A comunidade católica da região iniciou, na noite de quinta-feira, as tradicionais vigílias que antecedem a Sexta-feira Santa (3), data que marca a crucificação e morte de Jesus Cristo. Considerado um dia de profundo luto e introspecção, a data é o único momento do calendário litúrgico em que não se celebram missas em nenhuma parte do mundo. No lugar da liturgia convencional, as igrejas realizam a Solene Ação Litúrgica da Paixão do Senhor, tradicionalmente agendada para as 15h, horário que remete ao momento da morte de Jesus no Calvário.
Para os fiéis, o dia é regido por regras de jejum e abstinência de carne, práticas penitenciais obrigatórias que visam a união espiritual com o sofrimento de Cristo. A cor litúrgica utilizada é o vermelho, simbolizando o sangue derramado, e os altares permanecem desnudados, sem flores ou ornamentos. Em muitas comunidades, as imagens de santos continuam encobertas por panos roxos, reforçando o clima de luto e convidando à meditação sobre o “padecimento” — sentido original da palavra “Paixão” derivada do latim.
O pároco da Paróquia Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, Padre Fabio Batistella, explica que o silêncio da data reflete a ausência física de Jesus. “É o único dia no mundo inteiro que não tem Eucaristia, porque Jesus está morto. Passamos o dia em adoração ao Cristo e unimos os nossos sofrimentos aos dele, com a certeza de que quem em Cristo morre, em Cristo vive eternamente”, afirmou o sacerdote. Ele destaca ainda que a programação inclui momentos de devoção popular, como a Via Sacra durante a manhã e procissões com o Cristo Morto após a celebração das 15h.
A estrutura da celebração desta sexta-feira foge ao rito comum: o sacerdote inicia o ato prostrando-se ao chão em silêncio absoluto. A liturgia segue com a leitura detalhada da Paixão segundo São João, a Oração Universal — que inclui preces por toda a humanidade, inclusive por aqueles que não creem — e a Veneração da Santa Cruz, onde os fiéis são convidados ao gesto do beijo na cruz ou à genuflexão. A comunhão distribuída neste dia provém das hóstias consagradas na missa da noite anterior, reforçando o vínculo de continuidade do Tríduo Pascal.
À noite, diversas paróquias de Cascavel promovem encenações da Paixão de Cristo e a Via Crucis, reunindo milhares de pessoas em espaços públicos e ginásios. As vigílias, que começam logo após a Ceia do Senhor na quinta-feira, servem como preparação espiritual para este momento de dor, que só será transformado em celebração festiva na noite do Sábado Santo, com a Vigília Pascal e o anúncio da Ressurreição.
Programação na comunidade católica de Marechal Rondon:

Com Catve.com
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