O ex-prefeito de Marechal Cândido Rondon e ex-deputado estadual Ademir Bier emitiu uma nota, nesta quarta-feira (17), em desabafo sobre a demolição do antigo prédio da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon.
Confira abaixo o desabafo na íntegra.
Em 17 de dezembro de 2025
“Quem não sabe de onde veio, não sabe para onde vai”
Desabafo sobre a demolição do antigo prédio da Prefeitura de Marechal Cândido Rondon.
Hoje escrevo com o coração pesado, não apenas como cidadão, mas como alguém que ajudou a construir a nossa história.
O que foi demolido não era apenas um prédio antigo. Era um símbolo. Um marco da nossa origem, da luta dos pioneiros e do nascimento administrativo do município. O antigo prédio da Prefeitura foi tombado por lei em 1985, justamente para ser protegido. Aquilo não foi um capricho político, mas um gesto de respeito à nossa memória coletiva.
Por décadas, o prédio, construído por nossos pioneiros em 1950, seguiu vivo, presente no cotidiano da cidade, lembrando quem somos e de onde viemos. Essa história começou a ser apagada em 2021, quando um vereador apresentou projeto de lei que revogou o tombamento.
Mas é preciso dizer com clareza: a responsabilidade não é de um só. São três os responsáveis diretos por essa demolição. O vereador que propôs o destombamento, o ex-prefeito da época, que tinha o poder constitucional de vetar uma lei ordinária e escolheu sancioná-la, e o que seguindo o rito autorizou a demolição. Nenhum deles pode se eximir.
Poderia ter sido efetuado o tombamento, preservando a fachada, seria uma maneira de proteger o patrimônio cultural, que incide especificamente sobre a parte externa e visível deste tão importante prédio público, reconhecendo o seu valor histórico, arquitetônico e até cultural para a sociedade
rondonense.
Se o prédio caiu , é porque ontem houve omissão, concordância e autorização. Argumentar que o imóvel estava deteriorado não convence.
Isso nunca foi motivo para destruição, mas sim um chamado à responsabilidade. Existem recursos estaduais e federais, inclusive a fundo perdido, para preservação do patrimônio histórico. O que faltou não foi dinheiro, faltou vontade política, visão administrativa e compromisso com a memória da cidade, faltou entender que preservar história não é gasto: é investimento em identidade, educação e cultura.
Hoje, Marechal Cândido Rondon e sua gente assistem ser apagada um pouco da sua própria história.
O vazio deixado pela demolição não será preenchido por nenhuma obra moderna. Perdemos mais do que madeira e paredes: perdemos referências, memórias e respeito pelo nosso passado.
Uma cidade que não preserva sua memória perde o rumo. E hoje, infelizmente, falham como guardiões da nossa própria história.
ADEMIR BIER
Ex-prefeito de Marechal Candido Rondon


Entenda
O prédio da antiga prefeitura, a primeira sede do Executivo rondonense, foi levado abaixo nesta semana, sucumbido pelas máquinas.
Tal fato deu o que falar, desde então.

A estrutura erguida pela Maripá na década de 1950 serviu como o coração administrativo do município de 1960 até 1979.


A estrutura erguida pela Maripá na década de 1950 serviu como o coração administrativo do município de 1960 até 1979