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Relatório final sobre queda da Voepass será divulgado após quase dois anos de investigação em São Paulo

calendar_month 21 de julho de 2026
3 min de leitura

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apresentará, na próxima quinta-feira (23), o relatório final sobre a queda do voo 2283 da Voepass, acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em 9 de agosto de 2024. A divulgação ocorrerá durante uma coletiva de imprensa em Brasília e marcará o encerramento da investigação técnica conduzida pelo órgão da Força Aérea Brasileira (FAB).

A expectativa é que o documento apresente os fatores contribuintes para a queda do ATR 72-500 e traga recomendações voltadas ao aprimoramento da segurança da aviação civil. Diferentemente de investigações criminais, o objetivo do Cenipa não é atribuir culpa ou responsabilidade, mas identificar circunstâncias que possam evitar acidentes semelhantes no futuro.

A apuração foi uma das mais complexas da aviação brasileira nos últimos anos. Os investigadores analisaram os gravadores de voz da cabine (CVR) e de dados de voo (FDR), examinaram motores, sistemas de degelo e proteção contra estol, além das condições meteorológicas registradas no momento do acidente. Também foram avaliados documentos de manutenção, certificados médicos da tripulação, componentes recuperados dos destroços e mais de 15 mil voos realizados por aeronaves do mesmo modelo.

A investigação ainda incluiu entrevistas com pilotos, mecânicos e outros profissionais, testes em simuladores e um voo experimental com outro ATR 72-500. Antes da conclusão, o relatório passou pela revisão de autoridades internacionais, conforme as normas da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI). O documento foi analisado pelo BEA, da França, responsável pelo país onde a aeronave foi desenvolvida, e pelo TSB, do Canadá, ligado à certificação dos motores.

O relatório preliminar, divulgado em setembro de 2024, indicou que a tripulação recebeu sucessivos alertas de formação de gelo durante a fase final do voo e que a aeronave entrou em uma condição anormal antes de perder altitude rapidamente. Na ocasião, o Cenipa ressaltou que aquelas informações não representavam a conclusão da investigação.

Enquanto a investigação técnica chega ao fim, a Polícia Federal mantém um inquérito para apurar eventual responsabilidade criminal pelo acidente. O caso será encaminhado ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre possíveis medidas judiciais.

O voo 2283 havia decolado de Cascavel (PR) com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos. A queda sobre um condomínio em Vinhedo matou os 58 passageiros e os quatro tripulantes a bordo, tornando-se o acidente aéreo mais grave do Brasil desde o desastre da TAM, em 2007. A divulgação do relatório final é aguardada por familiares das vítimas e por especialistas como um passo decisivo para esclarecer as circunstâncias da tragédia e fortalecer a segurança dos voos no país.

Com Tarobá News

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