Hoje, 26 de abril, comemoramos o aniversário de 46 anos do Tratado de Itaipu, que deu origem à hidrelétrica que mais gera energia limpa e renovável no planeta. É uma data importante para a usina e, por feliz coincidência, também para a nova gestão de Itaipu. Há exatos dois meses, em 26 de fevereiro, fui empossado como diretor-geral brasileiro de Itaipu pelo presidente Jair Messias Bolsonaro, em ato que contou com a presença do presidente paraguaio Mario Abdo Benítez.
A cerimônia teve a forte simbologia da diplomacia e da irmandade, que sempre estiveram presentes desde 1973, época da assinatura do Tratado, e até mesmo antes, nas negociações para se erguer Itaipu. E é pelo mesmo espírito fraternal da binacionalidade que buscaremos, sempre, o diálogo permanente, caminhando para uma relação cada vez mais profícua entre brasileiros e paraguaios, sócios no empreendimento energético mais bem-sucedido do mundo.
Sem esse entrosamento, ao longo de décadas, a Itaipu Binacional não seria o sucesso que é desde o seu projeto. Para se chegar a um Tratado que prevê igualdade de direitos e obrigações entre os dois países-sócios, foi necessário superar muitos obstáculos e usar de bom senso e de boa vontade, qualidades que não faltam ao nosso povo brasileiro e aos irmãos paraguaios.
Com “o aproveitamento hidrelétrico dos recursos hídricos do Rio Paraná, pertencentes em condomínio aos dois países, desde e inclusive o Salto Grande de Sete Quedas ou Salto de Guaíra até a foz do Rio Iguaçu”, nos tornamos referência mundial em geração de energia hidrelétrica e de boas práticas nos cuidados com a água, com o meio ambiente em geral e também com a população da região de abrangência de nossa usina.
Aqui na Itaipu, responsável pelo abastecimento de cerca de 15% do mercado brasileiro e de 90% do consumo de eletricidade do Paraguai, e também no seu entorno, se gera desenvolvimento com sustentabilidade, com os cuidados para que a vida útil da usina e de sua barragem supere os cálculos mais otimistas.
Defini como missão, à frente desta binacional, gerir Itaipu da melhor forma possível, buscando aperfeiçoar a aplicação dos recursos financeiros, com respeito às premissas básicas da boa administração pública e conforme o Artigo 37 da Constituição Federal: legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade, eficiência e transparência. Cada centavo bem gasto é uma demonstração de respeito ao dinheiro do povo brasileiro, que paga pela conta de energia e pelos impostos que sobre ela incidem.
Hoje, dia 26, é só o começo de muitas comemorações na usina. Porque no dia 5 de maio, daqui a apenas nove dias, Itaipu completará 35 anos de geração de eletricidade. E, no dia 17 de maio, festejamos os 45 anos de criação da entidade binacional, resultado de um Tratado com características únicas no mundo nos aspectos jurídico e diplomático.
Mas, 46 anos depois do Tratado que originou esta usina, há ainda muitos desafios a superar. Exatamente nesta fase em que estou à frente da diretoria da usina, há uma grande meta pela frente, que é garantir que Itaipu mantenha a excepcional geração anual superior a 90 milhões de megawatts-hora e continue a ser a “usina dos recordes”. Para garantir a sustentabilidade de Itaipu, já começamos a investir firme em renovação tecnológica.
Nos próximos 14 anos, a usina passará por um processo de atualização, que não significa apenas a troca de equipamentos por outros mais modernos. O plano é repensar funcionalidades e processos, além de permitir uma leitura mais detalhada das unidades geradoras, para que possamos alcançar ainda melhores marcas de produção anual.
Outro grande desafio, nos próximos anos, é a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das bases financeiras dos serviços de eletricidade. É uma negociação entre brasileiros e paraguaios que precisará chegar a bom termo em 2023, quando Itaipu estará com suas dívidas quitadas e se tornará, assim, uma usina pronta para oferecer ainda mais vantagens aos países sócios. Temos certeza que as negociações serão de alto nível e conduzidas da mesma forma que, no passado, permitiram aos nossos dois países se tornarem exemplos para o mundo, em integração e sucesso numa obra binacional.
Deixei propositalmente por último para falar de um desafio à parte que cabe à atual diretoria de Itaipu: prover os recursos necessários à construção da ponte entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, no Paraguai, uma obra estruturante que certamente vai criar novas oportunidades de desenvolvimento para os dois países e até para boa parte da América Latina.
É um grande presente que Itaipu dá a Foz do Iguaçu, ao Paraná, ao Brasil e ao Paraguai. Mas exigirá uma cota extra de sacrifícios, porque o investimento será diluído ao longo do orçamento dos próximos três ou quatro anos, sem onerar a tarifa de Itaipu, para não prejudicar o consumidor brasileiro. O desafio será cortar na carne gastos menos importantes ou não imprescindíveis, e conseguir o adequado equilíbrio para entregar esta obra, que tem um profundo significado simbólico, a par de seu lado prático.
Recentemente, li uma frase que me fez pensar: “Quem constrói pontes, antecipa soluções”. É só imaginar o que será esta região depois da ponte e a frase ganhará sentido. Queremos que esta segunda ponte, tanto no sentido material como simbólico, seja festejada desde sua inauguração. E perdure para sempre entre nossos povos irmãos, tornando-se mais um símbolo de fraternidade e união entre brasileiros, paraguaios e argentinos. E que esta integração traga mais desenvolvimento e prosperidade a esses povos, em especial às regiões de fronteira.
Conto, desde meu primeiro dia em Itaipu, com o apoio irrestrito de empregados e empregadas de excelente nível profissional, com competência e expertise nas várias áreas da empresa. E sei que, quanto mais austeridade se exige, mais se torna necessária uma atuação em equipe, que esteja comprometida e disposta a promover mudanças que às vezes são simples, mas que também podem ser dolorosas.
Todos, dentro e fora de Itaipu, já entenderam que esta nova gestão não veio para mudar aquilo que é bem feito – e a usina soma premiações e reconhecimentos no Brasil e no mundo por sua atuação nos mais diferentes setores. Veio para tornar realidade aquilo que o brasileiro exigiu ao colocar seu voto na urna: mais respeito ao dinheiro público, mais transparência nos gastos e honestidade a qualquer prova.
Desafios (e são muitos) à parte, estar à frente de Itaipu neste momento de sua história é, para mim, mais que um cargo numa empresa pública importante. É uma missão, à qual me dedicarei com seriedade, serenidade e absoluta vontade de acertar.
Joaquim Silva e Luna é diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional