Desde 1º de janeiro de 2025 até 2039, os bebês que chegarem ao mundo estarão na geração Beta, uma nova categorização social. As gerações são conhecidas há anos e denominam um conjunto de pessoas nascidos em uma mesma época.
Antes da Beta, outras divisões geracionais ocorreram, como a Alpha (2010-2025), Z (1995-2009), Millenials (1984-1995), X (1964-1983) e a geração dos baby boomers (1947-1963), por exemplo.
Segundo o sociólogo e professor Sérgio Czajkowski Júnior, a mudança de geração Alpha para a Beta marcará uma vivência mais expressiva da sociedade com a inteligência artificial (IA). Conforme o professor, para a população Beta, praticamente não haverá distinção entre o digital e o real.
Pela estimativa de viva da população mundial, os Beta devem também, viver a transição para o próximo século, que começa no ano 2101. No Brasil, homens vivem, em média, 72 anos; para mulheres, a média é de 79 anos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Eles serão nativos digitais com a questão da natividade já conectada com a Inteligência Artificial. A geração que está aqui agora, no máximo com seus 13, 14 anos, já encara perfeitamente essa relação com o universo digital. E a geração que está nascendo agora [Beta] vai ter essa relação com a I.A, que para boa parte da população é misteriosa, ainda está se revelando enquanto ferramenta”, comenta o professor.
Em Curitiba, pelo menos sete bebês nasceram em hospitais nas primeiras horas de 2025. O primeiro nascimento registrado na capital foi o de Lohan Aguiar Machado Britto, às 1h05, na Maternidade Nossa Senhora de Fátima.
A mãe do bebê, Vanessa Cristina, não sabia que o filho pertencia à “geração da inteligência artificial”, mas, coincidentemente, já pretendia usar informações de IA para tirar dúvidas do dia a dia do pequeno, uma vez que é mãe de primeira viagem.
“Por sermos pais de primeira viagem, com certeza iremos utilizar bastante as IAs para pegar dicas e fazer pesquisas sobre a criação. O desafio maior é justamente saber dosar e monitorar o acesso da criança à tecnologia”.
Características e desafios
Outra característica da Beta é que ela será a primeira geração pós-pandemia da Covid-19, ou seja, sem conhecimento de um trauma coletivo experimentado recentemente pela população mundial, como pontua o professor Sérgio.
“Eles virão em um contexto um pouco mais otimista do que a geração que estava agora, que de certa maneira sofreu esses problemas todos”.
O sociólogo sinaliza que é difícil prever todas as características da geração, mas aposta que o público deve ser mais envolvido em causas ambientais, além de vivenciar mudanças substanciais nos modelos de ensino e informação.
Além disso, o professor prevê que, nesta nova geração, o conceito de nacionalidade deve começar a ter novos significados.
“É um caldo de cultura cada mais forte. Vai ser muito mais difícil você bater o olho na pessoa e dizer, ‘olha, esse indivíduo nasceu no Brasil e fala português’. É muito mais provável que a gente tenha determinados padrões que adquiram uma capilaridade global. Aquilo que a gente chama de ‘modelos compartilhados’ “.
Com G1