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Seu filho come mal? É preciso ajudá-lo!

calendar_month 7 de abril de 2017
8 min de leitura

Divulgação

As crianças aprendem a pedir e a agradecer, a olhar para os lados antes de atravessar a rua, a escovar os dentes sozinhas e a amarrar os próprios sapatos, mas trincam os dentes quando veem uma folha de rúcula.

Filhos que comem bem ainda são um sonho para muitos pais. Contudo, o que a maioria não sabe é que quem determina se vai pôr no mundo um simpático experimentador do que for servido à mesa ou um adorador de biscoitos recheados é, invariavelmente, a família.

Um estudo divulgado no último ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que 19% das crianças brasileiras com menos de cinco anos têm risco de sobrepeso, 7,9% estão acima do peso e 7,3% são obesas. O índice pode ser relacionado a dados de consumo preocupantes: quase um terço das crianças (32,3% no Brasil e 38,5% na região Sul) com menos de dois anos toma refrigerante ou suco artificial e 60,8% nessa faixa etária consome biscoitos, bolachas ou bolos.

 

Projetos

Entre inúmeras iniciativas, dois projetos distintos desenvolvidos em Marechal Cândido Rondon objetivam que as crianças adotem hábitos alimentares saudáveis. Trata-se do Quero Emagrecer Kids, desenvolvido pelo Convênio Sempre Vida, e do Nutri Heróis, realizado pela prefeitura, por intermédio da Secretaria Municipal de Educação. Ambas as ações estão trazendo resultados positivos ao público-alvo e aos seus familiares, que aos poucos se conscientizam sobre a importância de se alimentar corretamente para levarem uma vida saudável.

As nutricionistas Keli Lang Schäfer e Mônica Stolarski, que atuam no Quero Emagrecer Kids, comentam que o projeto atende crianças de inúmeras cidades da região, que são distribuídas em grupos de oito a 12 anos e de 13 a 17 anos. No último ano o projeto contou com 37 crianças, já neste ano são 14 pessoas.

As inscrições permanecem abertas pelo telefone (45) 3284-7100 para que os responsáveis sejam orientados em relação ao funcionamento, bem como se a criança se encaixa no horário e nas turmas disponíveis. O programa, que neste ano está na 2ª edição, é realizado nas segundas-feiras, sendo que um dos encontros conta com a participação da nutricionista, enquanto o outro é conduzido por uma psicóloga.

 

Acompanhamento

Segundo elas, um trabalho individualizado é realizado no caso de crianças com sobrepeso ou dificuldade de se alimentarem e que tenham até oito anos de idade. Isso ocorre porque há atividades exigindo que as crianças saibam ler e escrever, por isso as menores devem ser trazidas pelas mães ao consultório.

De acordo com Mônica, o objetivo é estimular a reeducação alimentar. Aqueles pais que têm crianças que sentem dificuldade em comer alimentos saudáveis, como frutas e verduras, devem receber este aprendizado para saber de onde vêm esses alimentos. Saber como consumir e experimentar o que é diferente. A ideia é conseguir que os pais façam a criança provar alimentos saudáveis, por isso o projeto tem aulas práticas nas quais a gente leva as crianças para a cozinha. Elas têm contato com o alimento, pegam e descascam, ou seja, nós procuramos envolver as crianças na cozinha, explica.

Conforme as profissionais, os casos atendidos são os mais diversos. Há crianças com sobrepeso, assim como existem crianças partindo para a obesidade. Por estarem na idade de desenvolvimento e crescimento em termos de estatura, as nutricionistas explicam que não exigem sempre o emagrecimento, mas, sim, que seja melhorada a qualidade da alimentação das crianças, o que vai refletir na manutenção e na perda de peso, contribuindo para evitar o surgimento de doenças em outras fases da vida.

 

Estímulo

Keli salienta que no grupo também acontecem reuniões com os pais. Nós falamos que eles devem dar o exemplo aos seus filhos, por isso se envolvem no projeto e acompanham os filhos nas tarefas que levam para casa. Pedimos para que os pais insistam mais com a criança e mostrem mais, que a leve junto ao mercado e sugiram que escolha a fruta e a verdura para consumir, além de ajudar a guardar as compras para que a criança tenha iniciativa e mais vontade de consumir frutas, legumes e verduras, expõe.

A profissional comenta que a família deve envolver  as crianças, fazendo-as participar do processo de preparo dos alimentos, porque hoje em dia muitas mães obrigam as crianças a comerem, mas não as incluem no processo. É importante que os pais tenham paciência e não façam comparações entre irmãos ou outras crianças, enaltece.

Segundo a nutricionista, os pais nunca devem parar de servir alimentos saudáveis nos pratos de seus filhos, pois com o tempo as crianças vão se propor a experimentar. Além disso, acrescenta ela, é preciso evitar ter em casa alimentos como doces, refrigerantes e industrializados, pois tais alimentos não são ingredientes saudáveis. É fundamental ter paciência, incentivo, motivação e sempre oferecer uma fruta como opção, ressalta.

