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Apaixonado por plantas, rondonense tem uma das mais belas coleções de orquídeas da região

calendar_month 22 de maio de 2021
6 min de leitura

Existem gostos ou costumes individuais que são transmitidos no dia a dia e que ao longo dos anos se tornam tradição e se difundem para toda a família.

Na família Viteck a paixão é pelas plantas, e não é de hoje, afinal, o bisavô descendente de suíço do rondonense Harto Viteck já cultivava um frondoso jardim no Estado do Rio Grande do Sul. “E isso ainda é muito forte na família. Minhas irmãs e minha mãe permanecem com este gosto até hoje”, relata.

Harto conta que cresceu cercado por pessoas que compartilhavam o mesmo sentimento por plantas, mas o que ele não sabia é que uma em especial atrairia ainda mais sua atenção.

O rondonense diz que a primeira vez que viu uma orquídea florida foi durante uma aula ainda no ensino primário e se encantou pela planta. Desde então, passou a admirar as orquidáceas. “Foi uma coisa que despertou muito interesse”, relata.

Desde então, a paixão só aumentou, e com o passar dos anos, Harto começou a colecionar muitas qualidades de orquídeas e sua coleção já teve 130 vasos. “Estudei bastante para saber as origens, tratos culturais, substratos, tudo que precisa saber para ter um bom cultivo”, expõe.

Hoje com 69 anos, Harto comenta que após se aposentar, há cerca de dez anos, reservou boa parte de seu tempo para se dedicar ainda mais às plantas, especialmente às orquídeas.

Harto Viteck: “Existem orquídeas lindíssimas, mas que não dá para cultivar na nossa região por conta da escassez de umidade” (Foto: Sandro Mesquita/OP)

 

Muitas variedades

Existem orquídeas das mais variadas cores, tamanhos e formas e, segundo o rondonense, elas são classificadas em milhares de espécies, subespécies e variedades em todo o mundo. “Existem milhares de plantas híbridas também que aumentam esta diversificação”, pontua.

Alguns tipos de orquídeas são mais comuns e bastante difundidos comercialmente, mas existem algumas espécies difíceis de ser encontradas e isso determina preço comercial entre os colecionadores. “O que dá valor a uma orquídea é a qualidade e o grau de dificuldade de encontrá-la na natureza”, explica.

O rondonense menciona que há plantas consideradas inferiores e superiores, das quais as orquídeas fazem parte. “Elas já atingiram uma maturidade dentro da botânica que outras plantas ainda não atingiram”, enaltece.

De acordo com Harto, muitos colecionadores de orquídeas deixaram de praticar a generalidade do cultivo de espécies e partiram para o cultivo de um único gênero ou de determinados gêneros, o que, aponta ele, demanda menos tempo e diversidade de cuidados porque cada gênero tem exigências culturais próprias. “Quando você cultiva muitos gêneros você precisa de uma parafernália de atenções”, resume.

Esta mudança de interesse faz com que os apreciadores de orquídeas tenham coleções, às vezes, com menos de 30 vasos, o que, de acordo com o rondonense, valoriza as coleções. “Isso porque o colecionador foi atrás de plantas de alta qualidade e de destacado valor ornamental”, aponta.

Ele revela que as espécies de sua preferência, atualmente, são as cattleyas labiatas, mossiae, warnerii e laelias purpuratas e tenebrosa. “A minha coleção atualmente não passa de 30 vasos destas espécies”, informa.

 

Dicas para cultivo

A orquídea é uma das plantas mais apreciadas em todo o mundo e uma das mais compradas para dar de presente. Segundo Harto, por causa disso é comum encontrar plantas jogadas no lixo, devido ao desinteresse quando a planta chega no período de descanso, ou seja, quando as flores caem. “Muitas pessoas não têm conhecimento sobre tratos culturais, como lidar com essa planta”, comenta.

Ele afirma que as orquídeas não possuem similaridade na forma de cuidar e isso acaba dificultando o cultivo. “Cada espécie tem exigências como ambiente e umidade”, explica.

Conforme o rondonense, o cultivo de orquídeas não é uma tarefa difícil e não é muito diferente de outras plantas, apesar de exigir cuidados diários, principalmente em relação à maneira de regá-las, diferente das bromélias, por exemplo. “Elas não gostam de substrato encharcado. Se a raiz apodrecer você perdeu a planta. Ao mesmo tempo que se deixar de dar água por uma semana, a planta começa a regredir”, detalha. O ideal, de acordo com ele, é borrifar água a cada dois dias, oferecer um local com boa luminosidade e uma boa adubação. Assim como os seres humanos precisam de vitaminas e minerais, as plantas também necessitam disso para sobreviver. “Não tem segredo, mas precisa ter amor à planta, e isso exige que se tenha conhecimento sobre elas”, ressalta.

 

A rainha do abismo

Entre as variedades existentes no jardim da casa do aposentado, uma espécie curiosa chama a atenção pelo nome popular: rainha do abismo. Ela recebe este nome porque é encontrada apenas em encostas de montanhas. Conhecida cientificamente pelo nome de Sinningia leucotricha, este tipo de orquídea existe somente na Serra da Esperança, região central do Paraná.

Outra espécie originária da região Sul do país são as laelias purpuratas. Estas variedades vicejam no Rio Grande do Sul e Santa Catarina e estranhamente pulam o Paraná para reaparecer em São Paulo e no Sul do Rio de Janeiro.

 

Gesnereáceas

Apesar das orquídeas serem as queridinhas do aposentado, ele conta que recentemente começou a cultivar outro tipo de planta: as sinningias, da família das gesnereáceas, que são muito difíceis de serem adquiridas no Brasil. “Mesmo o país tendo a maior diversidade do gênero, os maiores cultivadores são os estadunidenses, inclusive com associação nacional de cultivadores”, conta.

 

A paixão está no sangue

O amor pela jardinagem, ao que parece, está no sangue da família Viteck, que segue alimentado pela admiração que seus netos já demonstram pelas plantas. “Eles ficam observando o que a gente faz e acredito que também terão este amor pelas plantas”, considera.

Harto menciona que isso o faz se sentir muito bem e dá ainda mais disposição para aumentar sua coleção e continuar levando ao pé da letra um antigo e sábio provérbio chinês que diz: “Quem pratica a jardinagem e cultiva plantas vive mais”, conclui.

 

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