A queda dos termômetros registrada desde o início desta semana trouxe boas – e talvez últimas – oportunidades tanto para os lojistas quanto para os consumidores rondonenses no inverno deste ano.
Ao contrário de 2016, quando a temporada mais fria do ano perdurou por pelo menos quatro meses com variação de intensidade, neste ano o inverno intenso chegou apenas nesta semana em Marechal Cândido Rondon. “Apesar de os consumidores terem buscado mercadorias logo que a coleção foi lançada, durante os meses de junho e mesmo julho as pessoas vinham para a loja procurando roupas de primavera e verão”, menciona o sócio-proprietário da Opção da Moda, Diego Civiero Rodio.
Por acompanharem mais de perto as previsões meteorológicas, o empresário enfatiza que os consumidores têm a concepção de que já não vale mais a pena fazer altos investimentos para roupas de frio neste ano porque as temperaturas mais baixas do ano já foram registradas. Mesmo nesta semana, quando em Marechal Rondon os termômetros marcaram 0°C e a sensação térmica foi negativa, de acordo com o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), Rodio avalia que em sua loja apenas 25% dos consumidores vieram em busca de moletons, sobretudos, cachecóis e jaquetas. “Setenta e cinco por cento já compraram peças de verão. No dia 10 de julho trouxemos o preview da coleção de primavera/verão porque verificamos que seria essa a tendência de saída de mercadoria neste ano”, ressalta.
No ano passado, o empresário lembra que a empresa teve falta de produtos de inverno, tendo em vista a alta procura pelas roupas frente às baixas temperaturas que perduraram por mais tempo do que neste ano. “Ano passado para a empresa vender roupa de frio foi excelente”, comenta. “Já neste ano a aposta era de que o frio fosse mais intenso do que no ano passado com base na meteorologia. Hoje ainda não vendemos tudo, mas como começamos a ter saída já no lançamento da coleção de outono/inverno que foi em final de abril, as vendas também foram boas neste ano”, complementa.
Rodio explica que para o lojista da região, a troca de estação para o inverno é uma grande preocupação, pois, apesar de a estação terminar em agosto, a maioria dos consumidores já deixa de comprar roupas para o frio em julho, que é geralmente o último mês de frio intenso.
Quem está comprando neste momento, diz ele, são os consumidores que não investiram nas peças logo que as coleções foram lançadas e agora estão apenas comprando as peças necessárias. “Eles vão comprar uma peça específica para passar um dia na Expo Rondon, por exemplo”, expõe.
Concorrência
O mês de abril é a época que o lojista deve começar a se preparar para a entrada de mercadorias de inverno, pois é neste período que a temperatura começa a cair e os consumidores já buscam roupas de meia estação, como blusas de meia-manga ou mangas compridas. “Se o frio vem logo em maio, é possível fazer uma boa venda de peças como casacos e sobretudos. Neste ano tivemos uma saída boa desse tipo de mercadoria, mas não foi tanto quanto o esperado”, declara a proprietária da loja Kanny’s All Size, Claudiane Packer.
Os empresários rondonenses, na visão dela, possuem duas concorrências desleais para terem bons resultados na saída de mercadorias nesta época do ano. A primeira é o Paraguai, destino de muitos consumidores que pegam a estrada em virtude de as mercadorias do país vizinho não serem taxadas pelo imposto brasileiro. “Eles não pesam tanto qualidade das peças, que na maioria das vezes é inferior, pelo inverno ser um período curto e ainda optam em buscar roupas lá”, relata.
Outro problema para os empresários, de acordo com Claudiane, está na Feira do Brás, que, segundo ela, atinge indiretamente todas as empresas, tanto o varejo quanto prestadoras de serviços. “Se o consumidor está comprando lá e não no comércio local o dinheiro deixa de girar em Marechal Rondon e todos perdem um pouco”, avalia.
