Com o aumento constante de casos do coronavírus (Covid-19) em todo o Brasil, nas últimas semanas houve um grande aumento na procura por máscaras descartáveis de proteção e produtos de higiene pessoal, principalmente do álcool gel 70%, país afora. Em Marechal Cândido Rondon não foi diferente.
As máscaras, por exemplo, sumiram das prateleiras faz alguns dias e os consumidores que procuram os estabelecimentos comerciais para comprar álcool gel estão voltando para casa de mãos vazias, ou pagando muito mais caro pelo produto.
Paulo Storck pretendia comprar álcool gel e máscara e para isso foi em cerca de dez farmácias e em nenhuma encontrou os produtos. “Estou evitando sair de casa, mas precisei ir em quase todas as farmácias da cidade e ainda não encontrei nada”, lamenta.
Jackson Strieder já foi em diversas farmácias, inclusive em Toledo, em busca do álcool gel, mas não conseguiu comprar o produto. “Acredito que está faltando porque algumas pessoas compram em grande quantidade e não pensam que agindo assim outras pessoas ficam sem o produto”, expõe.

Jackson Strieder foi em diversas farmácias, inclusive em Toledo, em busca do álcool gel: “Algumas pessoas compram em grande quantidade e não pensam que agindo assim outras pessoas ficam sem o produto” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Paulo Storck: “Estou evitando sair de casa, mas precisei ir em quase todas as farmácias da cidade para comprar álcool gel e ainda não encontrei” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Máscaras descartáveis raramente são encontradas para venda no comércio rondonense (Foto: Sandro Mesquita/OP)
PRODUTOS SUMIRAM DAS PRATELEIRAS
Segundo Janival Della Giustina, gerente de uma farmácia em Marechal Rondon, os últimos frascos de álcool gel foram vendidos no último domingo (15) e para os próximos dias não há previsão para receber outros. “Quando percebemos que a procura aumentou, começamos a restringir a venda a apenas uma embalagem por pessoa, exceto para consultórios médicos ou odontológicos, locais onde usam mais esse tipo de produto”, menciona.
Ele conta que alguns fornecedores estão restringindo a quantidade de embalagens no momento da venda para as farmácias. “Tem dia que conseguimos comprar seis, às vezes quatro frascos, então, quem chega primeiro leva”, comenta.
Conforme o rondonense, após o crescimento de casos suspeitos do coronavírus no Brasil, houve a disparada na venda do produto e quando os estoques foram acabando as próximas arremessas da mercadoria chegaram com o custo maior para o empresário. Em alguns casos, informa ele, o aumento chega a quase 200%. “O frasco de 500 gramas de álcool gel antes eu vendia a R$ 6,50, com preço de custo a R$ 3,50. Agora a embalagem com 400 gramas custa para mim R$ 12,50 e vendo a R$ 17,50”, revela. Ou seja, aumento de 280%.
O empresário diz que está mantendo a mesma margem de lucro e quando o preço de custo é muito maior que o praticado no mercado ele prefere não comprar a mercadoria. “Acho que é melhor não ter o produto do que vender por um preço abusivo”, enaltece.
Della Giustina revela que por se tratar de uma empresa familiar, onde ele e a irmã fazem o atendimento ao público e ambos possuem problemas de saúde que se encaixam no quadro de maior risco em caso de contaminação, eles fecharão a farmácia sem previsão de reabertura. “Além do risco para nós, existe a chance de nos contaminarmos e levarmos o vírus para nossos pais que são idosos”, explica. Segundo o empresário, o atendimento será feito apenas por telefone e os produtos serão entregues na casa dos clientes.

