Marechal 220 ocorrências em 2018

Acidentes com motocicletas lideram atendimentos do Corpo de Bombeiros

Fotos: O Presente

 

Antes de entrar no carro para ir ao trabalho, faculdade, viagens ou qualquer outro compromisso, saiba que sua vida corre risco. Não se trata de exagero ou sensacionalismo, mas de uma constatação. O Brasil contabiliza todos os anos em torno de 30 mil mortos em acidentes de trânsito. E a maior responsabilidade por esse cenário caótico é do próprio motorista. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 90% dos acidentes acontecem por falha humana.

Falta de atenção está em primeiro lugar entre as causas presumíveis de acidentes. À distração somam-se: excesso de velocidade, não manter a distância segura do carro da frente, ingestão de bebidas alcoólicas, desobediência à sinalização e ultrapassagem indevida. Nesse ranking dos maiores causadores de acidentes, outro campeão é o sono – embora pouca gente admita que cochilou ao volante. Um piscar de olhos ou uma distração de segundos põe em risco sua vida e a dos outros. E aí muita gente vira estatística.

Prova deste cenário é o balanço de 2018 do 3º Subgrupamento de Bombeiros de Marechal Cândido Rondon. Dos 1.044 registros de ocorrências atendidas no ano passado, 410 foram acidentes de trânsito, de acordo com levantamento feito através do sítio eletrônico do 4º Grupamento do Corpo de Bombeiros do Paraná, sediado em Cascavel.

Os tipos de acidentes mais registrados no município foram colisões, com 238 ocorrências, e queda de veículo, com 199. Além disso, o balanço também mostra que ao longo do ano os bombeiros atenderam 19 situações de atropelamento, 16 de capotamento, 15 de choque contra anteparo e três tombamentos. Ao todo, 489 pessoas foram vítimas de algum desses tipos de acidentes.

Analisando os dados, o subcomandante do Corpo de Bombeiros, aspirante Ricardo Augusto Maioque Baggio, diz que os números de 2018 foram parecidos com o ano anterior (2017) em termos de quantidade de ocorrências e de vítimas. “Sempre tentamos trabalhar com a questão da prevenção e estamos em constante treinamento para fazer o atendimento da melhor forma possível, mas não depende apenas do Corpo de Bombeiros a diminuição dos acidentes e, consequentemente, de vítimas”, destaca.

Conforme ele, as ocorrências que tiveram destaque no trabalho da guarnição foram auto x auto (colisões entre automóveis) e auto x moto (automóvel e motocicleta). “Também atendemos alguns casos clínicos, em apoio ao Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), realizando o transporte para hospitais, mas é o auto x moto e, como aqui há muitas bicicletas no trânsito, também registramos muitos acidentes entre motoqueiros e ciclistas, ou até mesmo entre automóveis e ciclistas, que são a maioria das ocorrências”, salienta.

Os acidentes envolvendo motocicletas também são uma constante no município. De acordo com o levantamento, 220 acidentes dessa natureza foram registrados no ano passado e lideraram os atendimentos do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate). “Se for analisar, a motocicleta por sua natureza já é difícil de equilibrar, sem contar que na maioria das vezes os condutores dos automóveis têm alguma certa dificuldade em visualizar os motoqueiros, que, em algumas situações, por conta da reação de susto, acabam caindo sozinhos”, enfatiza Baggio, acrescentando: “Além disso, pela agilidade delas (motocicletas), se consegue ultrapassar pelos corredores (de veículos), dificultando a visualização por parte dos motoristas, facilitando as colisões e quedas”.

Segundo o subcomandante, outro vilão que contribui para esse tipo de acidente é a velocidade excessiva empregada pelos motociclistas. “Quando se está guiando uma motocicleta, o condutor não pode se preocupar apenas com ele. É preciso se preocupar com os outros motoristas, porque nunca sabemos se eles estão vendo ou não os motociclistas”, alerta.

