Reflexão sobre o uso crescente da inteligência artificial na produção de conteúdo e a importância da alma humana para manter a autenticidade na escrita.
Tem coisa que a gente sente antes mesmo de entender. Como quando se depara com um texto, uma matéria, um post no LinkedIn — e, antes de terminar o primeiro parágrafo, já vem aquele arrepio leve: “isso aqui tem cara de ChatGPT”.
É como um perfume que se espalha pelos corredores da internet. Não é exatamente ruim. Mas é sempre o mesmo.
Frases que parecem educadas demais. Parágrafos que obedecem uma estrutura tão direitinha que chegam a parecer moldados em silicone. Verbos que nunca tropeçam, mas também não dançam. Um texto que diz tudo — e não diz nada.
Não culpo a ferramenta. Eu mesmo sou amigo íntimo dela. Já pedi títulos, carrossel, texto técnico, vídeo com roteiro e até um decreto fictício entre espécies de pássaros. E o danado entregou.
O problema não tá no ChatGPT. Tá na pressa.
Na pressa de aceitar o primeiro rascunho. De achar que conteúdo bom é conteúdo pronto. Na ilusão de que texto não precisa mais de um humano por trás — só de alguém que copie e cole rápido o suficiente pra não perder o timing.
Só que quem vive de palavra, sente. O texto sem alma cheira à repetição. E cansa.
Eu continuo acreditando em reescrever. Em buscar voz própria. Em virar o texto de cabeça pra baixo até ele soar como algo que, se lido em voz alta, alguém reconheceria: “isso tem a tua marca”.
Porque texto bom não nasce pronto. Texto bom nasce de uma briga: entre a ideia e o silêncio. A IA pode até ser parceira — mas o texto só ganha força e alma quando alguém, de fato, se importa com o que está dizendo.
✍️ Escrito com a ajuda de IA, editado com alma humana.
Por Giuliano De Luca. Ele é jornalista. Editor-chefe do Jornal O Presente Rural e do O Presente Pet