Com o avanço da tecnologia e a modernização do agronegócio, por mais incrível que possa parecer, funções antes modestas, como de operadores de colheitadeiras agrícolas, já competem em remuneração com profissões de detentores de cursos universitários.
Trabalhando em máquinas que custam R$ 1,4 milhão ou mais, no conforto do ar condicionado e sem grandes esforços físicos, operadores acionam piloto automático e observam painéis que medem índices de perdas e umidade dos grãos, que vão se acumulando no reservatório de carga do equipamento.
Dessa forma, antigos roçadores de pastos, cortadores de cana e arrancadores de feijão à mão, de diversas regiões do interior do país, depois de passarem pelas tarefas de motorista de caminhão e tratorista, chegaram à uma das profissões mais valorizadas do campo. É o caso de pilotos de colheitadeiras, com ganho bruto mensal de R$ 2,8 mil, o equivalente à remuneração de professor da rede municipal de ensino, com curso superior.
Mesmo tendo cursado apenas o segundo grau, na melhor das hipóteses, esses profissionais se tornaram verdadeiros peritos em máquinas com alta tecnologia embarcada, como colheitadeiras, pulverizadores e plantadeiras, acompanhando e se beneficiando da evolução do trabalho no campo.
Para progredir na carreira, antigos trabalhadores braçais passaram a dirigir tratores, estudando tudo sobre o funcionamento e capacidade da máquina, fazendo cursos sobre diversos equipamentos, como plantadeiras e pulverizadores, até atingirem a formação necessária para a operação das modernas colheitadeiras de grãos.
Os novos operadores conhecem todos os detalhes do equipamento e, mesmo com o piloto automático em operação, interferem para melhorar o desempenho da colheitadeira, pois, segundo eles, mesmo que as máquinas possam fazer muita coisa sozinhas, eles não gostam de ficar apenas olhando seu funcionamento.
Os profissionais, nos períodos de safra, trabalham até dez horas por dia, mas não precisam ir longe para estarem em casa, pois residem em casas confortáveis, localizadas nas propriedades rurais onde atuam, com moradia, água e energia fornecidas pelo empregador, como benefícios extras.
Outros trabalhadores bem renumerados no agronegócio são operadores de secadores de grãos, silos e sistemas de irrigação com pivôs centrais, além de operadores de máquinas. Nas áreas administrativas e técnicas, os salários podem ser maiores, pois normalmente são atividades exercidas por detentores de cursos superiores, como gestores, agrônomos e médicos veterinários, entre outros.
Nas funções administrativas são responsáveis pela programação de safras, definindo áreas e momentos de plantio, escolhendo cultivares, fertilizantes e defensivos e cuidando da comercialização das safras.
Conforme empregadores, além do conhecimento técnico, se exige muito dos funcionários, o que dificulta a contratação da mão-de-obra ideal, o que muita vezes exige investimentos na qualificação das pessoas selecionadas, levando em conta o cuidado com os equipamentos e lealdade com a empresa.
Os cursos para operação de equipamentos de alta tecnologia são fundamentais, pois as máquinas controladas por computadores e GPS exigem preparo para eventuais intervenções e correção de distorções, muitas vezes após troca de informações por rádio sobre posicionamento corretos que devem ser observados.
* O autor é deputado federal Paraná licenciado e chefe da Casa Civil do Governo do Estado
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