O Presente
Geral

Obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas profissionais deve “cair”

calendar_month 14 de junho de 2019
4 min de leitura

 

Uma semana depois de o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), entregar à Câmara dos Deputados o projeto de lei que altera as regras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), entre outras mudanças no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), ainda há divergência de informações em relação às propostas.

Entre as mudanças apresentadas pelo presidente está o fim da obrigatoriedade do exame toxicológico para motoristas profissionais de caminhão, carreta, van e ônibus. A medida, inclusive, tende a aumentar o valor do seguro cobrado, isso porque as empresas fazem os cálculos a partir dos riscos potenciais de acidentes.

O rondonense Fábio Júnior Oss Emer, de 37 anos, é motorista de caminhão desde 2009. Ele atua como autônomo e habitualmente percorre o trajeto de Marechal Cândido Rondon a Curitiba pelas rodovias BR-163 e BR-277. Para o profissional do volante, o exame não deveria ser exclusivo aos motoristas profissionais. “Penso que se for para manter, o certo é incluir todas as categorias quando fizer ou renovar a carteira, desde motocicleta, veículo de passeio, porque todos os motoristas podem ingerir alguma substância que cause dependência, mas claro que a pessoa que fica direto na estrada corre mais riscos”, diz.

Emer reconhece que boa parte dos profissionais do volante utiliza-se do rebite e em alguns casos de drogas para cumprir suas jornadas, porém acredita que a maior parte dos caminhoneiros trabalha de forma consciente e responsável. “O exame é positivo, mas deve ser generalizado se for decidido continuar. Por exemplo, hoje o caminhoneiro ou motorista de ônibus que utiliza alguns medicamentos precisa levar a receita médica para conseguir renovar a CNH e nesse caso fica amparado. Se incluir outras categorias, os condutores também terão esta segurança”, salienta.

 

CONSCIÊNCIA

Em relação a ampliar o prazo de validade da CNH de cinco para dez anos e dobrar a pontuação de 20 a 40 pontos para a perda do direito de dirigir, Emer mostra ser a favor. “Não tomei conhecimento de tudo o que muda, mas vejo que neste caso a ideia é facilitar as coisas”, expõe.

Ele cita que os responsáveis por infringir as normas de trânsito devem ser punidos, contudo avalia que precisam ser revistos casos como a aplicação de multas e a perda da CNH. “Hoje, por exemplo, as pessoas não sabem o que faz o caminhoneiro sair da pista, se foi um ciclista, motociclista ou outro fator. O caminhoneiro muitas vezes leva a culpa mesmo que não seja o responsável”, lamenta.

Sobre a ideia do presidente retirar os radares fixos, ele comenta ser favorável. “Porque se isso acontecer as polícias rodoviárias vão aumentar a fiscalização da velocidade nas rodovias, vão colocar mais radares móveis nas estradas para multar quem fizer algo errado”, pontua.

Segundo ele, o radar fixo tem como ponto falho o caso de os motoristas diminuírem a velocidade próximo do equipamento e acelerarem na sequência. “Ouvi de alguns motoristas de veículos que agora a polícia vai colocar mais radar móvel nas rodovias, então o infrator só vai perceber quando for pego ‘de surpresa’ acima da velocidade. Quem dirige carro reclama que a polícia vai fiscalizar mais, então vai ter que andar no limite para não ser multado”, sugere.

 

SEGURANÇA

No tocante à segurança, Emer avalia que o motorista, seja profissional ou de outra categoria, fica obrigado a aumentar os cuidados caso as alterações na CNH e outras mudanças sejam aprovadas e sancionadas. “Penso que não vai mudar muito na questão de velocidade, porque todos os condutores terão que dirigir com mais cuidados. Entretanto, uma sugestão positiva é abrir mais ao comércio, porque se o projeto for aprovado outras empresas e clínicas poderão se credenciar e realizar exames de vista e outros”, ressalta.

Em relação ao número de acidentes, o autônomo entende que isto está ligado à educação de cada condutor. “Ao meu ver o risco de acidentes continua existindo se baixar para dez ou aumentar ainda mais. Se a pessoa não tiver direção defensiva ela continua vacilando, mas se for consciente penso que vai manter ou até aumentar os cuidados ao dirigir. Hoje não tenho uma opinião formada, a favor ou contra as alterações na CNH e outros pontos do trânsito, porque a certeza do efeito a gente terá na prática, com o passar do tempo. Contudo, penso que a ideia seja diminuir a burocracia”, finaliza o caminhoneiro.

 

O Presente

 
Compartilhe esta notícia:

Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.
Este website utiliza cookies para fornecer a melhor experiência aos seus visitantes. Ao continuar, você concorda com o uso dessas informações para exibição de anúncios personalizados conforme os seus interesses.