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Aeroporto rondonense já foi palco de histórias engraçadas, criou personagens e até parou no noticiário nacional; conheça curiosidades

calendar_month 22 de dezembro de 2021
8 min de leitura

Inaugurado em 1967, na gestão do então governador Paulo Pimentel, o Aeroporto Municipal de Marechal Cândido Rondon não tinha o atual nome de Ruben Berta, empresário brasileiro que ocupou a presidência da extinta companhia aérea Varig. O título somente foi dado 14 anos depois, durante a inauguração do recape asfáltico da pista.

O local ficou conhecido em razão de casos inusitados e já foi cenário de acontecimentos cômicos. Ganhou até mesmo o noticiário policial da imprensa nacional.

 

TROLAGEM À MODA ANTIGA

Um dos episódios mais pitorescos aconteceu em 1981, durante a inauguração do asfaltamento da pista do aeroporto, com a presença do então governador do Estado, Ney Braga.

Para inaugurar o asfalto, a prefeitura organizou uma cerimônia com queima de fogos para receber o voo que trazia de Curitiba o governador.

Mas, o que o prefeito da época, Verno Scherer, seu grupo político e a população que se reuniu no aeroporto para esperar a chegada da comitiva estadual não esperavam é que um grupo de políticos da oposição pregaria uma peça em todos.

Idealizado por Rui Pires e Matias Seyboth, o plano era que os políticos se deslocassem até Cascavel na casa de um amigo e proprietário de uma aeronave, com a intenção de pedir para ele realizar um voo até Marechal Rondon.

E assim eles fizeram. Após combinar o valor cobrado pelo transporte aéreo, o avião decolou levando o grupo rumo ao Aeroporto Municipal, onde a população esperava a chegada do governador.

Momentos antes do avião do governador chegar no aeroporto, a aeronave trazendo os políticos da oposição começou a fazer os procedimentos de pouso.

Segundos antes da porta da aeronave se abrir, começou a queima de fogos, mas quando as primeiras pessoas começaram a sair do avião, o burburinho tomou conta do público e a situação criou grande embaraço. Virou até notícia nacional.

 

BAGULHO BOLIVIANO

Outro acontecimento marcou negativamente a história do aeroporto e virou notícia nacional nos principais veículos de comunicação do país.

O fato ocorreu em 2007, quando, por acaso, um agente da Polícia Federal (PF) ouviu a conversa de um homem em um telefone público próximo ao hotel onde ele e outros policiais estavam hospedados, enquanto participavam de uma operação na região de fronteira.

A conversa se desenrolava em tom bastante alto e o policial ouviu o indivíduo se queixar porque alguém não teria acendido as lamparinas e, por conta disso, ele não teria conseguido pousar na pista. O policial ouviu também o homem dizer que estava preocupado, pois estava com o “bagulho” no avião.

Com os indícios de tráfico de drogas, os policiais federais se deslocaram ao aeroporto, onde identificaram uma aeronave que havia pousado naquele dia e estava guardada em um hangar.

Dentro da aeronave os policias encontraram um grande volume de pasta-base de cocaína, que somou 174 quilos da droga.

Com a intenção de prender os responsáveis em flagrante, os policiais armaram uma tocaia que durou a noite toda.

Na manhã do dia seguinte, perceberam a chegada de dois homens, que abasteceram a aeronave e retiraram-na do hangar. Assim que o piloto acionou o motor, os policiais efetuaram a abordagem e a dupla foi presa em flagrante por tráfico internacional de drogas.

Com o administrador do aeroporto a polícia encontrou um revólver sem registro e o homem foi preso por porte ilegal de arma de fogo.

De acordo com a polícia, a aeronave decolou de Marechal Rondon em direção ao interior da Bolívia, onde carregou a cocaína. A droga, segundo o piloto, que também era o dono do avião, seria transportada então até o interior do Paraguai. Porém, como ele não encontrou a pista onde deveria pousar e com o combustível acabando, resolveu voltar ao Oeste paranaense, onde a dupla acabou presa.

A cocaína apreendida, com alto grau de pureza, foi avaliada em cerca de R$ 9 milhões.

Uli Siegel, empresário e piloto: “Voar é uma droga que causa dependência, preenche o emocional e deixa a gente viciado. Não pretendo parar nunca, enquanto puder vou continuar voando” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

AVIAÇÃO NO SANGUE

Além de ser palco de contos curiosos como esse, o aeroporto rondonense ajudou a formar personagens marcantes, com muitas histórias que sempre são lembradas nas conversas em rodas de amigos.

