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Riscos na agricultura é pauta do Conselho Agropecuário – por Urbano Mertz

calendar_month 25 de fevereiro de 2022
3 min de leitura

Marechal Cândido Rondon tem uma tradição de participação das entidades na discussão de políticas públicas e de apontamento de soluções para os diversos problemas que acontecem na sociedade.

Uma destas organizações é o Conselho Municipal de Desenvolvimento Agropecuário (CMDA), que reúne representantes de órgãos públicos, das entidades da sociedade civil e de empresas locais. O CMDA atua no município desde 1989, somente tendo parado com as reuniões mensais e outras atividades nos últimos dois anos por causa da pandemia.

Este ano, retomando as reuniões em fevereiro, foram discutidos diversos assuntos de grande importância para o setor agropecuário do município. Uma das questões discutidas foi o aumento de custos de produção da agricultura. Em geral, os custos têm acompanhado de forma proporcional o preço final da soja, que foi de um patamar médio de R$ 75/saca, em valores não deflacionados, entre 2016 e 2019, para um valor atual de R$ 190/saca.

Conforme levantamento preliminar, o custo de produção de um alqueire de soja pode chegar a R$ 90/saca, tendo em vista a intensa alta dos insumos, tais como sementes, adubos, agrotóxicos e os serviços de mecanização. Maior preocupação é com os arrendamentos, em que os contratos preveem pagamento fixo, geralmente firmado em 50 sacos de soja/alqueire arrendado, o que aumenta o custo para 140 sacos por alqueire.

Neste caso, o risco para o agricultor arrendatário é muito grande em caso de eventual quebra de safra, mas, principalmente, caso houver uma baixa no preço da soja. Se a próxima safra de soja nos Estados Unidos, no Brasil e na Argentina for dentro da normalidade, haverá uma oferta maior para uma demanda em baixa. Neste caso, motivo de preocupação é o anúncio da China de reduzir em cerca de 30 milhões de toneladas a importação de soja em 2022, o que pode impactar o mercado, jogando o preço para baixo.

A sugestão dos conselheiros é quanto à necessidade de renegociação dos contratos de arrendamento, buscando pagar somente um percentual sobre a produção, o que reduz os riscos do arrendatário. Este percentual já é atualmente negociado em muitos contratos de arrendamento, com a cultura de verão em 30% e a cultura de inverno em 20% sobre a produção efetivamente colhida.

O ano de 2022 tem muitos desafios pela frente, que vão desde a superação dos impactos da estiagem, mas também em diversos outros setores: como na suinocultura, na piscicultura e na bovinocultura de leite, todos afetados pela redução da demanda, altos custos de produção e dificuldade na obtenção de crédito subsidiado. Neste caso, o aumento da taxa Selic esgotou os recursos do Plano Safra 2021/2022 para o subsídio dos juros de crédito rural.

O CMDA, no seu papel de catalizador dos problemas do setor agropecuário do município, pode contribuir para a elaboração de propostas aos órgãos públicos e lideranças políticas em secretarias e ministérios. Isto já foi possível em outras ocasiões e certamente se fará necessário este ano de 2022.

 

Urbano Mertz é engenheiro agrônomo, vice-presidente do Conselho de Desenvolvimento Agropecuário de Marechal Cândido Rondon e inspetor do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR)

urbanomertz2019@gmail.com

 

 

 
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