Baggio também orienta os motociclistas a seguirem sempre pela faixa, evitando os corredores, utilizando estes apenas quando o trânsito estiver parado, além de respeitar os limites de velocidade e usar os equipamentos de proteção. “Por mais que em determinada rua a preferência seja, em determinada hora, do motociclista, é bom sempre prestar atenção porque o motorista de outro veículo pode estar desatento e numa colisão entre um carro e uma motocicleta com certeza o motociclista será o mais prejudicado”, enaltece.

As ruas perpendiculares às principais avenidas da cidade, Rio Grande do Sul e Maripá, na região central, foram os locais com maior incidência de acidentes de trânsito no ano que se passou.

 

Maiores vítimas

Os homens, especialmente os jovens, na faixa etária de 20 a 30 anos, foram as vítimas mais numerosas em Marechal Rondon em 2018. Campeões em acidentes, eles também foram os que se envolveram nos casos de maior complexidade e gravidade. Do total de vítimas de acidentes de trânsito em 2018, 261 eram do sexo masculino.

“Essa é uma faixa etária na qual muitos ainda estão iniciando como motoristas, com pouco tempo de habilitação, além de ser também uma parte da população que depende muito de veículos para o trabalho e demais afazeres, por isso se torna mais suscetível a acidentes”, observa Baggio.

Ainda de acordo com o levantamento, cinco pessoas morreram em decorrência de acidentes de trânsito em 2018 em Marechal Rondon. No entanto, todas as ocorrências foram registradas nas rodovias no entorno do município, como é o caso da BR-163. “Infelizmente são fatalidades, mas nós também atendemos trechos de rodovias que pertencem ao município. Nesses locais a velocidade de trafego é maior, então a chance de ter um óbito também é maior se comparado à área urbana da cidade”, comenta o subcomandante do Corpo de Bombeiros.

 

Mudanças no trânsito

O trânsito rondonense ganhou novos contornos no ano passado, com mudanças de tráfego em diversas vias, fechamento de contornos irregulares, sinalizações maciças e fiscalização. As medidas, conforme Baggio, surtiram efeito, mas ainda assim, segundo ele, é preciso ter atenção e cuidado no momento de dirigir veículos e motocicletas ou até mesmo para andar a pé e de bicicleta. “Às vezes, as pessoas têm por rotina fazer determinados trajetos, e quando se é modificada uma preferencial, por exemplo, acaba havendo um impacto e numa distração ocorrem acidentes”, menciona. “Inclusive a Avenida Rio Grande do Sul ainda tem alguns retornos que não oferecem espaço para o carro aguardar para fazer o retorno e acaba invadindo a pista”, complementa.

 

Mais cautela

O subcomandante lembra que Marechal Rondon tem uma peculiaridade: um grande número de ciclistas. “Muitos deles são confiantes, acham que os motoristas dos veículos os vêem e às vezes fazem uma conversão ou atravessam as ruas sem olhar para os lados e o resultado é um acidente. O motorista no município precisa ser cauteloso, porque o trafego de bicicletas é muito grande. E mesmo com os números não apresentando elevação, o ideal seria que não acontecessem acidentes, por isso pedimos maior atenção aos usuários do trânsito da cidade”, ressalta.

 

Outros trabalhos

Apesar do Siate ser o carro-chefe das ocorrências do Corpo de Bombeiros, a corporação atua em diversas outras frentes, como em situações de busca e salvamento, combate a incêndios e também na parte de vistoria e regularização de alvarás de comércios e empresas. “No ano passado tivemos algumas ocorrências grandes, como a explosão na subestação da Copel e as buscas aos irmãos que desapareceram na água, próximo a Guaíra, sendo que um deles, infelizmente, foi a óbito”, pontua Baggio.

O subcomandante do Corpo de Bombeiros salienta a constante preparação da guarnição e reforça o aprimoramento. “Não é todo dia que uma pessoa tem uma fatura no braço, então temos que estar sempre em constante execução e preparados para atender qualquer tipo de chamado”, diz.

Além disso, o Corpo de Bombeiros realiza também os atendimentos comunitários. “Sempre somos chamados para a realização de palestras em diversas áreas, tanto na prevenção de acidentes de trânsito, até noções sobre o atendimento pré-hospitalar (APH)”, informa Baggio.

 

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