O prefeito de Marechal Cândido Rondon, Marcio Rauber (DEM), chega à reta final do seu segundo ano de gestão à frente do paço municipal fazendo uma avaliação positiva em relação aos investimentos realizados no decorrer de 2018, bem como aos programas e ações implementados.
Em entrevista ao Jornal O Presente, ele destaca que houve evolução em todas as áreas da municipalidade e o objetivo em 2019 é dar continuidade ao trabalho que vem sendo desenvolvido nos últimos dois anos. O prefeito também expõe sobre a perda de representatividade política com o resultado da eleição de outubro e menciona que será preciso entender esse novo cenário. Confira.
O Presente (OP): Qual avaliação o senhor faz de 2018?
Marcio Rauber (MR): Avaliação extremamente positiva. Esse foi o ano de maiores investimentos em Marechal Cândido Rondon em várias áreas e vários setores, o que nos deixa muito contentes. Com os pés no chão, eu e o Ila (vice-prefeito Ilario Hofstaetter) planejamos muito as execuções de 2017, e lá em 2017 também as aquisições, obras e serviços a serem realizados em 2018. E fomos exitosos. Foi um ano maravilhoso para o município.
OP: Já existe alguma estimativa de superávit de 2018?
MR: Vamos ter superávit, mas não sabemos ainda o valor porque o exercício fecha na metade do mês de janeiro. Continuamos trabalhando com economia, mas não a economia de não gastar, mas a de gastar bem ao rever contratos, de brigar nas licitações, brigar nos orçamentos para que os preços nas concorrências caiam. Este trabalho é que faz sobrar dinheiro. Não temos ainda os valores e em meados de janeiro vamos saber quanto será o superávit, mas há a ressalva de que estamos desde 15 de outubro sem receber os royalties. Não temos a certeza se serão depositados ainda este ano ou não, mas só o que não recebemos chega perto de R$ 2,8 milhões. É um valor considerável. Esperamos ter valores consideráveis para fazer investimentos em 2019 como tivemos e fizemos em 2018.
OP: Diante do resultado da eleição, com quais deputados o senhor espera contar a partir da próxima legislatura?
MR: A posse dos deputados acontece no dia 1º de fevereiro. A partir daquele dia vamos saber a real situação do Oeste do Paraná e, em especial, de Marechal Cândido Rondon. Sabemos, por exemplo, que o Elio (Rusch, DEM), ao menos por seis meses, será deputado, tendo em vista que a deputada Maria Victoria (Barros, PP) entra em licença-maternidade e a legislação estadual permite a ela seis meses de afastamento. Vamos ter que entender o cenário, ver quais serão aqueles com interesse em representar bem Marechal Cândido Rondon, pois só representar não interessa para o município. Representar bem, sim. Isso que interessa. Obviamente que existem convites em nível estadual e federal e podem ter novidades e mudanças. Então precisamos ter um pouco de cautela e buscar a experiência daqueles que têm conhecimento. Temos acesso muito bom com o governador eleito Ratinho Junior (PSD), inclusive ele esteve aqui durante a nossa campanha, minha e do Ila. É amigo, é acessível, é municipalista. Vamos ter que aprender de forma muito rápida, a partir da posse do governador e dos novos deputados, os novos caminhos e esses caminhos serão seguidos. Vamos buscar aquilo que for importante. E aqui vai um pedido para os munícipes: tivemos mais de 120 candidatos a deputado estadual que fizeram votos em Marechal Rondon. Não sei exatamente quantos desses foram eleitos, mas a população que votou nesses deputados precisa também ajudar a cobrá-los para que participem na destinação de verbas para o nosso município.
OP: O senhor já manteve contato com algum deputado eleito, como o Marcel Micheletto (PR), por exemplo, que foi o único que garantiu mandato na região de Toledo e Marechal Cândido Rondon?
MR: Eu já conversei com o deputado Micheletto, já conversei com o Coronel Lee (PSL), conversei bastante com o deputado Elio. Então as conversas estão abertas e, como já disse, temos que aprender o mais rápido possível o melhor caminho para seguirmos e isso faremos com cautela.
OP: E em termos de deputado federal?
MR: Recebemos a notícia de que o deputado federal eleito Ney Leprevost (PSD) vai para a Secretaria de Estado de Justiça e aí o deputado Evandro Roman (PSD) assume o mandato. Contamos também com um bom relacionamento com o deputado (José Carlos) Schiavinato (PP), Frangão (Hermes Parcianello, MDB) e Fernando Giacobo (PR). Então com todos eles temos as portas abertas e vamos buscá-los sempre que houver demandas do município e que eles possam ser a ferramenta para conseguirmos aquilo que é importante para nós.
OP: Em relação a 2019, quais os principais investimentos que o município planeja?
