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O “custo Brasil” e o comprometimento do setor industrial – por Dilceu Sperafico

Entre os dilemas enfrentados pelos segmentos produtivos e a população consumidora de bens e serviços do Brasil está o custo final de produtos elaborados no território nacional, penalizando todas as partes envolvidas na cadeia produtiva.

De acordo com estudo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), divulgado em julho último, um produto feito no Brasil era 30% mais caro do que seu simular produzido nos Estados Unidos ou na Alemanha.

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A indústria nacional compete com muitas empresas estrangeiras similares, muitas das quais com unidades subsidiárias instaladas no Brasil, o que indica a existência de fatores responsáveis por essa enorme diferença nos custos de produção de bens de consumo.

Afinal, como se sabe, as matérias-primas são mais escassas e caras nos países concorrentes, o mesmo ocorrendo com serviços fundamentais à atividade industrial, como energia elétrica e transporte, além de oferecerem salários mais elevados aos seus funcionários, do que os pagos aos trabalhadores brasileiros.

Em dois levantamentos anteriores da Abimaq, apresentados em 2010 e 2013, a diferença no chamado “custo Brasil” era de 37%, mas esta pequena redução deveu-se apenas à depreciação do real frente ao dólar e à queda da taxa de juros básicos da economia.

Além do efeito do câmbio, o estudo leva em conta variáveis de juros sobre capital de giro, preços de insumos básicos, impostos não recuperáveis na cadeia, logística, encargos sociais e trabalhistas, burocracia e custos de regulamentação, de investimentos e de energia, que anulam a produtividade e eficiência e reduzem a competitividade da indústria nacional.

Para reverter essa situação, que se agrava cada vez mais no mercado globalizado, a Abimaq defende nova política de Estado para recuperar a capacidade de produção e competitividade das indústrias de transformação brasileiras, que há dez anos respondiam por 17% do Produto Interno Bruto (PIB), do País, enquanto sua atual participação fica em 12%.

Conforme dados da instituição, a capacidade de investimento do setor industrial, antes de 18% do PIB, agora está em 15,6% e o número de trabalhadores empregados caiu de 350 mil pessoas, em 2008, para 294,6 mil em maio de 2018. No auge da produção, em 2013, o setor chegou a empregar 380 mil funcionários.

Com isso, muitas fábricas brasileiras fecharam as portas no país e muitas delas se instalaram no exterior, pois não há mais fundições de alumínio no Brasil e as de ferro são muito poucas, o que exige a importação de matérias primas de países como a Alemanha.

A recuperação das condições de investimentos no setor, segundo dirigentes da Abimaq, depende da capacidade de competição da indústria nacional, o que obrigatoriamente passa pela redução do “custo Brasil”, o que não aconteceu nos últimos 30 anos.
Para esclarecer a situação e propor soluções, a instituição elaborou cartilha para ser apresentada e debatida com candidatos à Presidência da República, visando o início da reversão do quadro negativo, nos próximos anos.

Com 22 páginas, a publicação compara a situação econômica de dez países, incluindo o Brasil, e propõe ações para o desenvolvimento da indústria nacional, como as reformas tributária, fiscal, previdenciária, monetária e cambial, além de adoção de política de desenvolvimento industrial e inserção no comércio global.

 

O autor é deputado federal pelo Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado
dep.sperafico@uol.com.br

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