadas de todo o país e até do exterior, a produção de energia eólica prossegue batendo recordes no Nordeste e destacando o potencial de recursos naturais do território nacional.
Se não conta com os muitos rios de outras regiões, que movimentam grandes hidrelétricas, o Nordeste dispõe de ventos e sol intensos o ano inteiro, além das marés do litoral, para a geração de energia limpa, renovável e barata, até por não exigir grandes investimentos em redes de distribuição.
Além disso, conforme especialistas, o aumento da produção de energia eólica no Nordeste é resultado da implantação de muitos novos parques, todos dotados de aerogeradores mais modernos e potentes, viabilizando investimentos em outros setores produtivos, com a geração de empregos, renda, arrecadação e oportunidades de novos negócios.
Felizmente para a região, o país e a população, investidores perceberam e avaliaram corretamente o potencial das condições favoráveis do vento no Nordeste, batendo recordes na atividade.
Tanto que cerca de 90% da energia elétrica consumida na região já são gerados por essa fonte renovável, pois, segundo especialistas, os ventos nunca foram tão favoráveis no Nordeste para a movimentação de geradores eólicos.
Graças a esses fatores positivos, com o crescimento do setor eólico nos últimos anos, a modalidade já representa 9% de toda a capacidade de geração de energia elétrica do país.
Essa expansão compensa fenômenos naturais e previsíveis, como a redução das chuvas na região no segundo semestre, o que se reflete na queda dos níveis dos reservatórios e da produção de energia hidrelétrica.
Comprovando o potencial dos recursos naturais do país, é justamente neste período que os ventos se tornam mais intensos, compensando os consumidores com o aumento da produção de energia eólica.
Não por acaso, portanto, há o aumento na implantação de parques eólicos na região, pois em apenas um ano, 81 unidades foram inauguradas no Nordeste.
Na medida em que gera mais energia eólica, a região divide os benefícios desse avanço com outras áreas do país, especialmente o Sudeste, onde o consumo de eletricidade é maior, devido à concentração da população e atividades produtivas.
Essa combinação de fatores positivos tem grande importância para o desenvolvimento de todo o país, começando pela expansão da economia do Nordeste e outras regiões, pois com a diversificação do sistema elétrico nacional, o operador ou consumidor poderá escolher a energia mais barata, sem custo de combustível na geração e da construção de extensas redes de distribuição.
Além disso, há a questão estratégica do incentivo à expansão da geração de eletricidade limpa e renovável, que oferece, além da alternativa eólica, que depende de ventos regulares e intensos, a possibilidade da energia solar, em grande parte de todo o território nacional.
No Oeste do Paraná, por exemplo, segundo estudos já realizados ou em andamento, além dos recursos hídricos que permitiram a implantação da mais produtiva hidrelétrica do mundo, como é o caso da Usina de Itaipu, existem áreas favoráveis para a geração de energia eólica, como são regiões mais elevadas e planas, além da solar, em praticamente todos os municípios, incluindo residências urbanas e propriedades rurais, oferecendo muitas possibilidades a todos os investidores e consumidores.
Dilceu Sperafico é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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