Os anzóis estão lançados nos belos espelhos d’água projetados por Niemeyer e no alagado do Paranoá: peixinhos e peixões, famintos, degustam as iscas, de leve, antes de abocanhá-las.
É a eleição para a presidência do Senado e da Câmara, onde até peixe de água salgada, cujo habitat natural está a centenas de quilômetros do Planalto, Baleia está na disputa.
Baleia Rossi é o nome do candidato que preconiza a independência do Legislativo. Não se trata de apelido. É nome mesmo: Luiz Felipe Baleia Rossi. Ele tem o apoio do inimigo declarado do Planalto, Rodrigo Maia.
O oponente também é peixe grande. Liderança do Centrão, bloco fisiológico do Congresso, Arthur Lira presta continência para o capitão Bolsonaro.
Se dependesse do pequeno colégio eleitoral do Oeste do Paraná, composto de cinco deputado federais, Baleia encalharia em algum afluente do Paranazão, Iguaçu ou Piquiri.
O Pitoco ouviu cada um deles, no início desta semana. “Se o Lira não vencer, o governo Bolsonaro acaba. São 30 CPIs na gaveta. O PT e o PSOL vão terminar com o Bolsonaro”, diz Schiavinato.
“Vou acompanhar a decisão de meu partido, o PL. Voto no Lira”, falou Fernando Giacobo. O deputado Vermelho, com domicílio eleitoral na fronteira, está mais para verde oliva: também cravou o candidato bolsonarista do Centrão.
Vamos aos cascavelenses: Evandro Roman é suplente de deputado. Amigo de Maia, ficou entre a cruz e a espada. Se não votar em Lira, Ratinho Junior – cujo pai é bolsonarista até a medula – convoca os titulares do mandato para marchar no mesmo passo do Palácio do Planalto.
Roman declarou ao jornal “Estadão” que irá votar em Lira. Neste contexto, o único voto nos mares de água doce oestinos vem do deputado Hermes Parcianello.
“Completei 18 anos em 25 de abril de 1976. Neste dia, pela manhã, fui ao Cartório Eleitoral e fiz o título de eleitor. À tarde fui ao diretório do MDB filiar-me. Passados quase 45 anos, continuo no partido sem nunca ter saído”, disse Frangão.
Sim, Baleia é do MDB. Frangão é Baleia. O único voto declarado do Oeste para o candidato que irá enfrentar o rolo compressor bolsonarista.
Em tempo: nem todos são peixes famintos em busca de iscas apetitosas. Justiça seja feita, uma boa parcela dos congressistas brasileiros são homens e mulheres decentes e corretos. Mas o volume de piranhas é bastante expressivo e, possivelmente, majoritário nos cardumes que frequentam o lago Paranoá e seus entornos.
Disputa será renhida
Baleia e Lira possuem vistosas capivaras. A do alagoano do Centrão é algumas arrobas mais gorda: ele foi dedurado pelo notório doleiro Alberto Youssef, operador financeiro do PP, no contexto da Lava Jato.
Também respondeu por rachadinhas e outros rolos quando presidia a Assembleia alagoana. Lira foi às barras da Justiça ainda por supostas agressões físicas contra a ex-esposa, que apontou movimentações milionárias nas contas da família.
Baleia teve o nome envolvido no esquema da merenda escolar em São Paulo. O deputado foi fisgado também na Lava Jato, citado na delação premiada de Joesley Batista, da JBS.
Aqui não tem espaço para discurseira ideológica de esquerda nem direita. Ambos, Baleia e Lira, deram sustentação política aos governos de Dilma, Lula e Temer.
Quem leva? Hoje Baleia tem mais votos, porém o peixe morre pela boca. E ele só tem a boca. Lira tem cargos para distribuir no governo que refutava o “toma-lá-da-cá” e promessas de emendas.
É uma disputa duríssima, que possivelmente será decidida por outro peixe famoso: a traíra, já que o voto é secreto.

Nelsi Coguetto Maria (Vermelho) (Fotos: Divulgação)

Fernando Giacobo

Evandro Roman

José Carlos Schiavinato

Hermes Parcianello (Frangão)
Por Jairo Eduardo, editor do Pitoco