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Plantar abóboras é um hobby para Chico Neto
Há sete anos o empresário Francisco Neto Lourenço, de 61 anos, começou a plantar abóboras gigantes no sítio que tem em Santa Maria, Distrito de Santa Tereza do Oeste. Hoje, ele diz que as plantações gigantes se tornaram um hobby e uma paixão. Tanto que chega a gastar por ano aproximadamente R$ 7 mil para cuidar dos vegetais.
Tudo começou depois de uma viagem, conforme conta Chico Neto, como é conhecido na região. Estava no Rio de Janeiro e uma pessoa me disse que em um bairro, que não me lembro o nome, vendiam sementes de abóboras gigantes. Fui lá e comprei. Quando cheguei em casa plantei as sementes e colhi uma abóbora de 65 kg.
Depois da primeira colheita, Chico Neto não parou mais com as plantações e começou a pesquisar sobre o assunto em livros, revistas e na internet. Com as pesquisas aprendeu alguns truques para deixar o vegetal cada vez maior. Passo leite nas folhas porque ajuda a evitar insetos e no pé passo melado de cana de açúcar diluído na água, que serve como vitamina para a planta, revela o empresário. Mas diz que o que faz realmente a diferença é a forma de adubação.
A técnica, ao que parece, dá certo, este ano ele colheu sete abóboras com 200 kg cada. A gente teve que arrumar um guindaste para tirar elas da roça, conta orgulhoso. Essa foi a maior colheita que ja fez desde que começou a plantar o vegetal.
Mas, segundo ele, o hobby não sai barato. Gasto com viagens, com adubos e tudo mais que é preciso. Já fui buscar adubo em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul porque aqui os adubos são mais para soja e milho, explica. Despesas altas, mas sem nenhum lucro. Não ganho nada, é só pelo prazer, resalta. Mas a família apoia. “Eu e a minha mulher vamos a cada dois dias medir o pé para acompanhar o crescimento”.
Quando colhidas, as abóboras são levadas para a loja de materiais de construção que Chico Neto mantém no Bairro São Cristóvão, em Cascavel, cidade vizinha. Ali, ele distribui os vegetais para os clientes e moradores da região. Cada um que passa e pede um pedaço eu dou. Até porque ela apodrece depois de mais de 20 dias fora do pé, diz. O mesmo acontece com as sementes, que também são doadas.
A única coisa que Chico Neto não entrega para todos é o segredo de como produzir abóboras tão grandes. Começa desde o cuidado com a semente, tem que plantar em copos em casa com adubo para já nascer com bastante comida. Depois de 10 dias dá para levar para a roça. Mas não conto tudo não, se diverte. O empresário revelou que até a polinização é feita manualmente.
Muito além das abóboras
Chico Neto tem 150 variedades de abóboras, além de sementes do vegetal gigante. São vários os tamanhos, corres e formatos. Eu sou doente por abóboras, é uma coisa diferente, ninguém nunca se preocupou, mas eu comecei a colecionar e virou paixão, confessa. Eu vou nas feiras e casas agrícolas, no nordeste, no Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais para ver se tem variedades diferentes, completa.
Além das abóboras, no sítio do empresário também é possível encontrar outras plantações curiosas e gigantes. Tem quiabo de 500 centímetros, pé de girassol com 3,40 metros e chuchu com 2 kg, entre outros. Eu procuro coisa diferente para plantar.
E todas as colheitas ficam registras em fotos e em uma revista, que o empresário publica uma vez por ano. Eu planto as abóboras no começo de setembro, depois do frio, e colho entre janeiro e fevereiro. Vou fotografando e depois monto a revista que sai mais ou menos no mês de abril. Assim como as sementes e as abóboras gigantes, a revista também é distribuída pela cidade.
De acordo com a professor de agronomia da Fundação Assis Gurgacz (FAG), em Cascavel, as sementes usadas por Chico Neto são de uma variedade de abóboras gigantes e o crescimento é normal e esperado. “O que faz a diferença é o cuidado que ele tem com as plantas e o clima da região também ajuda”, explica.