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Os R$ 3 da 369 – por Jairo Eduardo

Foto: Divulgação

 

Uma sucessão de erros acompanha o tema pedágio no Paraná. Como relatou nas páginas amarelas da revista Pitoco, o ex-secretário de Transportes no governo Lerner, Deni Swartz, os erros “começaram no começo”, por desprezarem o timing do negócio.

Deni pediu o chapéu do cargo quando vencido em uma queda de braço com o time de Lerner. O demissionário discordava do momento, às vésperas de uma eleição, para implantação do pedágio. Ele percebeu que aquilo seria um prato cheio para Requião e outros demagogos e oportunistas.

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Não deu outra: Lerner, para garantir a reeleição, deu a canetada dos 50% de corte na tarifa, e o contrato começou a tomar forma de monstro. Aos fatos mais recentes: o acordo de leniência entre o Ministério Público Federal e a concessionária Rodonorte.

Pelo acordo, a empresa reconhece um ônus de R$ 750 milhões e aceita pagá-lo para encerrar o processo. Então o Judiciário – em atitude que remete a políticos populistas – determina que a Rodonorte promova descontos nas tarifas de pedágio até o valor de R$ 350 milhões.

É a sucessão incessante de erros. Sentença semelhante, do notório Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), determinou descontos na tarifa aqui na 369, administrada pela Viapar. São 19% de desconto. Como mostra a ilustração, cada motorista vai pagar R$ 3 a menos.

Seria mais inteligente usar os R$ 750 milhões da Rodonorte e o ônus milionário da Viapar e outras concessionárias em obras. Vamos às contas, com base na tabela publicada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit): R$ 5,2 milhões é o custo por quilômetro de rodovia duplicada.

Com o devido pela Viapar, dava para duplicar a rodovia 369 de Cascavel ao acesso de Nova Aurora, 66 quilômetros. Esse mesmo valor, aplicado à 277, finaliza a duplicação entre Cascavel e Foz do Iguaçu, suprindo o trecho restante até Matelândia.

Trocar obras permanentes por um agrado temporário (curto) e ridículo na tarifa – cujo custo já está – a duras penas, é verdade – absorvido pelas planilhas da economia local, é de uma pobreza política lastimável.

Trocamos obras estruturantes permanentes por um suspiro de R$ 3 temporário e volátil como a mente de muitos que nos lideram. Prosseguimos errando. Persistimos no erro. Isso tem nome em conhecido adágio popular. Esperamos não ter ofendido os animais de carga de longas orelhas abanantes.

 

Jairo Eduardo é editor do Pitoco

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