Geral Bilhões de dólares

Seca no Cone Sul será um dos desastres mais caros no mundo em 2022

(Foto: Reprodução/Twitter @igormuller)

A seca que atinge os países do Cone Sul da América do Sul já é um desastre de bilhões de dólares e será um dos maiores no mundo no ano de 2022, destaca a MetSul Meteorologia. Os prejuízos na agricultura da Argentina, Uruguai, Paraguai, Sul do Brasil e Mato Grosso do Sul são bilionários e crescentes com tendência de agravamento da situação pela continuidade da seca até o final do verão em algumas áreas destas regiões.

A Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera dos Estados Unidos (NOAA), o setor de seguros e resseguros, e o EM-DAT (Emergency Events Database) que contém dados de mais de 22 mil desastres no mundo de 1900 a dias atuais, catalogam os desastres naturais pelo seu prejuízo. Eles incluem terremotos, erupções vulcânicas, secas, enchentes, ciclones, etc. A seca no Cone Sul vai ingressar na base de dados de desastres naturais de bilhões de dólares de 2022.

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Balanço da NOAA de 2021 apontou 20 desastres com custo de ao menos um bilhão de dólares nos Estados Unidos em 2021. O custo total dos desastres de bilhões de dólares no ano foi de 145 bilhões de dólares, o terceiro maior registrado desde 1980. A tempestade Ida trouxe danos de 75 bilhões de dólares, o quinto maior valor em qualquer ciclone tropical no banco de dados de bilhões de dólares da NOAA.

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Em 2021, dentre os eventos com danos de ao menos um bilhão de dólares nos Estados Unidos, houve uma onda de frio com tempestade de inverno no Sul e no Texas, episódio de fogo (incêndios florestais no Oeste do Arizona, Califórnia, Colorado, Idaho, Montana, Oregon e Washington), um evento de seca e onda de calor (verão e outono no Oeste), dois eventos de inundação (na Califórnia e Louisiana), três ondas de tornados (incluindo as de dezembro), quatro ciclones tropicais (Elsa, Fred, Ida e Nicholas) e oito episódios de tempo severo (incluindo o derecho do Meio-Oeste de dezembro).

SECA TRAZ PREJUÍZO BILIONÁRIO EM VÁRIOS ESTADOS

As perdas do Valor Bruto da Produção (VBP) das culturas da soja e do milho provocadas pela estiagem podem ultrapassar R$ 19,77 bilhões de reais no Rio Grande do Sul, onde mais de 200 municípios estão hoje em emergência por estiagem, o equivalente a 3,5 bilhões de dólares.

A cifra corresponde aos recursos financeiros que os produtores deixarão de obter na comercialização dos dois grãos em razão da quebra de safra. A estimativa é da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (FecoAgro-RS). De acordo com o levantamento, o impacto negativo da estiagem chega a R$ 14,36 bilhões nas lavouras de soja e a R$ R$ 5,41 bilhões nas de milho.

Segundo o economista da FecoAgro-RS, Tarcísio Minetto, a metodologia de cálculo baseou-se na primeira estimativa de produção do ciclo 2021/2022 divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro que era de 20,95 milhões de toneladas para a oleaginosa e 6,09 milhões de toneladas para o milho.

Aos volumes, foi aplicado o percentual de perdas informado pela Rede Técnica Cooperativa (RTC) e pela FecoAgro-RS na semana passada, quando a quebra de safra estava em 59,2% no milho sequeiro, 13,5% no milho irrigado e 24% na cultura de soja.

Em Santa Catarina, as regiões Extremo Oeste, Oeste e Meio Oeste são as mais afetadas. A principal preocupação do setor produtivo é a quebra na safra de milho – tanto milho grão quanto silagem – que deve impactar diretamente as cadeias produtivas de carne e leite. No Extremo Oeste, a colheita de milho esperada deve ter uma redução de até 50% e a expectativa de safra estadual já está sendo reduzida.

No Paraná, os prejuízos são enormes. A estimativa era de uma colheita de 21 milhões de toneladas de soja, mas hoje a tendência é colher 13 milhões de toneladas ou menos à medida que novos balanços devem apontar uma piora do cenário. No milho paranaense, o cenário é ainda mais preocupante. O estado pretendia colher 4,2 milhões de toneladas e reduziu a estimativa para 2,4 milhões de toneladas.

No Mato Grosso do Sul, levantamento feito pela Aprosoja-MS, Semagro e Famasul mostra que a estiagem provocou a retração de 4,77% na produtividade prevista para safra de soja de 2021/2022, caindo de 56,38 para 53,69 sacas por hectares. A expectativa que era de 12,773 milhões de toneladas, agora está em 12,164 milhões. O governo estadual declarou emergência pela seca.

DESASTRE AGRÍCOLA NO CONE SUL

A falta de chuva nas regiões agrícolas vem devastando a produção de soja nos países do Mercosul, aponta a TF Consultoria Agroeconômica. O segundo ano consecutivo de influência de La Niña afetou fortemente a produção com uma queda significativa nos rendimentos.

De acordo com o consultor agrícola argentino Pablo Andreani, diretor da Agripac, as perdas totais da soja chegam a 19 milhões de toneladas se comparadas às estimativas de novembro e dezembro, onde o resultado passou de 204 milhões para 185 milhões de toneladas. O cálculo não inclui outras culturas como o milho.

O Ministério da Agricultura da Argentina prepara a ampliação de fundos emergenciais para ajudar os produtores afetados pela seca que está ocorrendo em grande parte do país. Existe preocupação com a evolução da chamada zona núcleo, principalmente no que diz respeito ao milho de primeiro ciclo, soja, e a falta de disponibilidade de forragem ou pastagem para pecuária em algumas localidades.

O Uruguai entra em emergência agrícola devido ao déficit hídrico que várias partes do país estão enfrentando. A declaração implica, por exemplo, a liberação de recursos como o Fundo Agrícola Emergencial e medidas para viabilizar linhas de crédito e auxiliar na disponibilidade de água para o gado.

ALERTA PARA O FUTURO DE SECAS

As Nações Unidas alertam que a aceleração das mudanças climáticas está causando uma dramática intensificação dos desastres globais causados ​​por seca, que ameaçam a produção agrícola, o abastecimento de água potável do mundo e outros aspectos essenciais do desenvolvimento humano. O Escritório da ONU para Redução de Riscos de Desastres lançou um “Relatório Especial sobre a Seca 2021”.

Pesquisadores da ONU dizem que a seca afetou mais pessoas em todo o mundo nas últimas quatro décadas do que qualquer outro tipo de desastre natural. O relatório da ONU alerta que o impacto da emergência da seca causada pelo clima na vida e nos meios de subsistência das pessoas em todo o planeta piorará nos próximos anos.

O representante especial do secretário-geral da ONU para redução de risco de desastres, Mami Mizutori, diz que secas afetaram diretamente 1,5 bilhão de pessoas até agora neste século. Ela diz que a maior parte do mundo viverá com estresse hídrico nos próximos anos, à medida que os desastres de seca aumentarem.

Segundo Mizutori, a seca é um fator importante na degradação da terra e é responsável pelo declínio dos rendimentos das principais culturas. Ela acrescenta que a mudança nos padrões de chuva e a variabilidade representam um risco para 70% da agricultura global que depende da chuva.

“Um planeta em aquecimento ameaça multiplicar o número de pessoas sem acesso a água potável e saneamento, aumentando assim seriamente a propagação de doenças, o risco de deslocamento e o potencial até mesmo de conflito por recursos hídricos escassos”, disse.

 

Com Metsul

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