Gerente de farmácia Janival Della Giustina: “Quando percebemos que a procura aumentou muito, começamos a restringir a venda a apenas uma embalagem por pessoa” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

Prateleiras onde era guardado álcool gel estão vazias e sem previsão de recebimento de novas mercadorias (Foto: Sandro Mesquita/OP)
PENALIDADE PARA QUEM VENDER PRODUTOS COM PREÇOS ABUSIVOS
Durante a entrevista coletiva concedida à imprensa na terça-feira (17) pela administração rondonense para anunciar o decreto com as medidas de prevenção contra a pandemia do coronavírus, o prefeito Marcio Rauber falou sobre a venda, em alguns estabelecimentos comerciais, de produtos como o álcool gel e as máscaras descartáveis que tiveram elevação nos preços. De acordo com ele, a prefeitura está alinhada com o Ministério Público (MP) para punir quem abusar no preço desses materiais, inclusive com prisão em flagrante, se necessário. “Se a população souber, denuncie, porque isso é um crime gravíssimo contra a ordem pública”, enfatizou.
A orientação para o consumidor que se deparar com preços excessivos desses produtos é fazer a denúncia, se preferir, de forma anônima, no telefone da prefeitura – 3284-8828 ou on-line, no site da prefeitura, na opção “ouvidoria” (https://marechalcandidorondon.atende.net/#!/tipo/inicial).
Também é possível fazer a denúncia no Ministério Público ou ainda no site do Procon (http://www.procon.pr.gov.br/).
Em âmbito estadual, o governador Ratinho Junior anunciou na quarta-feira (18) que as empresas que comprovadamente estiverem vendendo álcool em gel com preço abusivo no Paraná terão o alvará de funcionamento e a inscrição estadual cassados.

Coordenador do Procon de Marechal Rondon, Marcos Vinícius Fediuk: “Devido ao grande número de estabelecimentos comerciais que oferecem esses produtos a fiscalização pode não ser suficiente, por isso é fundamental que a população denuncie” (Foto: Sandro Mesquita/OP)
PROCON MARECHAL
Conforme o coordenador do Procon de Marechal Rondon, Marcos Vinícius Fediuk, ontem (19) foram registradas algumas denúncias a partir de contato telefônico de que empresas do município supostamente estariam praticando preços abusivos nos referidos produtos.
Segundo ele, o Procon está atuando junto ao MP para fiscalizar e punir quem praticar valores abusivos. “Já realizamos uma pesquisa de preços para que possamos mapear o mercado para termos essa percepção. Estamos voltando as atenções especialmente para o álcool gel e para as máscaras de proteção”, expõe.
Fediuk ressalta que é importante a participação dos consumidores para inibir o aumento abusivo dos preços. “Devido ao grande número de estabelecimentos comerciais que oferecem esses produtos a fiscalização pode não ser suficiente, por isso é fundamental que a população denuncie”, solicita.
Ele orienta os consumidores que quiserem denunciar a pedir o cupom fiscal no momento da compra ou em casos que a compra não foi efetuada a pessoa deve fotografar o produto com o preço e algo que identifique o local onde o produto está sendo anunciado. “Depois de formalizada a denúncia, nossas equipes irão ao local para averiguar se a situação se configura, ou não, em abuso de preço”, afirma.
De acordo com Fediuk, as consequências para quem for flagrado praticando preços abusivos são graves. “Parte desde uma multa administrativa junto ao Procon até sanções civis e penais, uma vez que trabalhamos em parceria com o Ministério Público”, salienta.
Na plataforma do Procon foi recentemente criado o link “Abusos do preço do álcool gel 70%”. A ideia é que o consumidor possa fazer a denúncia, se for constatado abuso no preço, especificamente do álcool gel 70%, entretanto, a opção, por enquanto, só é válida para Curitiba e Região Metropolitana.
O coordenador do Procon de Marechal Rondon informa que ainda está sendo definido o que será feito com as denúncias enviadas de outros municípios.
MEDIDAS DE PREVENÇÃO
Em razão aos cuidados para prevenção contra o coronavírus, o Procon de Marechal Rondon suspendeu por tempo indeterminado a tramitação de todos os processos administrativos e as audiências que estavam marcadas. “Já tivemos audiência cancelada devido à ausência da pessoa que apresentava sintomas da doença, por isso, achamos melhor suspender esses procedimentos”, comenta, destacando que, no entanto, o atendimento ao público está mantido.
DENÚNCIAS
As pessoas que quiserem denunciar preços abusivos no comércio rondonense devem entrar em contar pelo telefone (45) 3254-0502, acessar a fanpage do Procon (https://www.facebook.com/pages/category/Public-Service/Procon-Marechal-C%C3%A2ndido-RondonPR-108517477365789/) ou comparecer presencialmente na Rua Santa Catarina, 1124, sede do Procon rondonense.
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