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Vice-presidente do CRA-PR visita Marechal Rondon e fala sobre um novo cenário para um “novo” administrador

calendar_month 21 de maio de 2019
9 min de leitura

 

Quando o assunto é empreendedorismo, ouve-se falar bastante sobre criatividade, inovação e perseverança.

O mais interessante em tudo isso é que, apesar dessas qualidades em específico não serem “ensinadas” na faculdade, podem ser mais bem desenvolvidas com o tempo. No entanto, todo esse cenário faz com que se crie uma ideia de que o empreendedor tem a vocação natural para essa atividade.

Algumas pessoas realmente demonstram com mais facilidade as características do empreendedorismo, como desenvolver novas ideias e colocá-las em ação, inovar e sair da zona de conforto, todavia, não se nasce sendo um empreendedor perfeito. É preciso estudar, desenvolver habilidades e buscar conhecimento para cada dia se tornar melhor.

Uma das maneiras de ser mais bem-sucedido no empreendedorismo é buscar informação, conhecimento e estudo. Um ótimo caminho para desenvolver essas habilidades é abrir os olhos para a administração. Por mais que esses dois nichos tenham suas diferenças, estudar profundamente essa área é fundamental para caminhar mais confiante rumo ao sucesso.

Diante desse contexto, o vice-presidente do Conselho Regional de Administração do Paraná (CRA-PR), Ailton Renato Dörl, enaltece a importância de inovar e empreender junto à área de administração, inclusive através do Ensino Superior. “Antigamente não havia muito foco nisso porque as pessoas estavam visando somente o que o Ensino Superior iria proporcionar para elas. Hoje não é bem assim. Tem a inovação que inclusive impacta no próprio sistema de ensino. Esses sistemas de ensino, se não acordarem para as mudanças mais rápidas na forma de ensinar, vão perder muito para aquilo que o mercado já está fazendo. O mercado está precisando de gente que conheça, saiba executar, não adianta dizer que leu 30 livros, por exemplo, se não saber colocar em prática”, ressaltou em entrevista ao O Presente.

Conforme Dörl, esse perfil do futuro administrador está impactando na forma de ensinar, inclusive nos professores, fazendo com que eles reformulem metodologias e técnicas de ensino. “O Ensino Superior oferece hoje uma oferta de ganho salarial. A média salarial do ingresso no Ensino Superior é 3,5 vezes maior de quem não está ou que só tem o (curso) técnico. Tem que dar importância para essa formação superior”, enfatiza.

 

NOVAS TECNOLOGIAS

A maioria dos estudos na área de Administração apresenta um cenário baseado na competitividade, na busca pela qualidade e pela produtividade. Para isso, o administrador precisa de uma série de qualidades individuais e profissionais para ajudar as organizações a alcançar seus objetivos.

“Nós estamos falando de um novo cenário. Se você pegar pesquisas antigas, cerca de 75% das profissões que iriam ser ocupadas não existem mais. Se uma pessoa dissesse há três anos que seria blogueiro, por exemplo, quando isso seria considerado uma profissão? Agora surgiu outra, que é o influencer digital. Ou seja, quem está chegando no mercado agora já sabe que as coisas vão mudar daqui para frente independente do curso superior que se faça. Mas em seu dia a dia, o administrador está envolvido com um leque de atividades, desde produção, distribuição, compra, consumo, preço e lucro. É ele quem vai gerenciar todo esse processo. A inovação chegou para ficar”, destaca Dörl.

A área de Administração, como todas as profissões, está passando por mudanças para atender às novas demandas do século XXI. Nesse novo discurso gerencial, as habilidades pessoais e interpessoais se tornam cada vez mais importantes, atreladas às novas tecnologias presentes no mercado, já que as empresas estão começando a entender que a principal vantagem competitiva de uma organização está nos seus Recursos Humanos. “Independente de qual seja o curso, a inovação está invadindo o mundo inteiro com soluções criativas mais rápidas, fáceis, baratas e que impactam no cotidiano das pessoas. Se você não for para o Ensino Superior, ficará eternamente sem saber se era capaz de fazer. Ele (Ensino Superior) abre a cabeça das pessoas para que se descubram e se percebam profissionais. Isso ocorre durante uma aula em sala, uma conversa com o professor e até mesmo com o relacionamento com os colegas. E isso impacta muitas pessoas. A interação dentro de uma sala de aula faz com que uma pessoa pense diferente”, salienta.

 

OFERTA E DEMANDA

Na expectativa de abrir o próprio negócio ou ocupar um cargo administrativo numa empresa, muitas pessoas entram no curso de Administração. Esse bacharelado conquistou a segunda posição em número de estudantes matriculados, atrás somente do curso de Direito, de acordo com o último Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Pelo menos desde 2009 o curso integra a lista de mais procurados tanto em número de matrículas quanto em ingressantes e concluintes. Do total das matrículas vigentes em 2017, por exemplo, 8,2% eram em Administração.

