Palotina, por força da C.Vale, é a única da região a bater Cascavel na balança comercial internacional
Dados do Banco Central do Brasil sobre as movimentações financeiras nos cinco maiores bancos comerciais do Oeste do Paraná lançaram uma luz sobre a liquidez dos principais municípios da região, entre janeiro e maio deste ano.
Somente em Toledo, no mês de janeiro de 2020, as operações de crédito realizadas no município giraram em torno de R$ 1,6 bilhão. Em maio, esse volume ficou em R$ 1,5 bilhão, representando uma queda de -3,2%, em relação ao início do ano. Apesar dessa queda, os depósitos em caderneta de poupança aumentaram de R$ 516 milhões para R$ 551 milhões em maio, perfazendo um aumento de 6,84%. Já os financiamentos imobiliários cresceram 2,88% no período, o que ampliou o montante para R$ 758 milhões.
O movimento no mercado imobiliário parecer ser bem resiliente frente às incertezas da economia. Para a população regional, os imóveis são reserva de valor num cenário econômico turbulento. Além dos conservadores, que buscam refúgio e proteção na caderneta de poupança e nos imóveis, também houve aqueles mais arrojados e as aplicações financeiras e demais depósitos a prazo saltaram de R$ 403 milhões para R$ 467 milhões. Um aumento em mais de 10%. Os dados demonstraram que a população toledana resolveu ampliar suas reservas financeiras e diversificar ativos.
Já na Capital do Oeste do Paraná, Cascavel, em maio os depósitos em caderneta de poupança chegaram a R$ 1,3 bilhão, uma expansão de 8% em relação ao mês de janeiro. Mas a vedete em Cascavel foram as operações de crédito, que saltaram de R$ 4,4 bilhões para um pouco mais de R$ 5 bilhões, um aumento de 13%. Os números ficam mais exuberantes nos depósitos a prazo, que cresceram 35% no período e fecharam maio com R$ 1,9 bilhão.
A Capital do Oeste tem muitos recursos financeiros disponíveis e muita movimentação. A rainha do Oeste mantém sua majestade. E esses recursos se ampliaram com o movimento do comércio exterior, que no primeiro semestre de 2020 fechou positivo para Cascavel em um saldo de US$ 137 milhões. Só o giro internacional injetou mais de R$ 500 milhões na economia cascavelense.
Nesse quesito, Palotina ganhou da Capital do Oeste e conseguiu fechar um saldo positivo na balança comercial de US$ 191 milhões no primeiro semestre de 2020. Em Toledo, o saldo do comércio exterior ficou negativo em US$ 46 milhões. Mas em Palotina, diferente dos municípios citados, ocorreu a redução nos depósitos em caderneta de poupança e nas operações de crédito. Os depósitos em caderneta de poupança se reduziram em -10% entre janeiro e maio fechando num montante de R$ 105 milhões. E as operações de crédito se retraíram em – 35%, caindo de R$ 855 milhões em janeiro para R$5 36 milhões em maio.
Os financiamentos imobiliários reduziram-se em -12% no período. Já os depósitos a prazo aumentaram em 85% e fecharam em R$230 milhões em maio.
A população palotinense reduziu sua movimentação e ampliou sua participação em outros ativos financeiros. Aparentemente, é o município menos conservador em termos de aplicações financeiras no Oeste do Paraná, mas o mais blindado com as movimentações do comércio exterior.
Os aumentos nos depósitos da caderneta de poupança também ocorreram em Marechal Cândido Rondon e Foz do Iguaçu. Em Foz, o município que mais sentiu os efeitos da pandemia no mercado de trabalho, os depósitos em caderneta de poupança aumentaram 4,6% entre janeiro e maio de 2020. No mesmo período as operações de crédito reduziram em -3,61%.
Os depósitos a prazo praticamente ficaram estáveis no período em R$ 2 bilhões. O saldo da balança comercial de Foz no primeiro semestre de 2020 foi positiva em apenas US$ 2 milhões.
Esses números refletem apenas a posição financeira dos cinco principais bancos comerciais (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú, Santander) e não se referem aos bancos digitais ou as cooperativas de crédito. Ou seja, em termos de capital financeiro disponível, os principais municípios do Oeste ainda têm liquidez.
Resta agora manter o dinamismo e se resguardar para as próximas ondas da crise econômica.
Jandir Ferrera de Lima é economista e professor da Unioeste