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Região Sul tem mais chances de registrar tornados; saiba por que

Em 43 anos, 581 tornados foram registrados no país, sendo 70% na região Sul


calendar_month 17 de novembro de 2023
5 min de leitura

Em todo o país, a região Sul é a mais propensa a ter tornados. É aponta pesquisa de um grupo de estudantes e professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

O estudo, publicado em outubro deste ano, analisou ocorrências registradas de 1975 a 2018. Nestes 43 anos, 581 tornados foram registrados no país, sendo 70% na região Sul. Juntos, o Paraná, Santa Catarina e o Rio Grande do Sul somaram 411 fenômenos no período.

Apenas no Paraná foram 89 tornados, com a maioria acontecendo no período da tarde.

No mês de outubro de 2023, quando o Paraná foi atingido for fortes tempestades, pelo menos dois tornados foram registrados em diferentes regiões do estado: no dia 4 em Cascavel, e no dia 28 em São José da Boa Vista.

De acordo com a pesquisa, os tornados acontecem com maior frequência nos três estados porque eles são os que recebem primeiramente a ação das massas de ar frio oriundas do Sul-Sudoeste e também sofrem influência das massas de ar quente da região amazônica.

O encontro destas massas pode provocar o aparecimento de supercélulas – que são tempestades caracterizadas pela presença de uma corrente de ar girando no interior da nuvem – com grande potencial para o desenvolvimento de tornados, aponta a equipe.

A América do Sul é o segundo local do mundo com maior número de tornados, atrás apenas dos Estados Unidos, conforme explica a professora coordenadora do projeto dos “caçadores de tornados”, Karin Linete Hornes.

“No Brasil não existe um banco de dados de tornados, então reunimos trabalhos acadêmicos da área, que fazem essa caracterização dos percursos tornádicos, e colocamos num mapa”, conta.

O mapa está em constante transformação e em breve será atualizado, promete o grupo.

Segundo a professora Karin, desastres climáticos sempre ocorreram, desde a época dos dinossauros – e continuarão a acontecer.

“O que temos agora é uma tendência de que mais pessoas sejam atingidas. Como a população aumentou, esses eventos irão encontrar com mais facilidade uma área habitada”, adverte.

A principal pergunta que deve ser feita, para Karin, é como organizar a vida para sobreviver diante dessas situações. “Precisamos pensar nas pessoas que mais precisam, pois elas sempre serão as mais afetadas por esses desastres, por isso a informação de qualidade sobre os fenômenos tem que chegar para a comunidade”.

Mapa de tornados desenvolvidos pelos pesquisadores da UEPG (Foto: Reprodução)

Outras regiões

O estudo aponta que depois do Sul, a maior concentração de tornados de 1975 a 2018 ocorreu na região Sudeste (108), seguida do Centro-Oeste (31); Norte (17); e Nordeste (14).

Dentre as 581 atividades contabilizadas, a categoria mais identificada, com 115 ocorrências, foi a de escala EF1, que se caracteriza por ventos de 117 e 180 km/h.

Como se proteger

A chegada de grandes tempestades requer a preparação.

“A primeira coisa a se fazer é observar seu ambiente e procurar o local mais seguro, que tenha estrutura de concreto, laje e ferro. Geralmente este local é o banheiro”, destaca a professora Karin.

Outra dica é que pessoas se enrolem em cobertores e colchões, para que não se machuquem na passagem do tornado.

“Procure locais que você possa ter mais segurança, evite árvores e postes. Se estiver dentro do carro, permaneça dentro dele em posição fetal e espere a ocorrência passar. Também evite estruturas amplas ou campo aberto, pois a aerodinâmica desses locais permite que o tornado se movimente mais”, completa.

Também é recomendado que pessoas evitem ficar perto de portas, janelas ou estruturas de vidro. Ainda não é possível prever quando um tornado vai ocorrer.

A Defesa Civil envia alertas de tempestades para todos os cadastrados: basta enviar a palavra “consultar” para o número 40199 que, em seguida, as informações são enviadas por SMS.

Tornado passou por São José da Boa Vista (PR) no fim de outubro (Foto: Reprodução)

Caçadores de tornados

Os ‘caçadores de tornados’ da UEPG (Foto: Jéssica Natal/UEPG/Divulgação)

O grupo de pesquisadores da UEPG afirma estar engajado em identificar e catalogar desastres climáticos no Brasil. Com o conhecimento adquirido, eles organizam palestras e atividades com a comunidade para ensinar a identificar sinais de tornados e demais ações climáticas.

A acadêmica Loriane Gomes de Almeida, do curso de Licenciatura em Geografia, foi quem mapeou os tornados de 1975 a 2018.

“Muitas pessoas não têm noção de que existe a ocorrência de tornados no Brasil, eles pensam que é uma coisa que acontece apenas nos Estados Unidos. Então, muitas vezes, pensam que é apenas uma tempestade, por isso nosso trabalho é tão importante”, ressalta.

Além da professora Karin Hornes, e da acadêmica Loriane, a equipe conta com:

Jaqueline Estivallet, técnica em meteorologia, que conta com um acervo histórico de tornados no Brasil;
Maria Cristina Piotrovski, aluna do Bacharelado em Geografia, que está dando continuidade aos mapeamentos dos tornados, a partir de 2018;
Thiago Mej, mestrando em Geografia, pesquisador de rastros de tornado no Paraná;
Adriano Kapp Júnior, mestrando da Pós em Geografia que pesquisa desastres climáticos em Ponta Grossa;
e Rodrigo Alves Gabre, que pesquisa a tempestade de São João Maria de 1927.

Com G1

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