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Parque das Cataratas do Iguaçu registra recorde de filhotes de onça-pintada; pesquisadores alertam que nem todos devem sobreviver

Monitoramento registrou 10 filhotes entre 42 onças em 2025. Trilhas estão com restrições temporárias para pesquisa com grandes felinos


calendar_month 13 de março de 2026
5 min de leitura

O Parque Nacional do Iguaçu, onde estão localizadas as Cataratas do Iguaçu, no oeste do Paraná, registrou, em 2025, dez filhotes de onça-pintada, o maior número identificado em monitoramento da espécie dentro da unidade de conservação.

O levantamento, realizado pelo Projeto Onças do Iguaçu, também registrou a presença de 42 onças-pintadas na região, entre adultos e filhotes.

Apesar do recorde de nascimentos, a pesquisadora Vânia Foster, alerta que nem todos os filhotes devem chegar à fase adulta. A sobrevivência depende de fatores como disponibilidade de presas, disputas por território, doenças e impactos provocados por atividades humanas.

“Essa fase é uma das mais críticas, uma parte importante dos filhotes não chega à idade adulta, por fatores como ataques de outros predadores, brigas com onças adultas, escassez de presas e, sobretudo, ações humanas como desmatamento, caça de presas e atropelamentos”, diz a pesquisadora.

Dois filhotes de onça-pintada são registrados no Parque Nacional do Iguaçu — Foto: Projeto Onças do Iguaçu

Segundo ela, ainda faltam estudos específicos sobre a porcentagem de filhotes que morrem, mas sabe-se que a sobrevivência da população como um todo depende justamente de quantos filhotes conseguem superar esses desafios e entrar na população adulta.

“O dado de mortalidade de filhotes existe para os leopardos na Índia, onde um estudo estimou que cerca de 4 em cada 10 filhotes não chegam à independência aos dois anos de idade, o que ilustra como os primeiros anos de vida de grandes felinos são frágeis”, afirmou a Foster.

Os dados fazem parte de um relatório anual feito com armadilhas fotográficas instaladas no parque, que registraram 646 aparições independentes de onças-pintadas ao longo do ano de 2025. Entre os animais identificados estão 32 adultos, sendo 14 fêmeas e 17 machos, e os dez filhotes.

Para os pesquisadores, o número de nascimentos indica que a população da espécie segue se reproduzindo dentro do parque, considerado um dos principais refúgios da onça-pintada na Mata Atlântica.

Trilhas estão restritas para pesquisa

Em 2026, os pesquisadores do projeto estão realizando o censo populacional de grandes felinos – onça-pintada e jaguatirica – na região, que é feito a cada dois anos.

A pesquisa motivou restrições temporárias em algumas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu. De acordo com a direção da unidade, as limitações na circulação de visitantes vão até o dia 22 e fazem parte de atividades de pesquisa e conservação.

No Polo Cataratas, em Foz do Iguaçu, a Trilha da Canafístula ficará fechada temporariamente, enquanto um trecho do Caminho do Poço Preto terá restrição parcial.

A Trilha da Canafístula leva os visitantes em um trecho que margeia o Rio São João, um trecho ainda pouco visitado no Parque. — Foto: Divulgação Urbia+Cataratas

Segundo a administração do parque, não haverá impacto nas áreas mais visitadas, como a Trilha das Cataratas, mirantes e passarelas.

Em São Miguel do Iguaçu, as restrições atingem o Polo Silva Jardim, onde equipes realizam atividades de monitoramento da fauna.

As visitas turísticas à Trilha das Cataratas e às demais trilhas continuam funcionando normalmente, nos horários habituais.

Monitoramento e comportamento

Entre 2024 e 2025, o projeto registrou mais onças-pintadas nas câmeras. O número passou de 41, em 2024, para 42 indivíduos, em 2025, com aumento no número de filhotes registrados.

No entanto, essa diferença não registra aumento no número dos animais, segundo a pesquisadora Vânia Foster, apenas censos periódicos podem realizar esse registro.

“Em espécies discretas e difíceis de observar, como a onça, o número de registros depende muito de onde e como as câmeras são instaladas e de quanto tempo monitoramos. Para saber se a população realmente aumentou, usamos censos padronizados bianuais e modelos estatísticos que estimam densidade e tamanho populacional, corrigindo essa diferença de detectabilidade”, explica.

As imagens captadas pelas câmeras do projeto também ajudaram a identificar padrões de comportamento dos felinos.

Segundo o relatório divulgado pelo projeto, a onça-pintada apresenta pico de atividade durante a noite, principalmente por volta das 21 horas.

Os dados mostram ainda uma divisão de horários entre predadores. Enquanto a onça-pintada é mais ativa à noite, a onça-parda costuma se movimentar mais no início da manhã e no começo da noite, o que reduz a competição direta entre as espécies.

Onça-parda é vista caminhando no parque das Cataratas do Iguaçu — Foto: Breno/ Ana Carolina

Situação da onça-pintada no Parque Nacional do Iguaçu

A onça-pintada (Panthera onca) é o maior felino das Américas e está criticamente ameaçada de extinção na Mata Atlântica. De acordo com o Painel de Especialistas em Conservação da Natureza, restam menos de 300 indivíduos no Brasil.

No Parque Nacional do Iguaçu, vivem cerca de 25 onças, segundo o Projeto Onças do Iguaçu.

Segundo os pesquisadores, o nascimento de novos filhotes é considerado um indicativo importante de recuperação da espécie no local, onde a população já esteve próxima do colapso.

Porém, mesmo com o aumento no número de nascimentos, pesquisadores apontam que a população ainda enfrenta desafios.

Entre as ameaças estão perda de presas em áreas fora do parque, doenças transmitidas por animais domésticos e riscos em rodovias próximas, que podem provocar atropelamentos de animais silvestres.

O acompanhamento contínuo da população, segundo os pesquisadores, é importante para avaliar o crescimento da espécie e orientar estratégias de conservação da onça-pintada na região da tríplice fronteira.

Com g1

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