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O parcelado sem juros vai acabar?

Setor de cartão de crédito sugere o fim do parcelamento sem encargos. Objetivo é criar uma alternativa que distribua melhor os custos da inadimplência com outros participantes do mercado, como bancos e os próprios lojistas


calendar_month 6 de fevereiro de 2018
5 min de leitura

O tradicional parcelamento “sem juros” nas compras com cartão de crédito pode deixar de ser uma opção para os consumidores. Isso porque a Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs) apresentou ao Banco Central uma proposta para substituir essa modalidade de compra, adotada em mais da metade dos pagamentos feitos com o plástico. O objetivo é criar uma alternativa que distribua melhor os custos da inadimplência com outros participantes do mercado, como bancos e os próprios lojistas.

Hoje, as lojas aceitam que o consumidor parcele a compra no cartão de crédito e recebem das administradoras, que ficam com o risco de inadimplência, ou seja, do consumidor não pagar a fatura 30 dias depois. A proposta, ainda em discussão, era trocar esse financiamento por um empréstimo com juros, que seria concedido no momento da venda, diretamente na maquininha do cartão. As vendas “sem juros” são cobertas pelas taxas elevadas que os bancos cobram de quem financia seus gastos no cartão de crédito. Essas linhas estão entre as mais caras no panorama dos juros brasileiros.

Na prática, o consumidor faria as compras com base em um limite concedido pelo banco, que poderia ser utilizado em qualquer loja. A instituição financeira, segundo informações publicadas pelo Valor Econômico, teria cinco dias para transferir o valor às lojas e assumiria o risco do não pagamento.

Dessa forma, a opção de número de parcelas não caberia mais ao empresário que vende o produto, mas, sim, aos bancos, que colocariam limites nos pagamentos. Sendo assim, as operadoras de cartão teriam um custo menor em caso de inadimplência do consumidor.

Hoje, de acordo com as operadoras, o parcelamento “sem juros” é uma opção disponível principalmente nas grandes redes de varejo. No entanto, as administradoras de cartões de crédito, inclusive os bancos, já trabalham para ajustar os seus sistemas ao novo padrão de parcelamento. Nele, as taxas de juros seriam mais baixas e o lojista receberia o dinheiro da venda de uma só vez, em até cinco dias após a operação. No parcelamento sem juros, o lojista recebe a primeira parcela só depois de cerca de 30 dias.

Ainda não há um modelo sobre como a nova modalidade de crédito funcionaria, mas o objetivo, diz a Abecs, não é eliminar totalmente o parcelado sem juros.

 

Impacto para o varejo

A extinção dessa modalidade seria um transtorno para o comércio. O lojista rondonense Jean Augusto Rohloff diz que 80% das vendas da sua loja são feitas no cartão de crédito, enquanto 50% são parceladas. “Usar cartão é muito mais prático. E atualmente é muito perigoso andar com dinheiro em espécie, por isso a maioria das compras é realizada com cartão, desde os itens mais básicos”, ressalta.

Não apenas como lojista, mas também como consumidor, o rondonense expõe que não se sente seguro sobre as taxas de cartões de crédito. “Todo mês que vêm cobranças ou extratos a gente fica na dúvida se foram aqueles os valores realmente combinados, e às vezes encontramos erros. Todo mundo usa os cartões, mas sabendo que pode estar sujeito a descontos indevidos”, enaltece.

Ainda de acordo com o lojista, a mudança não geraria queda nas vendas, mas sim dificuldades no pagamento. “As pessoas não se sentiriam seguras para fazer esse tipo de transação por conta dessa mudança. Elas não deixariam de consumir por conta das taxas, mas ficariam mais receosas”, acredita.

Ele avalia que seria prudente se o Banco Central conseguisse negociar taxas de juros mais acessíveis junto às operadoras de cartão, ao invés de colocar os bancos para intermediar essas transações.

Lojista Jean Augusto Rohloff: “As pessoas não se sentiriam seguras para fazer esse tipo de transação por conta dessa mudança. Elas não deixariam de consumir por conta das taxas, mas fi cariam mais receosas” (Foto: O Presente)

 

Controvérsias

O conceito de parcelamento sem juros gera controvérsia. “A modalidade do cartão de crédito é uma forma de moeda muito interessante para ser utilizada, mas o grande vilão são as taxas de juros atribuídas ao não pagamento no momento exato. É uma das mais elevadas, senão a maior, taxa existente no mercado”, diz Weimar Freire da Rocha Júnior, professor do curso de Ciências Econômicas da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) de Toledo. Segundo ele, hoje já se cobra uma taxa elevada e não acredita que irão baixar para fazer essa modalidade de venda. “Com a extinção do parcelamento sem juros, iria mudar a modalidade, mas não a redução dos juros”, reforça. O professor argumenta que qualquer forma de redução das taxas de juros, que são elevadas, acabam sendo interessantes para o consumidor, mas alerta que é preciso olhar essas oportunidades com cuidado, porque pode haver armadilhas que acabam enganando e lesando. “É preciso ficar atento a essas modalidades e estudar mais a fundo o que está ocorrendo, porque pode ser mais uma armadilha. Não digo que seja, mas é preciso ser analisada com parcimônia”, salienta.

 

Confira a reportagem completa na edição impressa do Jornal O Presente desta terça-feira (06).

 
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