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“Precisamos traçar metas e criar possibilidades, buscar ferramentas que nos ajudem a chegar onde almejamos”, aponta psicóloga

calendar_month 14 de janeiro de 2021
5 min de leitura

Mesmo passados pouco mais de dez dias do início de 2021, muitas pessoas ainda seguem traçando metas para os próximos 353 dias do ano. Uma dica importante nesse processo, conforme a psicóloga rondonense Silvana Nardello Nasihgil, é ressignificar. Ou seja, transformar acontecimentos ruins em aprendizado, motivação ou algo positivo.

“Precisamos ressignificar nossos pensamentos e atitudes para evitarmos angústias desnecessárias. Um novo ano é sempre recheado de incertezas e cabe a cada um se readequar”, declarou ao O Presente.

 

CICLOS

Apesar de ser amplamente comemorado, um novo ano não traz mudanças reais na estrutura da vida, aponta a psicóloga. “Se prestarmos atenção, todos os anos vivemos os mesmos atropelos no fim do ano que nos dão a sensação de que o mundo vai acabar. As pessoas escolhem esse momento final para fazer coisas que durante todo o ano não encontraram tempo para realizar. Desde faxinas nas casas até a conclusão de projetos que foram deixados de lado durante o ano, tarefas ressurgem como necessárias e inadiáveis. Somos culturalmente envolvidos nesse comportamento e isso gera muita angústia desnecessária”, enaltece. “Diante de um ano tão atípico e com tantas restrições foi perceptível que pensamentos e atitudes se repetiram”, pontua.

 

TEMPO DE REPENSAR

Silvana diz que 2020 deixou muitos espaços na vida de todos. “Nunca estivemos tanto em casa e em companhia da família. Nunca tivemos tanto tempo para repensar o passado, readequar o presente e buscar um futuro com novas perspectivas”, afirma.

Diante desse contexto, ela comenta que as pessoas tiveram duas maneiras de lidar com as situações adversas. “Muitas usaram o tempo para discutir e se lamentar, e o tempo foi passando; outras buscaram novas perspectivas, venceram o que parecia impossível e construíram histórias de superação”, destaca.

“Viemos de um ano dramático e cá estamos”, resume a psicóloga. Agora, conforme ela, por mais que muitas coisas se repitam, também é possível inovar e mudar. “Para quem ainda não se inteirou das realidades, é hora de buscar novos caminhos. Falo isso em todos os sentidos, desde acomodar os sentimentos até fazer projetos materiais. A vida precisa ser esquematizada, pensada, reorganizada, pois só através de um posicionamento mais diretivo será possível colocar em prática a resolução das demandas”, considera.

O momento, na opinião da psicóloga, é de pensar nas próprias necessidades, considerando potencial e dons, e colocar tudo para trabalhar a seu favor. “Quando pensamos que tudo na nossa vida está desse momento para frente, por que nos permitimos que o desânimo tome conta dos nossos dias?”, questiona, acrescentando: “Compete a cada um buscar caminhos. É hora de ir atrás, é hora de escolher o que e como viver, levantar da zona de conforto e encher a vida de coragem e esperanças”.

 

ESPERA POR MILAGRES

Partindo desse posicionamento, Silvana resume o espírito deste início de ano: “Só conseguimos ir a algum lugar se soubermos que lugar é esse”. Do contrário, pondera, a inércia age como um obstáculo no sentido da vida. “Quando ficamos estagnados, a desesperança se instala e tem um grande poder de matar os nossos sonhos”, alerta.

Para isso, a psicóloga afirma que um planejamento é necessário e importante para o bom andamento do ano. “É o começo de uma história com grandes chances de se tornar real. Precisamos traçar metas e criar possibilidades, buscar ferramentas que nos ajudem a chegar onde almejamos”, enfatiza.

A falta de uma organização, segundo a rondonense, pode gerar uma espera sem-fim. “Não tem como atingir metas que não existem. É como viver esperando milagres. Que milagres esperar quando não se sabe o que quer?”, indaga.

 

INCLUSÃO

Mais do que traçar planos individuais, Silvana aponta a necessidade de planos mais abrangentes. “Fazer projetos individuais, familiares e em par nos dá um norte a seguir, principalmente planejamentos coletivos, em que todos podem participar e se sentem inclusos e seguros. Afinal, uma família que conversa e um casal que tem o hábito de falar sobre tudo criam relações mais sólidas de pertencimento, cada um se sente parte do futuro. Isso ajuda a dissipar muitos medos, além de aumentar a coragem de seguir”, evidencia.

 

EXPECTATIVAS

Um dos pontos questionados na hora de elaborar metas são as expectativas criadas em torno do processo, afinal, se elas não forem atingidas podem se transformar em frustrações. Para Silvana, esse receio é considerável, uma vez que 2020 serviu de parâmetro para aprender a lidar com frustrações. “Seja por não poder abraçar quem queria, até mesmo por questões mais práticas, como viagens adiadas, suspensão de eventos, etc.. Em todos os segmentos da vida surgiram travas e indicações de novos caminhos. Muitas vezes, nos vimos trilhando caminhos que jamais teríamos escolhido”, sintetiza.

E os testes continuam, afirma a psicóloga. “Já fomos aprovados em muitas situações complicadas. Não há nada de muito certo nas expectativas futuras, mas existe uma tentativa de se sair da inércia, de voltar a sonhar. É preciso ter mais maturidade nas expectativas, sem a ânsia de que obrigatoriamente tenha que dar certo”, aconselha.

A partir da pandemia, a profissional acredita que o ser humano ganhou serenidade. “O ensinamento que fica é que tudo tem o seu tempo. Da semente ao fruto há um tempo de espera”, salienta.

 

PLANO B

Silvana argumenta que é preciso continuar, arriscar e se permitir dentro daquilo que é possível, porque só assim é possível se tornar mais forte, determinado e seguro. “São razões fortes para que lidemos com as verdades do mundo e percamos o medo do futuro. Decepções e frustrações são partes da vida com as quais precisamos aprender a lidar. Por isso, o ‘plano B’ não pode deixar de existir. Ele nos dá o espaço para acomodarmos aquilo que não sair dentro do desejado”, conclui.

 

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