O Sul do Rio Grande do Sul registrou o segundo tornado em poucos dias na tarde do domingo (15), com o cenário de forte instabilidade atmosférica que tem marcado a região desde o final da semana passada. Os danos foram menores, uma vez que o fenômeno ocorreu em áreas muito pouco habitadas.
O novo episódio de tornado ocorreu entre os municípios de Encruzilhada do Sul e Canguçu, em área predominantemente rural, e foi visível também a partir de Amaral Ferrador.
O fenômeno foi filmado na localidade de Abranjo, no interior de Encruzilhada do Sul, e nas proximidades do Assentamento Renascer, já no território de Canguçu.
O funil permaneceu ativo por quase dez minutos, tempo suficiente para tocar o solo e provocar danos pontuais e permitir que observados registrassem em vídeos o fenômeno severo localizado de vento.
Conforme o portal Canguçu em Foco, houve relato de estragos em ao menos uma residência no assentamento e prejuízos em lavouras de soja no lado de Encruzilhada do Sul. Como se trata de uma região pouco habitada, os impactos foram limitados, mas as imagens impressionaram pela nitidez do cone e pela força do vento ao levantar poeira e detritos.
A ocorrência de ontem se soma ao tornado registrado na última quinta-feira (12) em Pelotas, quando uma linha de tempestades avançou sobre o município, causando estragos na principal cidade do Sul gaúcho.
O episódio da quinta causou queda de postes, galhos de árvores e danos estruturais, incluindo estragos em uma oficina mecânica no bairro Fragata pela passagem do tornado de muita curta duração e ventos intensos muito localizados.
Tornados podem não ser incomuns em áreas rurais do Estado, mas muitas vezes passam sem registro. Com a ampliação do acesso à tecnologia, fenômenos antes restritos a relatos isolados agora ganham documentação em vídeo, o que induz a crença de que a frequência deste tipo de fenômeno está aumentando muito.
Condições eram favoráveis a tempos severos
As condições eram favoráveis a episódios localizados severos de vento ontem com a atuação de uma fraca corrente de jato em baixos níveis e temperatura alta na atmosfera na dianteira de uma frente fria.
Correntes de jato em baixos níveis, uma espécie de corredor de vento a cerca de 1.500 metros de altitude que se origina na Bolívia e vem até o Sul do Brasil, transportando ar quente, estão presentes na esmagadora maioria dos episódios de tornado no Sul do Brasil.
Contribuem para gerar um padrão de vento divergente de vento na atmosfera (o que tecnicamente é chamado de cisalhamento na Meteorologia), o que está presente na gênese de tornados.
A atmosfera estava ainda muito instável sob influência de uma massa de ar tropical quente e úmido que formou nuvens carregadas de desenvolvimento vertical na tarde e noite do domingo no Sul e no Leste do Rio Grande do Sul.
O que é um tornado?
Os tornados são fenômenos meteorológicos extremos e destrutivos caracterizados por colunas de ar em rotação intensa que se estendem da base de uma tempestade para a superfície da Terra.
Esses redemoinhos violentos são conhecidos por sua capacidade devastadora, capaz de causar grande destruição em segundos a minutos. A escala Fujita, frequentemente usada para classificar a intensidade de tornados, varia de F0 a F5, sendo F5 o mais poderoso.

Os tornados geralmente se formam em áreas onde massas de ar quente e úmido encontram massas de ar frio e seco, criando condições ideais para o desenvolvimento desses vórtices.
Tornados ocorrem em muitas partes do mundo, incluindo Austrália, Europa, África, Ásia e América do Sul. Até a Nova Zelândia relata cerca de 20 tornados por ano. Duas das maiores concentrações de tornados fora dos Estados Unidos são nas latitudes médias da América do Sul e em Bangladesh.
Cerca de 1.200 tornados atingem os Estados Unidos anualmente. Como os registros oficiais de tornados datam apenas de 1950, não se sabe o número médio real de tornados que ocorrem a cada ano. Além disso, os métodos de detecção e relato de tornados mudaram muito nas últimas décadas, o que significa que a estatística hoje considera tornados que no passado não entrariam na contabilidade. O Brasil não possui um banco de dados robusto sobre estas ocorrências no país ao longo da história e projetos de verificação e contabilidade de eventos são incipientes.
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