“Hoje praticamente todas as instituições de ensino, sejam elas privadas ou públicas, ofertam a graduação em Administração porque acabou se tornando um curso com diversas opções de atividades profissionais. Para quem está entrando no Ensino Superior e ainda não sabe muito bem no que irá atuar, a Administração abre um leque de oportunidades, por isso há uma grande procura”, observa o vice-presidente do CRA-PR.

Para as instituições de ensino, ele diz que o curso de Administração representa também a necessidade de investimentos. “Hoje o administrador deve saber o mínimo de informática, gestão, processo decisório, contabilidade, entre outros. Todo esse leque oferece para as instituições de ensino uma facilidade grande de oferta do curso”, pontua.

 

INICIATIVAS

As iniciativas de empreender e inovar devem ser estimuladas no futuro administrador enquanto ele ainda está iniciando seus passos na graduação. Isso porque hoje, com o Ensino Superior, muitos esperam simplesmente um emprego e não percebem as potencialidades e caminhos para investir em seu próprio negócio. “É preciso empreender. O sujeito começa a conhecer o mercado, logística, recursos humanos, custos, produção, precificação de um produto, vendas, exposição desse produto, mercado de compra, e tudo isso faz parte de um leque de uma composição de informações que o acadêmico pode tirar para ele próprio ou para a empresa que estiver trabalhando”, evidencia Dörl.

 

DESAFIOS DO SETOR

Os jovens que entram no mercado de trabalho sem nenhuma experiência enfrentam dificuldades. Muitos acabaram de se formar na faculdade e ainda se sentem inseguros quanto ao primeiro emprego na área.

Em vista disso, as empresas precisam reconhecer que o ambiente de trabalho não é igual ao que vivenciaram anos atrás, pois a nova geração tem atitudes diferentes no trabalho.

Porém, para o vice-presidente do CRA-PR, essa situação é um pouco mais amenizada, tendo em vista que o mercado costuma absorver os futuros administradores antes mesmo de eles saírem da faculdade, principalmente por meio de estágios. Assim, portanto, os desafios se resumem mais às opções de crescimento que esse profissional vai ter em sua região. “Citando o curso de Administração, terá a área de recursos humanos, marketing, logística, finanças, estratégica, área de inovação e outras. Tudo está debaixo do guarda-chuva do setor. Cada uma dessas áreas gera um curso de pós-graduação, seja mestrado ou doutorado, para o administrador atender soluções específicas ou seu aperfeiçoamento pessoal. O dono de uma empresa, por exemplo, sairá da universidade, do curso de Administração, sabendo muito mais do que ele sabia e fazendo com que a sua organização dê mais resultados e não necessariamente lucro”, enfatiza.

 

MERCADO EM EXPANSÃO

Segundo levantamento do Ministério do Trabalho, os administradores de empresas estavam entre os profissionais mais procurados pelas empresas no Brasil em 2018.

Com possibilidades de atuação em diversos segmentos e em vários tipos de organizações, seja no mercado nacional ou internacional, o profissional de Administração, com formação densa e abrangente, tem como principais desafios o aumento da produtividade e a maximização dos resultados na esfera pública ou privada, atuando de forma inovadora a partir do uso de novas tecnologias voltadas para a gestão e o desenvolvimento de soluções para novas demandas.

“Nós estamos passando no Brasil por um cenário com 13 milhões de desempregados. Mas dos desempregados, a partir da análise que temos, é que 60% não têm curso superior. Quem tem curso superior está mais suscetível para recolocação no mercado de trabalho”, menciona Dörl.

 

REPRESENTATIVIDADE

Entidade responsável por orientar, fiscalizar e disciplinar a profissão de Administrador de Empresas no Paraná, o Conselho Regional de Administração (CRA-PR) existe para reservar um espaço no mercado para quem está formado no curso de Administração. “O Conselho trabalha no sentido de proteger os administradores. Nós abrigamos os profissionais que queiram defender-se de quem não tem o curso. A penetração dele (profissional) no mercado, ou só com o uso da informação, já é algo bem rico. Essa formação o leva a ocupar espaço. No fundo, a instituição procura levar o estudante a ocupar o espaço que está reservado para ele”, relata o vice-presidente.

As demandas da entidade, conforme Dörl, são variadas, e entre as principais estão a necessidade de fazer com que o egresso se sinta profissional da área, fomentar as organizações para a contratação de administradores e despertar nos estudantes de Ensino Médio a vontade de fazer o curso de Administração, mostrando para eles as expectativas da profissão. “Outra demanda que temos é fomentar a profissão, mostrar a evolução profissional do administrador, trazer a comunidade para se sensibilizar que existe uma profissão realmente efetiva da administração, que é responsável pelo desempenho das empresas, das organizações, fazendo com que alcancem um desempenho melhor”, comenta.

Dörl assumiu a vice-presidência do Conselho em janeiro deste ano, ao lado do presidente Sérgio Lobo, com foco em uma atuação mais sistemática. “Estamos levando muita coisa para o Conselho que não acontecia nas versões anteriores, justamente para dar esse ar de algo novo. Há uma aproximação muito forte da gestão com a área de tecnologia, através dos mecanismos de inserção de novos modelos tecnológicos, visando enxergar a tecnologia como instrumento de trabalho do administrador”, finaliza.

 

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