Recentemente a mãe de uma menina atendida pelo projeto informou que a coordenadora da escola onde sua filha estuda relatou que os cuidados da menina na alimentação se estenderam à melhoria na relação com os colegas e professores. A coordenadora disse a ela que a menina está interagindo bem melhor na escola e que se mostra mais disposta. Isso se deve ao incentivo da família e também à prática sugerida pelo projeto, pois se a criança dá a primeira bocada e experimenta o alimento, ela tira de dentro de si esse trauma de não querer provar. Aquela primeira insistência da mãe serve de estímulo para que em casa a criança tenha interesse em provar outros alimentos. É uma evolução gradativa, destaca.

 

Bom exemplo

A menina do projeto é Camila Carreiro, de nove anos, aluna da Escola Municipal Ana Paula, em Marechal Rondon. Ela começou a participar do Quero Emagrecer Kids no ano passado e foi rematriculada neste ano.

A mãe dela, Marta, lembra que no início Camila não se mostrou favorável à ideia, contudo mudou de opinião, adotou uma alimentação saudável e perdeu quatro quilos. A reeducação alimentar da menina está sendo muito boa, tanto que para ela tem sido muito prazeroso provar frutas, legumes e verduras. A mudança de postura nos hábitos alimentares fez com que a rondonense se tornasse um bom exemplo para os colegas.

Marta menciona que antes de participar do programa Camila não comia salada e agora come, além do mais, atualmente sente prazer em se alimentar de maneira saudável. Pelo menos três vezes por semana a minha filha se alimenta com frutas, quando antes havia resistência, conta a mãe, toda orgulhosa. Segundo ela, o que contribuiu para os novos hábitos na Camila foi que a família se adaptou e deu a maior força. A gente adaptou os hábitos alimentares para estimular a reeducação alimentar na Camila, o que foi positivo porque a gente também emagreceu um pouco. Nós nos sentimos melhor de saúde e muito mais dispostos do que antes, revela.

Marta define a filha Camila como sendo bastante participativa e comprometida. A dedicação da Camila também proporcionou melhora considerável no desempenho escolar. Minha filha era acostumada a ter boas notas, mas ano passado isso se tornou mais visível através da média 90 em praticamente todas as disciplinas. O Quero Emagrecer Kids está sendo muito positivo para Camila e por extensão a todos nós. Estamos muito felizes, comemora.

 

Orientações

Se alimentar de maneira saudável não deve estar vinculado às emoções, ou seja, os pais não devem prometer recompensas do tipo: coma a salada que depois terá sobremesa. A criança poderá interpretar ser um sacrifício comer salada, enquanto o doce permanecerá prazeroso. Outra dica das nutricionistas é que a comida caseira é sempre melhor.

A criança que se alimenta bem tem mais disposição, desenvolvimento adequado, melhor disponibilidade física e cognitiva. Quem come mal terá déficit em algum momento, podendo ser até na fase adulta, através da obesidade, exames alterados, diabetes e doenças cardíacas. Tudo está relacionado com a má alimentação durante a infância.

Na rede municipal de educação, 11% das crianças estão com obesidade e 12% com sobrepeso

O projeto Nutri Heróis, desenvolvido desde o ano de 2014 em Marechal Cândido Rondon, atualmente atende 4,5 mil crianças em idade escolar, das quais 3,5 mil na rede municipal de educação e outras mil nos Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs).

De acordo com Jaciara Reis, nutricionista e responsável técnica pela alimentação escolar, em 2016 o índice se manteve sendo de 11% para crianças com obesidade e 12% com sobrepeso no caso do público que frequenta as escolas municipais, enquanto 85% das crianças que frequentam os CMEIs estão com o peso normal.

Jaciara menciona que novas avaliações com os estudantes serão realizadas até o próximo dia 20, cujo resultado será divulgado no dia 30. O trabalho desenvolvido com os alunos está voltado em oficinas de gastronomia, feiras nas escolas e visitas aos produtores rurais. Os pais dos alunos participam de palestras, enquanto os estudantes trabalham teatros sobre alimentação, diz.

Embora os índices de obesidade ainda não tenham diminuído nos alunos da rede municipal, Jaciara avalia que o trabalho surte efeitos positivos. Nós percebemos o aumento gradativo na ingestão de saladas, uma vez que as crianças estão mais conscientes sobre a importância de consumir hortaliças. A alimentação à base de frutas no geral é boa, comenta.

Apesar de ser realizado nas escolas, o trabalho é desenvolvido em parceria entre as secretarias de Educação, de Saúde e de Assistência Social. Os pais das crianças com sobrepeso ou obesidade são convidados a conhecer o projeto Nutri Heróis, já as crianças participam das atividades no contraturno escolar. São realizadas palestras com psicólogas e de combate à obesidade, apresentando as consequências da obesidade nas crianças, expõe.

 
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