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A ironia do destino: da campanha à experiência pessoal

calendar_month 12 de outubro de 2024
2 min de leitura

Em 2016, eu era a presidente da Comissão da Mulher Advogada (OAB/Marechal Cândido Rondon), composta ainda pelas Dra. Daiana Gentilini e a Dra. Francielli Sachser, e estávamos à frente de uma campanha chamada “Fios de Amor”, que visava arrecadar cabelos e telas para a confecção de perucas para pessoas em tratamento de câncer.

Foi um projeto cheio de amor e solidariedade, uma maneira de oferecer um pouco de conforto e autoestima a quem passava por momentos difíceis. Juntas, as pessoas cortavam seus cabelos, doando não apenas mechas, mas também esperança e empatia.

Anos depois, a vida me trouxe uma reviravolta inesperada. Fui diagnosticada com câncer e, em meio ao tratamento, me vi diante da escolha de usar perucas. A ironia do destino não passou despercebida: eu, que uma vez organizei uma campanha para ajudar outras pessoas a se sentirem mais confiantes, agora me vi contando com a mesma solidariedade que eu havia promovido.

Usar perucas se tornou uma experiência transformadora, pois cada peça que vesti trouxe não apenas a aparência de normalidade, mas também uma nova perspectiva sobre a força e a resiliência, sem falar da possibilidade de me ver em vários cortes de cabelo, enquanto me mantive careca.

Essa jornada me ensinou sobre a beleza da vulnerabilidade.

O ato de doar cabelo se tornou um símbolo do que significa cuidar do outro, e agora, ao usar perucas, sinto a profundidade desse gesto de uma forma muito pessoal. A vida tem suas ironias, mas também tem sua capacidade de unir as pessoas em torno de experiências comuns.

Hoje, ao olhar para trás, percebo que a doação de cabelos é mais do que um simples ato; é um lembrete de que, em momentos de dificuldade, a solidariedade e a empatia podem nos conectar de maneiras surpreendentes. E, quem sabe, a próxima vez que eu estiver em uma campanha para arrecadar cabelos, estarei ainda mais consciente do impacto que isso pode ter na vida de alguém.

Por Pamera Emanuele Riegel Zachow, advogada rondonense

(Foto: Luana Schmitt Fotografias)

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