MR: Queremos continuar com esse amplo e maior programa de pavimentação asfáltica. A população está muito contente e investiremos bastante nisso, tanto quanto investimos em 2018. Faremos também um investimento muito grande em sistema de iluminação de led. Serão valores consideráveis, pois precisamos migrar para esses equipamentos, principalmente pela questão de economia. É necessário acompanhar a evolução e as luminárias de led proporcionam economia muito grande no consumo de energia. E isso, eventualmente, pode permitir lá na frente que consigamos mexer na taxa de iluminação pública e reduzir o ônus para o munícipe, pois se vamos gastar menos em iluminação pública quem paga são os contribuintes. Portanto, é possível que no futuro seja reduzido. Na pavimentação poliédrica também estamos fazendo um amplo programa. Nunca se licitou tanta pavimentação em um mesmo ano como em 2018, sendo que daremos continuidade. Além disso, o programa de pavimentação das estradas com solo brita continua e investiremos ainda mais. Aliás, quase não conseguimos trabalhar neste ano, pois começamos em outubro e naquele mês praticamente só choveu. Queremos entregar todas as estradas do município com solo brita. Na educação vamos reformar escolas e Cmeis (Centros Municipais de Educação Infantil), com a troca de telhados, pintura, equipamentos. Para o início do ano nossas crianças já vão receber o novo agasalho escolar, agora completo. Isso tudo já foi licitado e as empresas que venceram o certame estão produzindo esses uniformes. Na área da saúde também temos que evoluir. Marechal Rondon tem problemas, mas a saúde pública rondonense evoluiu a olhos nus. Em toda visita da Regional de Saúde recebemos elogios e a confirmação de que a saúde pública que mais cresce é de Marechal Cândido Rondon. Segundo a Regional de Saúde, hoje em Marechal Rondon existe atenção básica em saúde, que é obrigação. Obviamente que temos outros problemas que não são de alçada do município, mas como o Estado e o governo federal não fazem a sua parte acabam recaindo nas costas da prefeitura. Estamos evoluindo, em especial em ortopedia e pediatria. Queremos ampliar nossas ações no esporte, onde nunca se investiu tanto, inclusive trouxemos modalidades novas. Enfim, em todas as áreas precisamos continuar evoluindo. Dois mil e dezoito foi um ano fantástico e queremos que 2019 também seja.
OP: Existem ao menos três grandes projetos do Governo do Estado para o município: o Contorno Oeste, cuja execução já teve início, mesmo que de forma tímida, o Anel Viário e a sede definitiva do Batalhão de Polícia de Fronteira (BPFron). O senhor acredita que os projetos terão andamento e serão concluídos?
MR: A licitação do Anel Viário aconteceu no último dia 20 (quinta-feira). São recursos do Estado, então precisamos entender como o governo vai continuar com esses convênios que foram assinados em tempo hábil, respeitando todos os preceitos de legalidade. Tenho convicção de que não teremos problema e, mais tardar início de fevereiro, essa obra inicia. Trata-se de uma obra esperada há mais de 20 anos e que com muito trabalho, com apoio do deputado Elio, conseguimos a liberação de R$ 3,5 milhões, em um custo total de R$ 3,9 milhões como valor máximo lançado no edital de licitação. O Contorno Oeste está em andamento, mas existem algumas questões legais por conta de depósito de valores. Se não me engano são três ações de emissões de posse por conta de duas propriedades que fazem parte de um espólio e corre um processo de inventário, e na terceira propriedade não houve concordância com o valor depositado. Caso contrário, o Estado teria condição de acelerar o trabalho nesse trecho iniciado. Sobre o Batalhão de Fronteira, o Estado teve um problema muito sério com a empresa que venceu o processo licitatório. Ela não conseguiu concluir o projeto, precisou fazer alterações e o projeto não foi aprovado em tempo hábil. Nossa função é brigar por isso. O recurso está garantido e vamos pleitear junto ao Governo do Estado para que faça nova licitação para que este projeto de fato seja aprovado e consiga executar a obra. Existia uma intenção do Estado em fazer um RDC (Regime Diferenciado de Contratação), mas por fim não se viu legal e não aconteceu. Nossa função como prefeito é continuar brigando para que o Estado consiga acelerar e essa importante obra saia do papel.
OP: O senhor planeja alguma mudança na equipe de governo?
MR: Planejamos e vamos fazer aquilo que for importante para que consigamos avançar em tudo que a gente faz. Estamos conversando com os secretários, estamos conversando com pessoas que são importantes e que têm experiência e que podem nos auxiliar para que tomemos, na hora certa, a melhor decisão pensando no município.
OP: Alguma definição já sobre quem sai ou quem entra, ou qual secretaria muda?
MR: Não, ainda não.
OP: Há dois anos, durante a sua campanha, houve uma promessa de não chamar vereador eleito para compor a equipe de governo. Passado esse período, avalia que essa decisão foi acertada levando em consideração as articulações políticas?
MR: Absolutamente. O país passa por uma mudança e as urnas de outubro mostraram isso. A população quer que os políticos cumpram com sua palavra. Eu coloquei isso lá atrás por convicção e isso será mantido. Não existe arrependimento nenhum. Quem quer ser vereador, tem que ser candidato a vereador. Quem foi eleito para ser vereador tem que ser vereador. Eu tenho essa convicção comigo e é assim que vou conduzir até o final do meu mandato. Nas secretarias nós temos que colocar equipe técnica, e foi o que fizemos em Marechal Cândido Rondon. Hoje vemos o governador eleito Ratinho Junior fazendo isso também, anunciando que quer compor secretariado técnico. A gente vê isso do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), que quer compor uma equipe técnica. Então esse é o novo rumo e fico feliz porque nos antecipamos. Há dois anos já tomamos essa decisão e tenho convicção de que estamos no caminho certo. O resultado está aí, com obras, ações e investimentos em todas as áreas. Portanto, não me arrependo desta decisão e não vou voltar atrás.
O Presente