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“Tropecei, caí, mas vou me levantar!”, diz Alfredo Kaefer

Alfredo Kaefer: “Ninguém fica feliz de ver um projeto de vida desconstruído. Isso me aborrece, mas tenho talento e vou reconstruir meus negócios, vou reconstruir minha vida pública” (Foto: Divulgação)

 

Corria o ano de 2006. Alfredo Kaefer (AK) era um fenômeno do agronegócio. Os mais impressionados com a veloz reação daquele que alguns anos antes havia beijado a lona com uma empresa de consórcio passaram a tratá-lo como “megaempresário”.

Megas e gigas repercutiram nas urnas daquele ano: 158 mil votos para deputado, 53 mil deles em Cascavel, a maior votação jamais feita por um federal na cidade.

Junho de 2018: AK registra a candidatura buscando o quarto mandato. Na declaração do patrimônio, um rombo: R$ 106 milhões a menos na conta. Quatro anos antes eram R$ 108 milhões, número que o levou à condição de deputado mais rico do Brasil. Agora ele declarava R$ 1,3 milhão. AK perdeu tudo. “Só restou minha casa”, disse à revista Piauí.

As notícias ruins não paravam por aí. Abertas as urnas do ano passado, AK descobriu que dos mais de 50 mil eleitores que tinha em Cascavel nos tempos de mega, lhe restaram pouco mais de dois mil, votação de vereador.

Abalado, ainda teve que enfrentar uma complexa cirurgia, em fevereiro último, para extrair um linfoma na tireoide.

Fechando o indigesto cardápio, a procuradora geral da República, Raquel Dodge, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) “o cumprimento imediato da pena de prisão contra o ex-deputado” em ação por empréstimos vedados.

 

Outro lado

“Não aplicou-se a dosimetria correta e tal fato prescreveria a ação, não transitou em julgado, pediu prisão antecipada, não há dolo, não lesou ninguém, foi um erro meramente burocrático”, argumenta AK, apontando perseguição pelo Ministério Público.

Ele contratou um escritório especializado em Brasília e tenta um último recurso para sustar a pena de quatro anos e seis meses de prisão. O Pitoco enviou uma única pergunta ao ex-deputado. AK foi instado a fazer um balanço de sua vida, da votação consagradora de 2006 ao mandado de prisão. Eis a resposta, resumida:

“Ninguém fica feliz de ver um projeto de vida desconstruído. Calcei meu projeto em um tripé. Primeiro: empresarial. Tive problemas, recuperação judicial, falência indevida, mas invertemos na Justiça e a empresa vai se recuperar e voltar ao eixo. Segundo: familiar. Tive contratempos também, uma separação, mas hoje com cinco filhos bem encaminhados de dois relacionamentos. Estamos sólidos há 23 anos com a Clarice. Terceiro: vida pública. Prestei um serviço ao Brasil e fiz de forma primorosa. Era debochado por defender as reformas que hoje são quase consensuais. Não respondo uma única ação nos 12 anos de mandato e sou respeitado pelos colegas no Congresso”.

 

Pedra no caminho

Por fim, AK filosofa com o tamanho das pedras no caminho e anuncia que não irá abandonar o mundo das urnas. “Meu tripé desmoronou. Isso me aborrece. Tenho talento, vou reconstruir meus negócios, vou reconstruir minha vida pública. Tombos na vida não pedem pedras grandes. As pequenas também derrubam. Tropecei, caí, mas estou me levantando. Vou reconstruir…”, declara.

 

Com O Pitoco

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