Nascido no município catarinense de Agrolândia, o empresário e piloto nas horas vagas Uli Siegel tem um estreito vínculo de carinho e cumplicidade com o aeroporto rondonense, afinal, foi aqui que ele começou a alçar os primeiros voos em solo paranaense.

Uli conta que a paixão por aeronaves começou na infância, mas foi aos 18 anos que o desejo de pilotar se tornou realidade, quando ele e sua família ainda moravam no Estado de Santa Catarina. “Iniciei na aviação fazendo o curso de voo à vela (sem motor), ou seja, de planador, na cidade de Rio do Sul”, recorda.

O empresário relata que na época a família decidiu vir morar em Marechal Rondon, justamente por conta da cidade já possuir aeroporto. “Além das riquezas naturais, um dos fatores que mais pesou foi o aeroporto, devido à rapidez e à facilidade no deslocamento”, revela.

Hoje, ao 62 anos e com aproximadamente 4,5 mil horas de voo, Uli diz que a sensação que sente quando está voando é a mesma de quando ainda era iniciante. “Não pretendo parar nunca. Enquanto puder, vou continuar voando”, afirma.

Uli e a esposa Alzira Siegel durante sobrevoo à cidade de Marechal Cândido Rondon (Foto: Divulgação)

 

VOO POLÊMICO

Uma dos acontecimentos inusitados, ocorrido há algumas dezenas de anos, tirou o sono, literalmente, dos moradores e gerou muita polêmica no município.

Uli lembra que nesse período era praticante de voos noturnos, apesar de a prática ser considerada irregular pela legislação brasileira, por oferecer certo grau de risco. Mas, segundo ele, nunca aconteceram acidentes, mesmo com todas as peripécias noturnas sobre a cidade que dormia tranquila. “Imagina a paz e a tranquilidade da madrugada ser quebrada com o barulho de um avião sobrevoando a cidade. O resultado foi muitas pessoas se aglomerando em frente ao aeroporto para saber o que estava acontecendo, mas era apenas a gente se divertindo”, relembra, sorrindo.

Ele relata que muitas das pessoas que saíram da cama para ir ao aeroporto acharam divertida a situação, no entanto, teve a ala dos incomodados que acabou com a diversão noturna. “Tivemos que correr longe para não sofrer as devidas sansões”, brinca o empresário.

 

RECRUTA ZERO

Outra situação inusitada, porém nada divertida, aconteceu durante um voo de retorno da cidade de Cascavel para Marechal Rondon.

Uli comenta que, como de praxe, fez o plano de voo e, assim que decolou, acionou o piloto automático da aeronave porque queria ler uma edição nova do gibi do Recruta Zero, que ainda não havia lido. “Decolei e coloquei os equipamentos na rota que eu deveria ir, peguei o gibi e comecei a ler”, lembra.

Mas o que ele não sabia é que havia cometido um erro ao informar os instrumentos e o que era para ser um voo rápido e tranquilo se tornou o pouso de emergência mais tenso da sua vida. “Quando o sinal sonoro avisou que o meu destino estava próximo, olhei para baixo e percebi que não estava em Marechal Rondon”, expõe.

Ao notar o erro, já no cair da noite, Uli percebeu que sobrevoava a cidade de Assis Chateaubriand, entretanto, não tinha combustível suficiente para alternar o voo. “Minha única alternativa foi pousar em uma avenida, mas foi um pouso excelente, considerando o risco de enroscar nos fios de luz e as falhas apresentadas pelo motor devido ao pouco combustível”, frisa.

Ele menciona que assim que pousou algumas viaturas da polícia e muitos curiosos se aproximaram da aeronave, afinal, nunca um avião havia pousado na avenida da cidade. “Fui detido pela polícia e tive que contar muitas historinhas para os policiais abrirem a cela para eu fazer um telefonema”, salienta.

Logo, o pouso de emergência foi explicado para as autoridades policiais pelo advogado da família e Uli foi solto no mesmo dia.

O empresário conta que no dia seguinte o delegado montou um esquema que interditou metade das ruas da cidade para ele conseguir decolar com o avião em direção a Marechal Rondon. “Vim de carro a Marechal, peguei combustível e consegui decolar de uma outra avenida, pois não tinha condições de decolar de onde pousei, porque foi um pouso extremamente curto”, pontua Uli.

 

Principal problema encontrado na pista do Aeroporto Municipal Ruben Berta é o esfarelamento do pavimento, o que, inclusive, pode causar acidentes (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Estrutura de acesso de passageiros ao aeroporto municipal também deve ser revitalizada em 2022 (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

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