Produtores rurais e especialistas norte-americanos, na medida em que conhecem melhor o Brasil, se dizem cada vez mais impressionados com o volume da produção e o potencial de crescimento do agronegócio do país.
No 95º Agricultural Outlook Forum, do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), realizado recentemente em Arlington, no Estado da Virginia, participantes se disseram surpresos com a expansão da colheita do milho safrinha e as possibilidades de crescimento de outras culturas em diversas regiões do país, nos próximos anos.
Na oportunidade, produtores e técnicos norte-americanos, após palestra de Thomé Guth, gerente de produtos agropecuários da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), encaminharam diversos questionamentos ao convidado do evento anual sobre as possibilidades dos agricultores brasileiros no futuro próximo.
Queriam saber, por exemplo, se o país poderá continuar elevando sua capacidade produtiva, demonstrada na colheita de milho e como deverá se comportar na eventualidade do prosseguimento da “guerra comercial” entre os Estados Unidos e a China.
O dirigente brasileiro respondeu que a agricultura do país pode crescer de 10% a 12% nos próximos quatro anos, segundo apontam projeções do Ministério da Agricultura, mas, diante de variações de demandas do mercado, essa expansão pode ser ainda maior pois o agronegócio nacional tem condições para isso.
Esse crescimento, no entanto, dependerá do desenvolvimento maior do cultivo no chamado Arco Norte e da melhoria do sistema de transporte de grãos, garantindo maior competitividade ao produtor, para a efetiva expansão da agropecuária do País, visando o atendimento das demandas internas e externas.
Durante o evento, o dirigente da Conab ressaltou que obras de expansão do sistema multimodal de transporte no Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país envolvem questões ambientais e de segurança jurídica, que ainda dependem de negociações e decisões de governo para a ampliação dos investimentos públicos e privado no setor.
Entre os investimentos previstos para a região estão a conclusão da construção da rodovia BR-163, além de empreendimentos ferroviários e portuários, que têm por objetivos garantir uma produção nacional mais competitiva do que a dos próprios Estados Unidos e da Argentina.
Conforme especialistas, com base em diversos fatores favoráveis, como fertilidade e topografia do solo, recursos hídricos, tecnologia disponível, clima favorável e tradição, vocação e competência dos produtores, a expansão da produção nacional soja e milho de 10% pode ser facilmente alcançada em quatro ou cinco anos, mas esse crescimento dependerá também da melhoria da infraestrutura para o escoamento das colheitas até os centros industriais e portos de exportação.
No mesmo encontro, produtores e especialistas norte-americanos justificaram sua surpresa com o crescimento da safra brasileira de grãos, especialmente na cultura de milho.
Enquanto na safra 2004/2005, a colheita do cereal atingiu 35 milhões de toneladas em área plantada de 12 milhões de hectares, para a safra 2018/2019 a produção projetada é três vezes maior, de 91,6 milhões de toneladas, em área plantada de 16,8 milhões de hectares, com acréscimo de apenas 40% no cultivo, graças ao avanço da tecnologia e a produção de sementes precoces de soja e mais produtivas de milho.
O autor é ex-deputado federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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