Para a empresária, a Expo Rondon é uma oportunidade de liquidar boa parte das mercadorias da estação que ainda restam, por isso, assim como outras empresas, ela adotou promoções especiais durante esta semana. “As peças que a gente acha que as pessoas gostariam de usar na festa estamos colocando em promoções relâmpago com preços únicos e isso tem feito girar bastante mercadoria, porque todo mundo quer ir bem vestido na festa”, enaltece Claudiane.
Para os pés
A situação vivida no ramo de confecção se repete também no ramo de calçados. A esta “altura do campeonato”, a maioria dos consumidores já não busca mais botas e pantufas, mas, sim, sapatilhas e rasteiras. “Levando em conta que já estamos em julho e que a partir de agosto as pessoas já não buscam mais peças deste tipo, esta semana foi muito boa para fechar as vendas de inverno. Nós também fizemos algumas promoções visando melhorar a saída de mercadorias por ser fim de estação”, diz a sócia-proprietária da Calçados Paraná, Cleri Schweinberger.
A empresária menciona que o inverno do ano passado foi atípico, já que os dias frios se estenderam do fim de abril até início de outubro, cena que não se repetiu neste ano. “Tivemos o inverno que temos todos os anos, então obviamente não teremos o mesmo percentual de vendas, mas ainda assim foi bom e está dentro do que esperávamos”, comenta.
O “inverno tardio” fez com que mesmo após o lançamento da coleção de outono/inverno os clientes ainda buscassem peças de verão. “Mas a onda de frio desta semana, somada ao evento que teremos neste fim de semana e a promoções que estamos realizando, promoveu a saída de muitas mercadorias de inverno”, conta a gerente da Kity Calçados, Rosilene Reckziegel.
No comparativo com o ano passado, ela avalia que a empresa teve a mesma saída de mercadorias, apesar dos contratempos do clima, por conta da mudança de planejamento da loja. “No inverno às vezes você investe muito e não faz frio, por isso é uma estação bastante incerta para o lojista. Estávamos com menos mercadoria em 2016 e ano passado talvez até deixamos de vender alguns pares por não ter estoque, por isso agora nos programamos melhor e acabou tendo uma saída maior de mercadoria, o que deixa o resultado dos dois anos equiparado”, pontua.
E o restante do ano
Passado o período que o clima baliza as vendas, os lojistas voltam a ter melhor fundamento para projetar como o mercado deve se comportar daqui para frente.
A Pesquisa de Opinião do Empresário do Comércio, Serviços e Turismo, realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), aponta que os empresários do Estado têm esperança de dias melhores para a economia neste segundo semestre.
O resultado do levantamento apontou que 58% dos empresários do Paraná declaram ter boas expectativas para o segundo semestre, o que representa alta de 17,4% em relação ao primeiro semestre. O nível de confiança na região Oeste, que na edição passada da pesquisa era o mais baixo do Estado, com 31%, voltou a subir e chegou a 58% para este segundo semestre.
O resultado da pesquisa, a princípio, está no caminho certo. Os empresários entrevistados pela reportagem de O Presente citaram a força da região Oeste no agronegócio e os bons resultados na safrinha de milho, que teve alta produtividade, como motivos que impulsionarão as vendas nos próximos meses. “Apesar da safrinha de milho ter sido boa em termos de produtividade, o preço não está satisfatório para o produtor e é ele quem mexe com a economia da região, então precisamos ser positivos quanto aos resultados da próxima safra para a movimentação da economia local”, aponta o sócio-proprietário da Opção da Moda. “Mas, independente do agronegócio, não tenho dúvidas de que as vendas serão boas. Todos precisam estar conscientes de que independente do que acontece no cenário político, o Brasil é um país forte e precisamos acreditar nele”, completa Rodio.
Para a gerente da Kity Calçados, pelo fato de o verão ser mais extenso para trabalhar do que o inverno, as perspectivas são bastante positivas. “Apesar do preço dos produtos agrícolas, a safra foi boa, então tenho boas expectativas”, enfatiza, emendando que: “Não adianta só falarmos em crise. É preciso também sermos otimistas, trabalhar e colhermos os resultados depois”.