“Há, porém, uma coisa, caríssimos, que não deveis ignorar, é que um dia diante do Senhor é como mil anos (diante dos homens) e mil anos (diante dos homens) como um dia (diante do Senhor).” Segunda Epistola da São Pedro, 3,8
Só quem perdeu um filho sabe o que é amor incondicional. Mais ninguém. Até Deus provou essa terrível entrega, acima de todos os pesares, com a crucificação de Cristo.
CARPINEJAR, Fabrício. <https://portalplural.com.br/so-quem-perdeu-um-filho-sabe-o-que-e-amor-incondicional/> Consultado em 08 de janeiro de 2024.
Amor incondicional não é morrer no lugar do filho, é seguir vivendo com ele morto.
Porque é fácil amar o filho presente, difícil é amar o filho quando ele não está mais aqui. É amar o filho ausente pelo resto dos seus dias.
Amor incondicional é seguir vivendo pelo filho, por mais difícil que seja. Ajeitar aquela dor incessante e incurável para permanecer ativo no trabalho, para permanecer convivendo, para permanecer ouvindo o que não interessa (nada mais interessa), para permanecer sendo gentil com a família e amigos. É levar a dor para passear, levar a dor para suas viagens, levar a dor para as férias. A dor é uma bagagem permanente, usada inclusive dentro de casa. Às vezes, pesa excessivamente, mal se pode caminhar segurando a sua alça.
Amor incondicional é suportar a saudade sem abraçar a pessoa, sem beijar a pessoa, sem ouvir a sua voz, sem aconselhá-la ou orientá-la, sem recolher as suas roupas pelo chão, sem se surpreender com as mudanças de seu rosto ou com o acréscimo vertiginoso de altura, sem ter o direito de falar algo importante que aprendeu com a rotina.
E não permitir que a memória do filho morra quando todos já se esqueceram, depois de
tanto tempo da despedida.
E rir de alguma história vivida junto para, em seguida, chorar porque ela não vai se repetir.
A gargalhada e a lágrima são agora amigas. Uma consola a outra. Acontecem no mesmo instante, não estão mais separadas como antes. As paredes entre elas ruíram, desaparecendo a vedação entre o bom e o ruim, entre a felicidade e a tristeza.
Três anos
Hoje, 13 de maio de 2024, faz três anos – mais que mil dias – que o BRENO partiu,
deixando um vazio incomensurável, uma dor que não tem fim e que só aumenta a cada dia e que apenas quem perdeu um filho sabe. Só a fé em outra vida, melhor, permite que se suporte tamanha ausência.
Sem ser poeta, fiz um novo soneto para homenagear meu filho. Singelo, mas de
coração, como demonstração de meu amor incondicional por ele. No verbo presente, porque, como diz Santo Agostinho, o BRENO só está do outro lado do caminho. Que saudades!

Breno Augusto
Janeiro de 2024
Você é o amor mais puro,
Que ilumina a minha vida.
Tanto amor, lhe asseguro,
Não comporta despedida.
Você foi tão de repente,
Sem sequer dizer adeus;
Que a minha’alma ainda sente
O amor dos olhos seus.
Você nunca está ausente.
Nas estrelas, eu o vejo,
No luar, no pôr-do-sol.
Você sempre está presente,
Meu amado benfazejo,
Você é meu arrebol.
Eu e sua mãe amamos você, filho!
Por Clairton Mario Spinassi. Juiz na comarca de Marechal Cândido Rondon