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Sexta-feira 13! Superstição atravessa séculos e divide opiniões

Medo da data tem nome científico, atravessa séculos e mistura religião, cultura popular e teorias


calendar_month 13 de fevereiro de 2026
4 min de leitura

Quando o calendário marca uma sexta-feira 13, a reação varia entre brincadeiras e cautela. A fama de dia azarado é forte no mundo ocidental, mas nem tudo o que se diz sobre a data tem comprovação histórica.

Especialistas explicam que a superstição é resultado de um mosaico cultural construído ao longo dos séculos, misturando religião, tradição oral e literatura.

O medo da data realmente existe e tem nome

O temor específico da sexta-feira 13 é chamado de parascevedecatriafobia, termo derivado do grego que significa, literalmente, medo da sexta-feira treze. É uma variação da triscaidecafobia, que é o medo do número 13.

O número 13 já era visto como problemático

Historiadores apontam que o 13 passou a ser considerado “imperfeito” por estar além do número 12, tradicionalmente visto como completo em várias culturas. Doze meses no ano, doze signos, doze apóstolos. O 13 quebraria essa harmonia simbólica.

A associação com a Última Ceia é culturalmente aceita

Na tradição cristã, a Última Ceia reuniu Jesus Cristo e seus 12 discípulos, totalizando 13 pessoas à mesa. Judas Iscariotes, apontado como o traidor, teria sido o 13º a chegar segundo a tradição popular.

Embora não haja um registro bíblico que destaque formalmente a ordem de chegada, a narrativa ajudou a consolidar a ideia de que 13 pessoas reunidas poderia trazer má sorte.

Sexta-feira também já foi considerada um dia negativo

Alguns eventos da tradição cristã teriam ocorrido em uma sexta-feira, incluindo a crucificação de Jesus. Isso contribuiu para que o dia carregasse, simbolicamente, uma conotação negativa em certos períodos históricos.

A superstição ganhou força no século XIX

Pesquisadores indicam que a combinação “sexta-feira + 13” só se popularizou mesmo no século 19. Em 1907, o romance Friday, the Thirteenth, de Thomas W. Lawson, explorou o medo da data em uma trama envolvendo o mercado financeiro, ajudando a fixar o conceito no imaginário popular.

Décadas depois, o cinema ampliou essa fama com o filme Friday the 13th, lançado em 1980, que transformou a data em sinônimo de terror para gerações.

Não é superstição universal

Em países como Espanha e Grécia, o dia considerado azarado é a terça-feira 13. Já na Itália, a superstição costuma recair sobre a sexta-feira 17. Isso demonstra que o medo não é universal, mas cultural.

O que não é comprovado

A origem na mitologia nórdica

Existe uma lenda envolvendo Loki, personagem da mitologia nórdica, que teria invadido um banquete elevando o número de convidados para 13, culminando na morte de Balder.

No entanto, historiadores afirmam que não há evidência direta de que essa narrativa seja a origem da superstição da sexta-feira 13. Trata-se de uma interpretação posterior, não de um registro histórico que conecte claramente o mito à data.

A teoria dos Cavaleiros Templários

É popular a ideia de que a superstição teria começado com a prisão de membros da Ordem dos Templários em uma sexta-feira, 13 de outubro de 1307.

Especialistas, porém, apontam que não há registros históricos indicando que a população da época tenha associado o episódio à má sorte. A conexão ganhou força apenas séculos depois, especialmente após o romance O Código Da Vinci, de Dan Brown, que ajudou a popularizar essa narrativa.

Entre crença e cultura

Do ponto de vista científico, não há qualquer evidência de que a sexta-feira 13 aumente riscos ou provoque acontecimentos negativos. A data é resultado de uma construção cultural que mistura simbolismo religioso, literatura e tradição popular.

Para alguns, é apenas mais um dia comum no calendário. Para outros, ainda é sinônimo de cautela.

No fim das contas, a sexta-feira 13 revela mais sobre a força das histórias que atravessam gerações do que sobre azar propriamente dito.

Com Catve

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