As medidas restritivas para conter a propagação do coronavírus têm provocado mudanças de hábitos e mexido no bolso dos cidadãos. Em Marechal Cândido Rondon, pessoas responsáveis pela organização de feiras de produtores apontam a diminuição do movimento de consumidores na ordem de até 40%, ocasionada pela preocupação das pessoas em não serem acometidas pela Covid-19 ou mesmo pela queda de renda.
Todavia, as lideranças salientam que os cuidados em termos de higiene, como distanciamento, disponibilização de tapete sanitizante e aplicação de álcool gel, bem como exigência no uso de máscara permanecem desde o último ano.
Os produtos expostos aos clientes são os mais diversos, como legumes, verduras, melado, mel, nata, bolachas, cucas, pães, carnes e defumados, pizza e lasanha, espetinhos, entre outros, tudo com procedência e qualidade. Os organizadores das feiras do produtor falam do momento vivido e de suas expectativas.

Produtos ofertados nas feiras são diversos, incluindo salgados (Foto: Joni Lang/OP)
SABOR E ARTE
Para Sandra Oliveira, responsável pela Feira Sabor e Arte, realizada em um pavilhão no Parque de Exposições, a redução observada atualmente gira na média de 40%, sendo que no tocante à quantidade de produtos, como verduras e legumes, a estiagem também tem atrapalhado um pouco. “Outra questão se deve ao menor número de consumidores, pois muitas pessoas se cuidam em função da pandemia, mas há quem continue vindo porque a feira já fidelizou pela confiança apresentada. Temos tapete, álcool gel, o espaço é aberto, tem estacionamento e isso nos ajuda”, exemplifica.
Ela cita que todos os cuidados são tomados para conter a propagação do coronavírus. “Além do que falamos, há distância entre barracas com cordão de isolamento. Não houve problemas com feirantes e familiares”, pontua.

Sandra Oliveira, da Feira Sabor e Arte: “Nossa feira vinha em um pico muito bom, mas alguns fatores contribuíram para as vendas diminuírem, entre eles a pandemia. Estamos na luta e acreditamos que logo isso vai passar” (Foto: Joni Lang/OP)
Sandra expõe que há queixa por parte de feirantes devido à queda no movimento e nas vendas, pois trazem os produtos e por vezes acabam levando boa parte para casa. “Em outras épocas era vendido praticamente 90%, quando hoje há casos do feirante vender dois pés de alface e voltar com o restante, o mesmo vale para pães, cucas e outros. Várias pessoas estão circulando, porém têm gastado pouco por segurarem devido à redução do poder aquisitivo”, avalia.
Ela enaltece que a Feira Sabor e Arte seguirá acontecendo às quartas-feiras, das 17 horas às 19h15, e nos sábados, das 09 às 12h15. “Em pouco mais de um ano e meio de feira temos cerca de 18 feirantes, então já somos conhecidos. Não vejo risco de diminuir a intensidade, pois divulgamos de várias formas possíveis. Nossa feira vinha em um pico muito bom, mas alguns fatores contribuem para as vendas diminuírem, entre eles a pandemia. Estamos na luta e acreditamos que logo isso vai passar”, ressalta.

Entrada com tapete e álcool gel para melhor higienização: preocupação e respeito aos protocolos (Foto: Joni Lang/OP)
FEIRA DO PRODUTOR
Lothario Lohmann, responsável pela Feira do Produtor Rural, realizada nas terças e sextas-feiras, das 16 às 19 horas, ao lado do Sindicato Rural, reconhece ter sido observada queda considerável no movimento e na comercialização de produtos em função da pandemia. “Isso porque temos bastante gente de idade e essas pessoas vêm com menor frequência. Antes tínhamos feiras um pouco fracas no final de alguns meses, mas no geral eram fortes. Por outro lado, hoje temos duas feiras ao mês que variam de regulares a boas. Em alguns dias a queda no movimento varia de 20% a 30%”, enaltece.
“Tem produtor que depende exclusivamente da feira, então essas pessoas sentiram bastante o baque. Há casos de produtores que em três feiras não fizeram o que antes vendiam em uma”, revela. Ele acrescenta que pelos “quase 30 anos de feira há muitos fregueses que são fiéis há anos, de modo que diminuir os dias de realização é algo que não deve ocorrer”.

Lothario Lohmann, da Feira do Produtor: “Tem produtor que depende exclusivamente da feira, então essas pessoas sentiram bastante o baque. Porém, entendo que esse momento vai passar e voltaremos a ter um bom movimento” (Foto: Joni Lang/OP)
Lohmann comenta que desde a pandemia a entrada é controlada por número de pessoas, entre outros cuidados. “O álcool gel é aplicado por uma pessoa, é exigido uso de máscara e toda banca tem artefato com álcool gel e os feirantes usam máscara. Cuidamos para evitar fila, uma ou outra banca o pessoal fica um pouco próximo, mas muitas pessoas ficam distantes das outras. Aqui raramente o consumidor pega o produto na mão, o freguês indica e o feirante mostra e entrega após a venda”, diz.
Ele menciona que os preços dos produtos mudam pouco em relação aos mercados, contudo a qualidade é superior. “Temos verduras, legumes, melado, pinga, espetinho, cuca, bolacha, entre outros. Nossa feira é formada por cerca de 14 produtores de Iguiporã, Novo Horizonte e outros próximos da cidade, porém os clientes vêm de vários locais. Entendo que esse momento vai passar e voltaremos a ter um bom movimento”, finaliza.

Pães, cucas e bolachas também são comercializados (Foto: Joni Lang/OP)
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