Nesta época do ano, os parques se tornam pontos obrigatórios de diversão e descanso. Mas, entre gramas, folhas e troncos de árvores, existe um perigo: a temporada de lagartas mortais.
Segundo levantamento do Ministério da Saúde, entre 2019 e 2023 foram registrados no Brasil mais de 26 mil acidentes com lagartas. Uma em cada cinco vítimas tinha até nove anos de idade.
“Nos períodos mais quentes, esses animais costumam estar em maior atividade, e as crianças também ficam mais expostas a ambientes externos, como jardins, área rural e quintais. Então, um dos principais fatores de risco é a própria curiosidade da criança”, explica Jéssica Santiago, coordenadora pediátrica do São Lucas Hospital Center.
Em cerca de 70% dos casos, as áreas mais atingidas são mãos, braços e pés. Os sinais surgem praticamente de forma instantânea, mas as crianças menores têm dificuldade em relatar os sintomas, que podem incluir dor, ardência, queimação, vermelhidão e inchaço.
O uso de anti-inflamatórios ou aspirina está contraindicado, devido ao risco de sangramentos. Na maioria das vezes, o quadro evolui sem complicações, mas algumas espécies representam risco grave, como as lagartas cabeludas.
Há também as lagartas espinhudas, entre elas a do tipo Lonomia. Elas ficam camufladas em galhos e folhas de árvores, sendo facilmente confundidas com pequenos musgos.
O veneno dessa espécie é extremamente perigoso e pode causar manchas roxas, sangramentos na gengiva, sangue na urina, hemorragias graves, insuficiência renal e até a morte.
O tratamento inclui o uso do soro antilonômico, oferecido gratuitamente pela rede pública de saúde.
“É importante fornecer o máximo de informações possíveis. Se for possível identificar o inseto ou o animal envolvido no acidente, o ideal é tirar uma foto para mostrar ao médico que irá avaliar a criança”, orienta Jéssica.
O Brasil, inclusive, é o único país do mundo produtor do soro contra o veneno da lagarta taturana, desenvolvido pelo Instituto Butantan.
Com Catve
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